Categoria: Reportagens

O japonês do sertão – Parte 2

O pioneiro

Antônio Aparecido Pereira, o Cido, começou a trabalhar na roça aos 7 anos para ajudar o pai a sustentar a família, que incluía a mãe e sete irmãos. Abandonou os estudos na quinta-série por não conseguir mais conciliar lápis e caderno com a enxada. Concluiu que “a roça não dava a camisa a ninguém” quando chegou à maioridade. Juntou a revolta por não conseguir realizar o simples sonho de comprar uma bicicleta com a vontade de conhecer uma grande cidade e aceitou o convite do primo para trabalhar como ajudante de pedreiro em São Paulo.

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O japonês do sertão – Parte 1

Um restaurante japonês que só abre três dias da semana em uma pequena cidade do sertão e tem no cardápio um único peixe, cujo habitat fica a 4.480 quilômetros de distância, parece estar fadado ao fracasso. No entanto, esse estabelecimento com capacidade para 40 clientes, está fincado no município que exportou nos últimos 30 anos mais de três mil sertanejos, transformados em empresários ou sushimen de centenas de estabelecimentos do ramo em diversos estados do país, principalmente São Paulo.

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As ceramistas de Malhada de Areia

Malhada de Areia está localizada a 6 km da cidade de Cordeiros e a 23 km de Condeúba, na região centro-sul da Bahia. O povoado pertence à cidade mais distante e tem como particularidade o fato de que um terço das famílias cadastradas na associação local possui fornos de vários formatos em seus quintais. Há mais de um século, boa parte dos moradores, principalmente as mulheres, sobrevive graças à produção de cerâmica.

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Marca histórica adulterada em Condeúba

As marcas da passagem da Coluna Prestes por Condeúba, cidade com cerca de 18 mil habitantes, encravada na região centro-sul da Bahia, estão na antiga Casa da Câmara e Cadeia de Condeúba. No imponente prédio do Paço Municipal, cuja construção levou 28 anos (1853-1881), funcionaram também o fórum e a câmara de vereadores. Hoje, ele abriga a diretoria de escolas da zona rural e o gabinete do prefeito.

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A gruta de Aparecida

O ônibus entra em Condeúba, a 150 km de Vitória da Conquista, no sudoeste baiano. No caminho até a agência da Viação Novo Horizonte, diante da igreja matriz de Santo Antônio, passa por uma construção de pedras com uma coroa de zinco fincada em uma haste presa ao teto. A gruta chama a atenção de quem está na cidade pela primeira vez e traz em si uma história muito interessante, que nos é contada pelo mestre de obra Anfilófio Antonio de Sousa, o seu Filó, 84 anos, integrante da Irmandade do Santíssimo Sacramento.

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Alerta máximo

As cidades de Condeúba, Piripá e Cordeiros, no sertão baiano, enfrentam a pior crise hídrica de suas histórias devido à estiagem e à drástica redução do volume de água da barragem de Champrão, construída em 1955 e responsável pelo abastecimento de cerca de 40 mil moradores. A capacidade do açude é de 5,9 milhões de metros cúbicos, mas nos dias de hoje não chega a 11% do total.

Segundo o fiscal Elias Azevedo da Silva, 51 anos, prestador de serviço da Agência Nacional de Águas (ANA) e responsável pelas medições diárias do nível de água, há 60 dias a barragem atingiu o “volume morto”. Este é o termo técnico que designa a reserva mais profunda do açude, abaixo dos canos de captação, e que não deveria ser usada por se tratar de água de má qualidade com acúmulo de sujeira e substâncias tóxicas.

“Esta é a menor profundidade em 63 anos. Nesta segunda-feira (dia 1º de outubro), as réguas de marcação mostraram que o nível está 6,81 metros abaixo da cota normal e que a profundidade média é de 19 centímetros. A cada dia, o volume diminui dois centímetros, aproximadamente” – explica Elias.

Apesar de a água estar imprópria para consumo, caminhões-pipas continuam a se abastecer no local, utilizando bombas adquiridas pelos pipeiros. Há pelo menos 26 veículos em atividade. Cada um transporta até 10.500 litros. Os motoristas recebem R$ 3 por quilômetro rodado.

Elias também controla a entrada dos caminhões a serviço do Exército. Eles retiraram 688 pipas em três meses. No entanto, de acordo como o fiscal estes veículos deixaram de se abastecer em Champrão. O Exército é o responsável pela maior parte da distribuição de água no Nordeste durante a seca.

Elias informou ainda que a Agência Nacional de Águas (ANA) notificou a Empresa Baiana de Águas e Saneamento S.A (Embasa), concessionária de água e esgoto cujo principal acionista é o governo estadual,  por ela não ter apresentado plano de contingência para evitar o colapso do abastecimento.

O Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS) poderia ter aproveitado o momento para consertar registros rompidos e conter os vazamentos na linha de distribuição. No entanto, alegou não dispor de verbas.

Medo de beber água

Elias diz que sua família – dois netos e a mulher que fez transplante de rim – não consome água da barragem há meses. A alternativa é a cisterna de consumo, abastecida com água da chuva, que ganhou de um programa de convivência com a seca. Este ano, choveu 36 milímetros na região, segundo ele.

O professor e integrante do Conselho Municipal de Educação de Condeúba, Agnério Evangelista, 72 anos, é outra voz crítica com relação à Embasa. Ele diz que a ganância fez a concessionária construir adutoras para Piripá e Cordeiros e não tomar providências para mitigar a crise hídrica.

Agnério conta que a população sugeriu racionamento de água em uma reunião com representantes do DNOCs, da ANA, da Embasa e do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), mas não foi atendida

A falta de fiscalização sobre o consumo, a princípio sob a responsabilidade do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS), é outro fator de agravamento da situação. Há anos, não há funcionários do departamento em Condeúba. O escritório mais próximo está a 200 quilômetros. Diante disso, este ano, o órgão vinculado ao Ministério da Integração Nacional, repassou para a prefeitura a função de fiscalização, mas quase nada é feito.

Elias informa que há 98 bombas de irrigação, puxando água da barragem, mas a maioria suspendeu a atividade temporariamente.

Dona Lina

Aderaldo era um homão forte, valente e brigão, que andava com um facão na cabeça na sela. Os donos de bares quando o viam ao longe, fechavam as biroscas. Não queriam confusão. Às vezes, no entanto, não dava tempo. Ao entrar, dava ordem para ninguém sair. Quando bebia, fazia os outros beberem a pulso.

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Identidade nordestina

Nesta entrevista para Meus Sertões, a estudante de jornalismo  Camila Gabrielle, 21 anos, prestes a se formar, conta como surgiu o projeto “O sertão entre a flor e os espinhos”, nome do documentário que apresentará como TCC (trabalho de conclusão de curso), cujo tema são cidades, povoados e moradores do sertão sergipano.

Camila revela ainda como os nordestinos são vistos no sul do país, onde estuda. Angústia, saudades e simplicidade também são temas desta conversa com a jovem baiana que nos inspirou a criar o projeto “Meus Sertões Universidade.”

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