Autor: Paulo Oliveira

Pita Paiva, o mestre da xilogravura

Sábado era um dia especial para o pequeno Lindomar, penúltimo dos 12 filhos do professor leigo e político Sinobelino Sancho Paiva e de dona Elizabete. Pita, apelido que ganhou por se parecer com o primo Epitácio, não via a hora do pai chegar da feira para saborear duas coisas: o pão doce e os romances, como eram chamados os livretos de cordel na comunidade Laranjeiras, em Uibaí (BA) e pelo sertão afora.

…Ler mais.

Bahia no alto do ranking de conflitos por terra e por água

A 35º edição do relatório que contabiliza dados sobre conflitos e violência sofridas pelos trabalhadores do campo, indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais revele que o número de ocorrências (2.054) cresceu 8% em 2020. No ano anterior foram 1.903. A quantidade de conflitos é a maior desde 1985, quando a Comissão Pastoral da Terra (CPT) começou a divulgar as estatísticas.

…Ler mais.

Um novo centro cultural

Novo espaço cultural de Jeremoabo (BA) será inaugurado na próxima semana. Ele funcionará no antigo casarão do “coronel” Jesuíno Martins de Sá, no centro da cidade, antiga sede da secretaria de Educação, Cultura, Esportes e Turismo.

Sede da secretaria de educação de Jeremoabo foi transformada em novo centro cultural da cidade. Foto: Paulo Oliveira
Sede da secretaria de educação virou centro cultural de Jeremoabo. Foto: Paulo Oliveira
Antiga secretaria de Educação funcionava no ex-casarão do 'coronel' Jesuíno Sá. Foto: Flávio Passos
A fachada do novo espaço dedicado à cultura jeremoabense. Foto: Flávio Passos

…Ler mais.

45 versões para a oração ‘Pai Nosso Pequenino’

Três meses depois do lançamento do sítio Meus Sertões, em 2016, a médica e pesquisadora de cultura popular Helenita Monte de Hollanda nos enviou um vídeo sobre uma oração poderosa, invocada para a proteção dos sertanejos. Nele, dona Maria Belo, de Mucugê (BA), nos ensinava como rezar o “Pai Nosso Pequenininho”, também chamada de “Pai Nosso Pequenino”.

Pesquisa feita por Meus Sertões apurou que a oração tinha outras versões e que sua origem provável é Portugal. Na internet, descobrimos ainda que a oração também foi adotada por adeptos de religiões afro-brasileiras com o propósito de curar e proteger as crianças e os adeptos do candomblé e da umbanda. Também era atribuído à prece o poder de ficar “invisível ao mal” diante de uma situação de perigo.

Nos quase cinco anos de história de Meus Sertões, que serão completados no dia 27 de setembro, o “Pai Nosso Pequenino”, título da reportagem, se transformou no texto mais lido de nossa página e com o maior número de comentários (86) e 45 diferentes versões para a reza.

A mensagem mais recente nos foi enviada há uma semana por Caroline Montenegro. Ela nos conta que ao ler a reportagem recordou dos tempos de menina:

“Relembrei a minha infância quando ia para o interior dos meus avós, portas trancadas, lamparinas acesas e nós crianças com os ouvidos aguçados com o latido dos cachorros e preocupados com as pisadas do lobisomem que poderia passar correndo nas estradas na lua cheia. Então meu avô nos ensinou essa oração de proteção e rezávamos todas as noites” – relata.

Em seguida, mostra como aprendeu o “Pai Nosso Pequenino”

“Padre nosso pequenino tem a chave do paraíso/ Quem me deu?, Quem me daria?/ Foi a Virgem Maria/ Foge fonte, foge monte/ E que o demônio não me encontre/ Nem de noite, nem de dia/ Nem um pingo do meio-dia/ Nossa senhora me alumei/ Santo Antônio dai-me o guia/ Amém!”

Assim como Caroline, muitos outros seguidores nos enviaram suas versões e homenagearam seus pais, avós e bisavós, responsáveis por tão importante ensinamento.

A paranaense Sonia Alves, de Cruzeiro do Oeste, foi uma delas:

“A minha querida avó já falecida era da região de Londrina e criada por italianos. Ela me ensinou assim e sempre vou para o trabalho rezando essa oração:  Pai Nosso pequenininho/ Deus me ponha em bom caminho/ Jesus é meu padrinho que me pôs a cruz na testa/ Sete anjos me acompanham/ Sete velas me iluminam/ O diabo não me atenta/ Nem de dia e nem de noite/ E nem na hora dos séculos, amém.”

