Tag: Ceará

Currais humanos

Os campos de concentração cearenses de 1915 e de 1932: uma história de isolamento nas secas 

Leda Agnes Simões*

Eu venho lá dos sertões onde a saudade se perdeu / Naquela estrada empoeirada que doeu / Feito uma flor que resistiu, assim sou eu – Flávia Wenceslau, 2014

Este artigo é fruto de parte da minha dissertação de mestrado defendida no CPDA/UFRRJ. Por isso, encontraremos aqui fontes históricas, dados, mapas. Uma linguagem acadêmica para um assunto que pertence a todos nós, e principalmente ao povo do Nordeste. Essa mancha na nossa história, é um tema que deve ser estudado, conhecido e falado fora do Nordeste e fora do mundo acadêmico. …Ler mais.

A botija encantada

Achou estranho aquele sonho. O dono da terra onde morava havia aparecido quando o dia já estava amanhecendo. Estava vestido de branco e indicava: no canto esquerdo da camarinha onde ele dormia antes de partir, havia enterrado uma panela de ferro com moedas de ouro e prata para escondê-las da família. Queria ter um dinheiro garantido para as precisões, mas não houve tempo de usá-las. Por isso, estava a vagar pelo mundo das almas. Agora havia recebido permissão para indicar o lugar certo da botija, que estava no casarão abandonado na beira da estrada. O escolhido fora ele. E só ele poderia desenterrar o tesouro. Ficou o dia a pensar sobre aquilo, mas não deu muita atenção. Botija, para ele, era como uma lenda, que ouvira do avô em conversas no alpendre de casa. …Ler mais.

Lampião ostentação

Lampião na passarela

Florisvaldo Mattos

Os cangaceiros, cuja história de façanhas e crueldades inspirou conceituações diversas – símbolos do mal, como criminosos frios e sanguinários, para as autoridades e classe média, principalmente do litoral; heróis, homens bravos e destemidos a serviço da defesa da honra, para os camponeses, principalmente o sertanejo habitante dos descampados -, dormem na memória e no esquecimento, mas às vezes despertam por repentinos sacolejos da estética e da comunicação. …Ler mais.

Nordeste: ausências e permanências

O primeiro contato de Meus Sertões com o professor e fotógrafo Marcelo Eduardo Leite foi durante uma pesquisa para encontrar fotos que pudessem ilustrar um artigo sobre beatismo da professora Enaura Quixabeira, no site. Marcelo foi gentil e cedeu duas de suas muitas fotos sobre Juazeiro do Norte. Não precisou de muito esforço para perceber que seu olhar sobre as questões relacionadas com o Nordeste  era diferenciado.

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Utopia cristã

O SONHO DO BEATO FRANCISCANO EM ALAGOAS 

Resumo: O Direito Canônico da Igreja Católica elege como Beatos cristãos cuja vida possa servir de exemplo e de ferramenta de construção da santidade da comunidade. No Nordeste do Brasil, o povo sertanejo selecionou seus próprios Beatos fora da hierarquia oficial. Estes homens e mulheres povoaram o território nordestino, semeando uma espiritualidade com base na fé, no trabalho e na partilha fraterna, construindo uma utopia de busca da terra prometida, que em muitos casos se constituiu em guerra fratricida com o poder civil.

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A alma do sertão

Escrever sobre o Sertão é entrar num mundo particular de boas lembranças. Me lembra cadeiras na calçada para reunir amigos, no final de tarde e de lá enxergar o sol se pondo na serra ou a chuva que se formava embalada pelos relâmpagos no serrote que se avistava. A calçada me faz recordar meu pai sentado na cadeira de balanço falando alto com um ou outro que passava por ali. …Ler mais.