Meus Sertões

As oleiras da ilha

Não foi fácil chegar à oficina de cerâmica em que Dona Adilma divide o espaço de trabalho com outras moradoras do lugarejo. Primeiro, contratar o barco do alegre Seu Reginaldo. Depois, fazer o percurso pelo Rio São Francisco, do cais de Xique-Xique (BA) até a Ilha de Passagem. Leva-se uma hora e meia na pequena embarcação a motor, seguido de caminhada de um quilômetro e meio da margem do rio até a vila.

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Whatsapp afasta atravessador

Heliana Oliveira é uma das artesãs da Associação dos Empreendedores da Agricultura Familiar e Economia Solidária do Estado da Bahia (Aefaesb). Ela faz parte do grupo “Caravana da Coragem”, que congrega trabalhadores de Senhor do Bonfim, Feira de Santana, Chapada Diamantina e Itabuna. A artesã confecciona roupas com “panos de sacos” de algodão bruto. No passado, este material era utilizado para transportar açúcar.

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Dora, a doceira

Geralmente Dora começava uma conversa com um HUMMMM! A doceira mais famosa do município de Rodelas não costumava ter papa na língua. Em algumas situações emitia suas opiniões, sem cerimônias e não se importava se desagradasse o cliente. Nesse aspecto, passava do ponto. Geralmente todos riam do rela que quase sempre caía no anedotário da cidade. Foi uma das personagens amadas do “Rudela”, e seus doces ficaram para sempre na memória afetiva de quem os degustou. As docerias caseiras na cidade morreram com ela. …Ler mais.

Homenagem a jovens camponeses

Cerca de mil jovens são esperados na 8ª Assembleia Nacional da Pastoral da Juventude Rural (PJR) – Laura e Uedson, entre os dias 18 e 23 de janeiro, em Caruaru (PE). O tema do encontro será “Terra Mãe, Comunidade e Soberania Alimentar” e homenageará Laura Lorenzoni, primeira secretária da PJR,  que morreu afogada no Rio Grande do Sul, em 1989, ao tentar salvar uma jovem que caíra em um rio.  Outro homenageado é  Uedson Valentim de Araújo, coordenador da Pastoral da Juventude Rural, no Acre. Ele foi morto com um tiro na cabeça, na localidade de Ramal da Espinhara, no município de Bujari, este ano. O crime não foi esclarecido.

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Arte de licuri e aves de madeira

José Valdo Rosa nunca gostou de trabalhar na empreiteira que fazia a manutenção de linhas de transmissão de energia. Apesar de elogiado pelos chefes, pois assumia funções diferentes de acordo com a necessidade,  não suportava duas coisas: acordar cedo durante o inverno, principalmente nos estados do sul do país onde o frio é mais intenso, e viver, constantemente, com as botas molhadas.

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Um álbum para Carmelita

A antiga fazenda do coronel João Sá, poderoso político e coiteiro de cangaceiros que por muitos anos mandou e desmandou em Jeremoabo, hoje faz parte do bairro de Nossa Senhora de Brotas, a pouco mais de um quilômetro do Centro. Diante da mansão do coronel, com duas casas impedindo a visão do que já foi um imenso canavial, um menino toca violão, observado por Samuel, pernambucano cuja cor branca engana, mas os olhos e feições não escondem a descendência indígena.

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Manoel Capote

Não é qualquer um que pode usar o apelido de Capote no sobrenome. Em algumas cidades do sertão, a palavra significa bicho danado, valentão. Seu Manoel, 86 anos, morador do povoado de Utinga, em Xique-Xique, ganhou o direito de usar o Capote por causa do avô, homem valente que, segundo ele, tentava resolver problemas na conversa, mas quando não conseguia, tomava outra providência:

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Nordeste: ausências e permanências

O primeiro contato de Meus Sertões com o professor e fotógrafo Marcelo Eduardo Leite foi durante uma pesquisa para encontrar fotos que pudessem ilustrar um artigo sobre beatismo da professora Enaura Quixabeira, no site. Marcelo foi gentil e cedeu duas de suas muitas fotos sobre Juazeiro do Norte. Não precisou de muito esforço para perceber que seu olhar sobre as questões relacionadas com o Nordeste  era diferenciado.

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