Categoria: Outros Sertões

A tradução da seca

DA LITERATURA AO CINEMA, O SERTÃO E O SERTANEJO EM VIDAS SECAS

Clarissa Damasceno Melo [1]

Resumo: Este artigo propõe, considerando tanto a prosa da Geração de 30, quanto o movimento Cinema Novo, traçar a forma com que sertão e sertanejo foram representados em Vidas Secas; primeiro por Graciliano Ramos e depois por Nelson Pereira dos Santos em adaptação para o cinema; quando a literatura sobre a seca se transforma em fotografia da fome. Para tal, faremos a conexão entre complexidades sociais vividas no sertão brasileiro e a produção artística que se propôs a denunciar, esteticamente, tais complexos e contradições. Partiremos da ideia de que, fotografando a literatura regionalista da década de 1930, Nelson Pereira dos Santos consegue denunciar a condição de subdesenvolvimento encarada no país em fins dos anos 1950 e início da icônica década seguinte, concluindo que a condição de sofrimento cíclico em decorrência dos períodos de estiagem, imposto pelo sertão e sugerido por Graciliano, se confirma a cada novo ciclo de secas e que estas, apesar de serem atualmente enfrentadas com melhorias pontuais no estilo de vida do povo sertanejo, continua a atingi-lo de forma a traduzir ainda um problema historicamente negligenciado.

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A missão de Joabes

Joabes R. Casaldáliga é fotógrafo e comunicador popular. Trabalha há dois anos no Centro de Convivência e Desenvolvimento Agroecológico do Sudoeste da Bahia (Cedasb), organização não governamental que integra a Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA). A ONGO fot atua em 22 municípios, desenvolvendo ações para fazer com que as famílias camponesas convivam dignamente no semiárido. Um dos projetos prioritários da Cedasb é a captação de água de chuva por meio da construção de cisternas, barreiros e barragens subterrâneas. …Ler mais.

Romaria pela terra e pelas águas

As oleiras da ilha

Não foi fácil chegar à oficina de cerâmica em que Dona Adilma divide o espaço de trabalho com outras moradoras do lugarejo. Primeiro, contratar o barco do alegre Seu Reginaldo. Depois, fazer o percurso pelo Rio São Francisco, do cais de Xique-Xique (BA) até a Ilha de Passagem. Leva-se uma hora e meia na pequena embarcação a motor, seguido de caminhada de um quilômetro e meio da margem do rio até a vila.

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Dora, a doceira

Geralmente Dora começava uma conversa com um HUMMMM! A doceira mais famosa do município de Rodelas não costumava ter papa na língua. Em algumas situações emitia suas opiniões, sem cerimônias e não se importava se desagradasse o cliente. Nesse aspecto, passava do ponto. Geralmente todos riam do rela que quase sempre caía no anedotário da cidade. Foi uma das personagens amadas do “Rudela”, e seus doces ficaram para sempre na memória afetiva de quem os degustou. As docerias caseiras na cidade morreram com ela. …Ler mais.