A velha necrópole de Barra

A velha necrópole de Barra

O mais antigo cemitério de Barra (BA) fica na rua Castro Alves e suas chaves ficam guardadas com uma moradora da casa em frente. Hoje são poucos os sepultamentos feitos ali. O último tinha sido o da Irmã Irene de São Pio X, a mãe dos pobres do sertão, que morreu no dia 14 de maio de 2017.

É no cemitério Santíssimo Sacramento que está o mausoléu de religiosos, onde estão abrigados os restos mortais do monsenhor José Castilho de Omena e do frei Benjamim Capelli, italiano que veio para o Brasil e passou a cuidar de hansenianos no interior da Bahia.

Nas velhas necrópoles percebe-se o valor dado à arte fúnebre. A escultura “O Cristo e o Átomo”, do artista plástico e desembargador Deocleciano Martins de Oliveira, importante escultor e responsável pelas obras que resultaram no Ciclo de Bronze, está no túmulo de dona Tercina, mãe do artista. Há outras esculturas bem trabalhadas, mas não tão grandiosas.

Outra característica dos antigos cemitérios são os mausoléus de pessoas importantes. Há um no Santíssimo Sacramento em formato de torre, onde estão os restos mortais da Maria Alexandrina de Almeida Franco, a baronesa de Santa Luzia, à época uma freguesia subordinada a Sabará (MG), depois emancipada.

Nascida em Barra, descendente de mineradores de Lençóis (BA), ela ficou viúva duas vezes. O primeiro marido – e primeiro barão de Santa Luzia foi o tenente coronel, comerciante e acionista do Banco do Brasil, Manuel Ribeiro Viana.

O segundo barão foi Quintiliano Rodrigues da Rocha Franco, o Barão de Santa Luzia de Sabará. O imponente solar da baronesa, em Santa Luzia, recebeu a visita de Dom Pedro II e da imperatriz Teresa Cristina, em 1880

Do segundo imperador, a baronesa ganhou o monopólio de comercialização de sal na região. Seu casarão, até então, maior obra civil da cidade mineira é preservado até hoje.

Maria Alexandrina morreu de embolia cerebral, em 2 de julho de 1897, e foi enterrada com joias, ouro e pedrarias. O túmulo tem três andares.

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A Cidade

Barra surgiu a partir de uma vila criada em 1752, mas instalada no ano seguinte. Foi elevada à categoria de cidade, em 1873. Era uma das cidades mais movimentadas e exuberantes da região do médio São Francisco.

 

Jornalista, 58 anos, traz no sangue a mistura de carioca com português. Em 1998, após trabalhar em alguns dos principais jornais, assessorias e sites do país, foi para o Ceará e descobriu um novo mundo. Há dez anos trabalha na Bahia, mas suas andanças não param. Formou comunicadores populares nas favelas do Rio e treinou jornalistas em Moçambique, na África. Conhece 14 países e quase todos os estados brasileiros. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.
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