Categoria: Entrevistas

‘A seca não é castigo de Deus’

Padre José Alberto Barbosa Gonçalves está na paróquia de Canudos há quatro anos. Depois de se formar em teologia e filosofia no seminário em João Pessoa, foi padre em Glória, cidade atingida pelas barragens de Moxotó e Itaparica, e na periferia de Paulo Afonso. Nascido em Uauá, conhece muito bem a região em que atua. O religioso lembra que no passado, nos períodos de seca, muita gente morria, e atribui a mudança desta realidade aos programas de convivência com a seca, implantados por ONGs, sindicatos e entidades civis, com o apoio de governos anteriores ao de Michel Temer. Daqui para frente diz não sabe o que acontecerá, pois vê o Estado com atuação meramente arrecadadora.

“A proposta de Antônio Conselheiro nos compromete a um modelo de sociedade a qual os pobres não devem somente ser assistidos. Os pobres devem ser protagonistas.  Quando se tornam protagonistas aprendem a conviver com a seca, não dependem do carro-pipa ou da bolsa-estiagem”.

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Fazenda Riacho Fechado

A família do criador Josimar Alves da Silva, o Mazinho, 45 anos, tem duas fazendas. Uma na comunidade Riacho Fechado e outra no povoado de Xique-Xique, ambas em Macururé. Nas propriedades estão os rebanhos dele, dos irmãos e do pai, que dá a última palavra sobre o que fazer com os animais. Mazinho frequentou encontros com entidades que ensinam os proprietários rurais a conviver com a caatinga. Aprendeu muito, mas o pai, aos 81 anos, recusa novidades. …Ler mais.

Imagens severinas

O rosto curtido do sol, as rugas bem marcadas, o olhar arisco. O boné com aba virada para trás é sua marca registrada. Olhando assim, no meio do sol carioca, Severino Silva parece um boiadeiro nordestino na cidade grande. A fala é mansa, baixinha, e a voz só se eleva para falar “das coisas boas de lá”. “Lá” é o Nordeste, o sertão, onde se sente mais à vontade, onde pode voltar a ser criança e brincar com a luz da lua perto de casas de pau a pique ou com a penumbra iluminada na chama de um toco de vela na mão de um romeiro em uma procissão. O Nordeste de Severino é grande, muito além de Pirpirituba, no interior da Paraíba, onde nasceu e de onde saiu ainda menino. É pelas estradas que ele segue para as pequenas cidades e chega de qualquer jeito: pode ser de ônibus, de carona ou a pé. Na inseparável mochila, disputam espaço as duas câmeras, as lentes, uma rede de selva e um saco de dormir. Às vezes, as roupas não conseguem ganhar nem um cantinho, ele confessa em meio a um sorriso.  E diz que pede pouso em qualquer lugar para poder amarrar sua rede em árvores ou se abancar em um canto de alpendre.

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