Luiz Solis e Vera Gonzaga homenagearam, respectivamente, a bisavó cearense Antônia Ferreira Coelho, da cidade de Novo Horizonte, e a “querida avó (in memoriam) que se chamava Pastora”.

Os ensinamentos feitos com carinho são levados pela vida toda, como nos mostra Maria do Socorro Lacerda da Cunha:

“Ainda pequena aprendi a oração com minha mãe cearense e rezo até hoje, todos os dias ao deitar. Eu tenho 61 anos e minha mamãe, 94.”

Já Tatiana Jatobá comprova o misticismo de nossa gente. No caso dela, a avó indígena, católica, rezadeira e detentora de uma “mediunidade incrível” revelou que um dia recebeu a presença de alguém que se apresentou como o anjo Natanael. Foi ele quem pediu a ela para que aprendesse a oração e ensinasse para todos se protegerem de qualquer mal. Em seguida, o anjo passou a ditar com voz suave para que ela anotasse:

“Pai Nosso Pequenino/ Deus me guie em um bom caminho/ Sete anjos me acompanhem/ Sete estrelas me alumiem/ Foi Deus quem me fez a cruz na testa/ Para o cão não me atentar/ Nem de noite, nem de dia/ Nem ao pino no meio dia, nem na hora de deitar/ As contas do meu rosário são balas de atirar/ Com elas combato o inferno rezando 3 Ave Maria (em seguida rezar Ave Maria 3 vezes).”

Nós, da equipe Meus Sertões, ficamos felizes quando conseguimos fazer com que nossos seguidores se emocionem, viajem de volta à infância e dividam conosco suas histórias.

Para ler a matéria original, as versões da prece e os comentários de nossos seguidores clique aqui 

 

 

 

 

 

 

Os vídeos de Jeremoabo

Jeremoabo é uma cidade com cerca de 400 anos de história. No século XVII, Garcia D’Ávila, o senhor da Casa da Torre, capturou nativos para escravizá-los durante o processo de desbravamento do Nordeste e de expansão da criação de gado bovino. Dono da maior sesmaria do mundo, o administrador colonial português teve divergências com os missionários que se opuseram à escravização dos indígenas muongurus e cariacás, descendentes dos Tupinambás. Em represália, D’Ávila incendiou o aldeamento dos jesuítas.

…Ler mais.

Aventuras de um colecionador
de moedas sociais

O comerciante Paulo José Farias de Barros, 50 anos, percorreu de motocicleta os 728 quilômetros que separam Salvador (BA) de Juazeiro do Norte (CE) para conhecer o Banco Comunitário Timbaúbas e comprar cédulas de Timba, nome dado a uma das muitas moedas sociais criadas para fortalecer economicamente territórios vulneráveis de todo o país. Ao chegar, viu que o estabelecimento estava desativado.

…Ler mais.

Mestre Nena

Para moldar uma pinha esmaltada grande, uma das peças decorativas mais vendidas no Centro de Artesanato Arquiteto Wilson Campos Júnior, em Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco, o artesão Severino Antônio de Lima, 57 anos, leva duas horas. A produção diária é de até quatro unidades por dia. No entanto, a pinha só ficará pronta para a venda após 15 dias de secagem, 12 horas no “forno de biscoito”, onde é aquecida a 1000 graus centígrados para adquirir durabilidade e impermeabilidade ao ser, e três dias no forno de esmalte para fixar a cor.

…Ler mais.

Dicionário de afetos

Capa do Dicionário de afetos e parcerias de Ana Barroso versão BárbaraFicha técnica:

Autor: Paulo Oliveira
Pesquisa: Paulo Oliveira
Fotos: Divulgação e outros
Edição: Paulo Oliveira
Total de páginas: 16

 

 

 

Clique aqui para fazer download

 

Resumo: A cantora e atriz Ana Barroso, em entrevista ao site Meus Sertões, revelou quais foram os artistas que influenciaram sua carreira na música e nos palcos. Além disso, fez um apanhado de artistas com quem fez parcerias e gravou o primeiro álbum. O dicionário mostra como a cena artística de Vitória da Conquista, terra natal de Ana, é repleta de talentos. Revela ainda músicos baianos, de outros estados e até do exterior com quem trabalha recentemente. O cenário teatral também é descortinado. Os verbetes incluem os afetos que Ana distribui para pessoas próximas.

DOAÇÕES

O livro é gratuito. No entanto, quem quiser ajudar na manutenção e na sustentabilidade do projeto pode depositar qualquer valor na seguinte conta bancária:

Banco Bradesco
Agência: 026
Conta: 232179-3
Titular: Paulo Oliveira
CPF: 772.528.377-34