Autor: Paulo Oliveira

Jornalista, 59 anos, traz no sangue a mistura de carioca com português. Em 1998, após trabalhar em alguns dos principais jornais, assessorias e sites do país, foi para o Ceará e descobriu um novo mundo. Há dez anos trabalha na Bahia, mas suas andanças não param. Formou comunicadores populares nas favelas do Rio e treinou jornalistas em Moçambique, na África. Conhece 14 países e quase todos os estados brasileiros. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.

Bonfim terá almanaque de

São João

“Açoita Pindobaçu/ Pindobaçu de Aracaju/
Açoita Pindobaçu/ Pindobaçu de Aracaju/
Só não quero que me chame/ De canela de arubu”

Sinhá e dona Zefa Piston cantavam essa roda
nas festas de São João, em Senhor do Bonfim.

No início do século 20, o São João deixou de ser uma festa religiosa e passou a ser um evento popular, nascido nos bairros e guetos de Senhor do Bonfim, município localizado na região centro-norte da Bahia, a 375 quilômetros da capital (Salvador). As lavadeiras e passadeiras de roupas lideravam as rodas do Pernambuquinho, rua que ganhou status de bairro; da Gamboa, bairro dos ferroviários; da Bandeira, reduto da boêmia; dentre outros.

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Terra cobiçada

Manoel Cardoso dos Passos, que passou dos 80 anos faz tempo, carrega consigo desconfiança e medo. Um dos moradores mais antigos da comunidade quilombola Baixa dos Quelés, em Jeremoabo (BA), lembra de ter perdido grande parte de sua propriedade para um latifundiário. O descrédito fica por conta dos governantes que, segundo ele, privilegiam os mais ricos. O pavor é de ficar sem nada, pois até hoje o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não demarcou a área, o que permite contestações de supostos proprietários.

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Fábrica de mel quilombola pode ser desativada

O município de Jeremoabo é o segundo maior produtor de mel da Bahia. Dados de 2019, disponíveis pelo IBGE, mostram que o município comercializou 474 toneladas do produto e arrecadou R$ 2,8 milhões. Só os 46 abelheiros ligados à Associação dos Agricultores e Familiares Remanescentes de Quilombolas das comunidades Baixa da Lagoa, Olhos D’Água e Quelés produziram 9,5 toneladas, no ano passado. A criação de abelhas é hoje a principal atividade econômica dessas localidades.

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Audiolivro sobre o povo Tuxá

Catarina Maria, Estelita, Tereza Eduardo são anciãs da etnia Tuxá. Ela e outros idosos da Aldeia Kiniopará dão depoimentos sobre a infância, o alagamento de Rodelas e as dificuldades que enfrentaram na mudança para Ibotirama, no oeste baiano, incluindo a separação de suas famílias. Essas histórias, poemas e músicas fazem parte do audiolivro “Tuxá Kiniopará: um presente do passado para o futuro”, que acaba de ser lançado. A obra está disponível no You Tube e no Spotify. …Ler mais.

Um passeio pela Baixa dos Quelés

As viagens feitas por Meus Sertões para apuração de reportagens são chamadas de expedições. No início, duravam entre quatro e sete dias. Posteriormente, passaram a ter até duas semanas de duração. A ida a Jeremoabo foi a terceira expedição, realizada em outubro de 2016. Pisávamos pela primeira vez em um quilombo sertanejo. Embora focado na Baixa dos Quelés, ele é formado por outras comunidades: Baixa da Lagoa e Olho d´ Água, reconhecidas em conjunto pela Fundação Palmares, e Carobinha, surgida posteriormente.

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Beatriz Tuxá – Universos diversos

“Não sou tua indiazinha
Nem tua Iracema
Não sou tua Pocahontas
Nenhuma das tuas lendas
Sou filha dessa terra
Pronta pra retomada
Se ficar de papo torto
Vai tomar uma flechada”

Essa rua é minha – Kaê Guajajara

À beira do gramado da Arena Fonte Nova, Ana Beatriz Santos Padilha, 25 anos, anima a torcida do Esporte Clube Bahia. Desde 2018 até a pandemia de covid 19 interromper as atividades do grupo, ela participou dos jogos na Arena Fonte Nova e Pituaçu. Apaixonada pelo clube desde que cruzou os 655 quilômetros de estrada que separam a terra natal, Ibotirama – palavra que na língua tupi significa “flor promissora” – e Salvador para estudar produção cultural/comunicação, na Universidade Federal da Bahia (Ufba), Ana foi eleita a Voz do Esquadrão, quatro anos depois.

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Uma experiência fascinante: “Umburana e Duas Passagens” – capítulo VI

Essa é uma história comprida, dessas que nossas avós contavam quando mal anoitecia e a criançada sentava em torno dela na varanda. Quem pensa que esse caso se passou há muito tempo se engana, pois em Duas Passagens, na Chapada Diamantina, a energia elétrica só chegou depois dos anos 2000. O que vou narrar agora tem a ver com uma menina sertaneja que enfrentou muitos desafios para atingir seu objetivo.  Vai ter muitas idas e vindas antes de chegar ao final. Preste atenção!

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Calumbi: o podcast de Senhor do Bonfim

Nascido, criado, benzido e batizado em Senhor do Bonfim (BA), Airton da Silva Almeida decidiu deixar a cidade em 2010 para trabalhar na construção de estradas pelo Brasil. No sábado passado (6/2), 11 anos depois da partida, ele estava em Ituiutaba (MG), a 1.600 quilômetros de Bonfim, quando ouviu tocar a música que marcou sua infância e adolescência, no recém-lançado podcast Calumbi:

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