Whatsapp afasta atravessador

Whatsapp afasta atravessador

Heliana Oliveira é uma das artesãs da Associação dos Empreendedores da Agricultura Familiar e Economia Solidária do Estado da Bahia (Aefaesb). Ela faz parte do grupo “Caravana da Coragem”, que congrega trabalhadores de Senhor do Bonfim, Feira de Santana, Chapada Diamantina e Itabuna. A artesã confecciona roupas com “panos de sacos” de algodão bruto. No passado, este material era utilizado para transportar açúcar.

A empreendedora segue alguns mandamentos em seus negócios:

  • Não negocia com atravessadores
  • Vende seu próprio produto
  • Não fornece para lojas
  • Prioriza modelos exclusivos
  • Utiliza redes sociais para manter seus clientes

Um de seus principais instrumentos de trabalho é o WhatsApp, usado para fazer reuniões entre os integrantes da “Caravana da Coragem” e, principalmente, para oferecer suas roupas para os clientes. De seus quatro números de telefone, três têm “zap”. A microempresária ainda utiliza facebook e e-mail. Sem intermediários, mantém  preços que variam de R$ 30 (shorts) a R$ 200 (vestidos), bem mais em conta que os produtos industrializados e, no mínimo 50% mais barato do que custariam em lojas.

Tecnologia mantém Heliana livre dos atravessadores.

“No início, as roupas de sacaria eram revendidas para uma loja no Pelourinho, mas o comprador queria mandar no meu negócio. Resolvi que, a partir daquele momento, não usaria mais nenhum atravessador”, conta Heliana.

 

ORIGEM

Tudo começou com uma brincadeira na Esquina da Cultura, em Feira de Santana. Um grupo sugeriu à Heliana que ela fizesse roupas para um desfile rústico. Ela aceitou o desafio e pensou em trabalhar com juta. A ida a um mercado, onde ela viu o pano de saco, fez ela mudar a matéria prima. O desfile fez sucesso e a artesã que antes trabalhava com pintura em tecido mudou de ramo.

Tempos depois, no Pelourinho, ela foi abordada por uma turista que se encantou com a saia que Heliana usava e quis compra-la a todo custo. A irmã artesã, que a acompanhava, disse que tinha uma calça extra na bolsa. Diante disso, Heliana vendeu a saía usada por R$ 70 e viu que estava no caminho certo.

O material usado é comprado em uma sacaria. Os de fios do tipo Cru G são mais grossos. O cru A é mais fino. As peças também são enfeitadas com rendas.

O vestido mais caro, que Heliana mostra com prazer para os clientes, é feito com 12 metros de tecido na parte de baixo e leva oito dias para ficar pronto. Ela conta que o modelo sofre modificações na parte de cima e é o preferido de contadora de histórias e de noivas, que escolhem o modelo para cerimônias nas praias.

Jornalista, 58 anos, traz no sangue a mistura de carioca com português. Em 1998, após trabalhar em alguns dos principais jornais, assessorias e sites do país, foi para o Ceará e descobriu um novo mundo. Há dez anos trabalha na Bahia, mas suas andanças não param. Formou comunicadores populares nas favelas do Rio e treinou jornalistas em Moçambique, na África. Conhece 14 países e quase todos os estados brasileiros. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.
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