Meus Sertões

Imagens severinas

O rosto curtido do sol, as rugas bem marcadas, o olhar arisco. O boné com aba virada para trás é sua marca registrada. Olhando assim, no meio do sol carioca, Severino Silva parece um boiadeiro nordestino na cidade grande. A fala é mansa, baixinha, e a voz só se eleva para falar “das coisas boas de lá”. “Lá” é o Nordeste, o sertão, onde se sente mais à vontade, onde pode voltar a ser criança e brincar com a luz da lua perto de casas de pau a pique ou com a penumbra iluminada na chama de um toco de vela na mão de um romeiro em uma procissão. O Nordeste de Severino é grande, muito além de Pirpirituba, no interior da Paraíba, onde nasceu e de onde saiu ainda menino. É pelas estradas que ele segue para as pequenas cidades e chega de qualquer jeito: pode ser de ônibus, de carona ou a pé. Na inseparável mochila, disputam espaço as duas câmeras, as lentes, uma rede de selva e um saco de dormir. Às vezes, as roupas não conseguem ganhar nem um cantinho, ele confessa em meio a um sorriso.  E diz que pede pouso em qualquer lugar para poder amarrar sua rede em árvores ou se abancar em um canto de alpendre.

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Nordeste, de Severino Silva

A exposição “Nordeste”, de Severino Silva, fotógrafo paraibano radicado no Rio de Janeiro, estreou o espaço de exposições da primeira página do site Meus Sertões, a sessão Galeria. Severino sempre que junta folgas ou tira férias vem para o sertão. De grande sensibilidade, é exaltado e querido por seus colegas jornalistas. Além de exposição, Severino foi entrevistado pela jornalista Angelina Nunes, uma das mais premiadas do país.

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Naufrágio do transporte

O mascate Beltrando Caribé chegou a Januária (MG) pelo rio São Francisco, o melhor e praticamente único meio de transporte da região em 1930. Com o tempo, abriu uma loja de secos e molhados, que revendia produtos comprados no Rio de Janeiro e em São Paulo. Nos anos 30, o comércio fervilhava nas águas do São Francisco, tanto que Beltrando resolveu mudar a loja para a área portuária e estender a venda de produtos para o sul da Bahia e Pirapora (MG). O movimento crescia, os negócios expandiam-se para Goiás. …Ler mais.

Questões agrárias

O professor Luiz Paulo Neiva, coordenador do projeto do novo campus Canudos, da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), anunciou que as questões agrárias no Parque Estadual de Canudos estão, praticamente, resolvidas. Pelo menos 53 famílias moravam em áreas do Parque Estadual de Canudos, onde são preservados os locais em que foram travados combates entre soldados do Exército e seguidores de Antônio Conselheiro, entre 1896 e 1897. …Ler mais.

A floração do umbuzeiro*

Sertanejas se organizam em cooperativa, reinventam-se e ganham independência e autoestima

Bem antes de os umbuzeiros centenários ganharem apelidos e começarem a botar os primeiros frutos, os homens dominavam o sertão, as árvores, os bichos e as mulheres. Só há pouco tempo, elas começaram a se libertar. Essa liberdade começou na cozinha. Foi assim na Fazenda Brandão e em outras 19 localidades das cidades de
Canudos, Uauá e Curaçá. …Ler mais.

No alto das árvores

Nem as dores e dificuldades que todo sertanejo enfrenta tiram a alegria e a disposição da agricultoraJovita, 70 anos, que carrega cruz até no nome. Desde pequena, no povoado de Maruá, em Uauá, onde vivem cerca de 50 famílias, ela aprendeu a subir nos galhos mais altos dos umbuzeiros, mesmo que eles furassem seus braços, para pegar os melhores frutos. É dos umbus que ela sempre extraiu alimento e parte da renda para criar cinco filhos  –  um deles adotivo  –  e comprar os remédios para o marido esquizofrênico e incapacitado há 30 anos. …Ler mais.

Trilhos da história

A estação de Queimadas, na Bahia, é importante monumento histórico. Foi nela que os soldados do Exército desembarcaram para combater Antônio Conselheiro e seus seguidores. Aberta em 1886, dez anos antes do desembarque da primeira tropa, a estação era o ponto mais próximo de Canudos, que ficava a cerca de 200 km de distância. Fazia parte da Estrada de Ferro Bahia, que ligava a estação de São Francisco, em Alagoinhas, ao rio São Francisco, em Juazeiro, em percurso de cerca de 440 km. Os trens levavam as riquezas minerais da região. …Ler mais.