Autor: Paulo Oliveira

Um álbum para Carmelita

A antiga fazenda do coronel João Sá, poderoso político e coiteiro de cangaceiros que por muitos anos mandou e desmandou em Jeremoabo, hoje faz parte do bairro de Nossa Senhora de Brotas, a pouco mais de um quilômetro do Centro. Diante da mansão do coronel, com duas casas impedindo a visão do que já foi um imenso canavial, um menino toca violão, observado por Samuel, pernambucano cuja cor branca engana, mas os olhos e feições não escondem a descendência indígena.

…Ler mais.

Nordeste: ausências e permanências

O primeiro contato de Meus Sertões com o professor e fotógrafo Marcelo Eduardo Leite foi durante uma pesquisa para encontrar fotos que pudessem ilustrar um artigo sobre beatismo da professora Enaura Quixabeira, no site. Marcelo foi gentil e cedeu duas de suas muitas fotos sobre Juazeiro do Norte. Não precisou de muito esforço para perceber que seu olhar sobre as questões relacionadas com o Nordeste  era diferenciado.

…Ler mais.

O enigma da tatuagem

É hora da merenda na escola municipal da comunidade quilombola da Baixa do Quelé, em Jeremoabo, quando João Farias Filho passa com uma garrafa plástica com um líquido escurecido numa das mãos e um saco na outra. No braço, ele traz uma tatuagem enigmática: “SIAMUSA”. João causa um alvoroço entre a criançada que merenda debaixo do cajueiro, na área central da localidade. Um dos meninos pergunta o que ele carrega na garrafa. A resposta está na ponta da língua: “dipirona”, substância farmacológica usada para dor e febre. A criançada ri porque a fama de alcoólatra precede João. Não sabe que junto à bebida está misturada casca de pindaíba, indicada para dores no estômago e nos rins, dentre outras propriedades medicinais. A resposta, a princípio irônica, faz algum sentido.

…Ler mais.

Patrimônio ameaçado

A Fazenda Nossa Senhora de Brotas, que pertenceu ao poderoso coronel João Gonçalves de Sá e abriga a capela em homenagem à santa e a antiga mansão do mais conhecido chefe político de Jeremoabo, tem destino incerto. Desde que foi comprada pelos empresários Marco Dantas, Deri e Beto do Caju não se sabe o que será feito com este patrimônio histórico.

…Ler mais.

No tempo dos coronéis

A Fazenda Nossa Senhora de Brotas foi vendida para três empresários de Jeremoabo, que ainda não decidiram o destino final da mansão e da capela de Nossa Senhora de Brotas. Eles estão construindo imóveis para por à venda na área em que existia um engenho e um canavial. No tempo dos coronéis, a construção ao lado da mansão era usada pelos escravos que serviam à casa grande. Hoje, parte da imponente moradia está em ruínas e suas portas e janelas estão trancadas. Na igrejinha, ao lado, só há lixo no interior.

A história da fazenda

…Ler mais.

Padre Cícero e o senhor Ogum

A distância entre o Terreiro de Ogum, na Baixa da Lagoa, comunidade quilombola, e o centro de Jeremoabo (BA) é de 26 quilômetros por estrada de terra ou uma hora e dez minutos “de relógio”, como dizem os baianos. No caminho se avistam araras azuis. Ali, a caatinga é tão verde que muitos moradores acreditam estar diante da Mata Atlântica em pleno sertão.

…Ler mais.

Sementes de esperança

Entre 2000 e 2010, 383.472 pessoas migraram do interior baiano para as grandes cidades. Jovens, entre 16 e 29 anos, corresponderam a 47% dos migrantes. O fenômeno de envelhecimento dos trabalhadores rurais da Bahia preocupa as autoridades, ainda mais que o estado tem a maior população de pequenos agricultores do país – cerca de 4 milhões. …Ler mais.