Autor: Tania Alves

A botija encantada

Achou estranho aquele sonho. O dono da terra onde morava havia aparecido quando o dia já estava amanhecendo. Estava vestido de branco e indicava: no canto esquerdo da camarinha onde ele dormia antes de partir, havia enterrado uma panela de ferro com moedas de ouro e prata para escondê-las da família. Queria ter um dinheiro garantido para as precisões, mas não houve tempo de usá-las. Por isso, estava a vagar pelo mundo das almas. Agora havia recebido permissão para indicar o lugar certo da botija, que estava no casarão abandonado na beira da estrada. O escolhido fora ele. E só ele poderia desenterrar o tesouro. Ficou o dia a pensar sobre aquilo, mas não deu muita atenção. Botija, para ele, era como uma lenda, que ouvira do avô em conversas no alpendre de casa. …Ler mais.

A alma do sertão

Escrever sobre o Sertão é entrar num mundo particular de boas lembranças. Me lembra cadeiras na calçada para reunir amigos, no final de tarde e de lá enxergar o sol se pondo na serra ou a chuva que se formava embalada pelos relâmpagos no serrote que se avistava. A calçada me faz recordar meu pai sentado na cadeira de balanço falando alto com um ou outro que passava por ali. …Ler mais.