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45 versões para a oração ‘Pai Nosso Pequenino’

Três meses depois do lançamento do sítio Meus Sertões, em 2016, a médica e pesquisadora de cultura popular Helenita Monte de Hollanda nos enviou um vídeo sobre uma oração poderosa, invocada para a proteção dos sertanejos. Nele, dona Maria Belo, de Mucugê (BA), nos ensinava como rezar o “Pai Nosso Pequenininho”, também chamada de “Pai Nosso Pequenino”.

Pesquisa feita por Meus Sertões apurou que a oração tinha outras versões e que sua origem provável é Portugal. Na internet, descobrimos ainda que a oração também foi adotada por adeptos de religiões afro-brasileiras com o propósito de curar e proteger as crianças e os adeptos do candomblé e da umbanda. Também era atribuído à prece o poder de ficar “invisível ao mal” diante de uma situação de perigo.

Nos quase cinco anos de história de Meus Sertões, que serão completados no dia 27 de setembro, o “Pai Nosso Pequenino”, título da reportagem, se transformou no texto mais lido de nossa página e com o maior número de comentários (86) e 45 diferentes versões para a reza.

A mensagem mais recente nos foi enviada há uma semana por Caroline Montenegro. Ela nos conta que ao ler a reportagem recordou dos tempos de menina:

“Relembrei a minha infância quando ia para o interior dos meus avós, portas trancadas, lamparinas acesas e nós crianças com os ouvidos aguçados com o latido dos cachorros e preocupados com as pisadas do lobisomem que poderia passar correndo nas estradas na lua cheia. Então meu avô nos ensinou essa oração de proteção e rezávamos todas as noites” – relata.

Em seguida, mostra como aprendeu o “Pai Nosso Pequenino”

“Padre nosso pequenino tem a chave do paraíso/ Quem me deu?, Quem me daria?/ Foi a Virgem Maria/ Foge fonte, foge monte/ E que o demônio não me encontre/ Nem de noite, nem de dia/ Nem um pingo do meio-dia/ Nossa senhora me alumei/ Santo Antônio dai-me o guia/ Amém!”

Assim como Caroline, muitos outros seguidores nos enviaram suas versões e homenagearam seus pais, avós e bisavós, responsáveis por tão importante ensinamento.

A paranaense Sonia Alves, de Cruzeiro do Oeste, foi uma delas:

“A minha querida avó já falecida era da região de Londrina e criada por italianos. Ela me ensinou assim e sempre vou para o trabalho rezando essa oração:  Pai Nosso pequenininho/ Deus me ponha em bom caminho/ Jesus é meu padrinho que me pôs a cruz na testa/ Sete anjos me acompanham/ Sete velas me iluminam/ O diabo não me atenta/ Nem de dia e nem de noite/ E nem na hora dos séculos, amém.”

Luiz Solis e Vera Gonzaga homenagearam, respectivamente, a bisavó cearense Antônia Ferreira Coelho, da cidade de Novo Horizonte, e a “querida avó (in memoriam) que se chamava Pastora”.

Os ensinamentos feitos com carinho são levados pela vida toda, como nos mostra Maria do Socorro Lacerda da Cunha:

“Ainda pequena aprendi a oração com minha mãe cearense e rezo até hoje, todos os dias ao deitar. Eu tenho 61 anos e minha mamãe, 94.”

Já Tatiana Jatobá comprova o misticismo de nossa gente. No caso dela, a avó indígena, católica, rezadeira e detentora de uma “mediunidade incrível” revelou que um dia recebeu a presença de alguém que se apresentou como o anjo Natanael. Foi ele quem pediu a ela para que aprendesse a oração e ensinasse para todos se protegerem de qualquer mal. Em seguida, o anjo passou a ditar com voz suave para que ela anotasse:

“Pai Nosso Pequenino/ Deus me guie em um bom caminho/ Sete anjos me acompanhem/ Sete estrelas me alumiem/ Foi Deus quem me fez a cruz na testa/ Para o cão não me atentar/ Nem de noite, nem de dia/ Nem ao pino no meio dia, nem na hora de deitar/ As contas do meu rosário são balas de atirar/ Com elas combato o inferno rezando 3 Ave Maria (em seguida rezar Ave Maria 3 vezes).”

Nós, da equipe Meus Sertões, ficamos felizes quando conseguimos fazer com que nossos seguidores se emocionem, viajem de volta à infância e dividam conosco suas histórias.

Para ler a matéria original, as versões da prece e os comentários de nossos seguidores clique aqui