Outros Sertões

Antes da hora

Dizem os escritos sagrados que não cairá um cabelo de nossas cabeças sem o consentimento de Deus. Esta crença extrapola qualquer teologia pelo Brasil, conforme a médica e pesquisadora de cultura popular Helenita Monte de Hollanda constatou em sua pesquisa pelo sertão e litoral do Nordeste. Muita pessoas acreditam que algumas mortes ocorrem antes da hora definida pelo Criador. Diante disso, Helenita foi buscar uma resposta para o que acontece com quem não cumpre o que está escrito.Veja o que ela descobriu. …Visualizar o restante

Próximo do fim

Zé Vítor é tranquilo, simples, gosta de contar histórias vividas por ele e por seus companheiros. Mas para Rodelas ele tem uma importância ímpar: é o último dos antigos penitentes – restam poucos mais jovens, mas que estão afastados das atividades religiosas. A história deste grupo secular e de fé católica, que cumpre sua jornada religiosa com maior vigor durante a Quaresma, pode chegar ao fim. …Visualizar o restante

Corpo fechado

A busca pelo que remanesce de popular, principalmente no que se refere à religiosidade, tem feito de mim uma garimpeira. Tentada a dizer “viajante” não o direi pois está tudo posto na Cultura, mais ou menos diluído, é fato, mais ou menos latente. É preciso olhar e ouvir. E aí saio eu com bateia e peneira juntando em preciosa coleção os saberes do nosso povo. É alimento já preparado com feitio de partilha. …Visualizar o restante

Toma jeito aí, boi!

O trabalho é um dos temas da Cultura Popular que para mim sempre pareceu o mais difícil de estudar pela falta mesma de exemplares próximos. Encontrar na velha estrada do Cansanção o Seu Zé Luiz, considerado um dos melhores carreiros da região foi presente que peregrina merece!

Imaginar que o carro de boi tem história que se perde no tempo e remonta pelo menos 5 mil anos a partir de quando estudos o situam entre os fenícios, egípcios, babilônios e em meio ao povo hebreu é um susto quando consideramos a evolução tecnológica vinda com os tempos. Mas lá estava ele gemendo, rangendo, levantando poeira mansa, tocado pela voz mais amiga que ameaçadora do moço Zé Luiz.

Pedi licença para subir no carro para não apenas registrar mas viver a experiência nada fácil. Que força! Três parelhas de bois em sintonia e sincronia numa orquestração perfeita dada pela voz e pela longa vara apenas norteadora e que não machuca o animal, mas o conduz.

Eia! Toma jeito aí, boi!

Safira e Bento

MEMÓRIA TEM CHEIRO

Priscila Godinho Martins dos Santos *

Cheiro daquele lugarzinho, cujo nome é de um santo, o santo casamenteiro: Santo Antônio, povoado de Campo Formoso. A princípio sente-se o cheiro da areia que pairava sobre a porta da humilde casa. O solo do povoado era arenoso. Ao adentrar a casa, sentimos o cheiro das velas acesas no primeiro quarto, nele avistamos duas camas de solteiro, uma era especial, a favorita da “netaiada”. Era uma cama com molas, cujo colchão foi confeccionado pela proprietária da casa, que o encheu de lã do fruto da barriguda, na minha cabeça tratava-se das mesmas galhas com que fazia as vassouras para varrer o terreiro. …Visualizar o restante