Autor: Helenita Monte de Hollanda

Nasceu e cresceu numa típica família brasileira. Potiguar, morando na Bahia há vinte anos, é médica de formação e pesquisadora da cultura popular. Nos últimos 10 anos abandonou a sua especialidade em cardiologia e ultrassonografia vascular para atuar como médica da família na Bahia e no Rio Grande do Norte, onde passou a recolher histórias e saberes. Nessa jornada publicou cinco livros.”. No final de 2015 passou temporada no Amazonas recolhendo saberes indígenas.

Contraveneno

Usado por algumas benzedeiras em seus processos de cura, o cuspe é milenarmente conhecido. Afinal foi com saliva que, segundo o Evangelho de Marcos, Jesus curou um cego de nascença. A cultura popular e a medicina rústica se arvoram em curas e benzimentos, e é antiquíssima a fórmula que reza: “Jesus, Maria e José, cuspe em jejum mezinha é!”

Os curadores de cobra são conhecidos por todo o Brasil. Costumam, como Seu Zé Galego, serem identificados na tenra infância ao serem provados na própria carne escapando ilesos dos mais bravos venenos.

Foi assim com o nosso amigo entrevistado – a partir daí a sua própria saliva ganhou valor positivo e passou a salvar animais das peçonhas malditas que inexoravelmente os levaria a morte.

Hoje, aos 78 anos, sem nunca ter recebido dinheiro pelos seus inúmeros salvamentos, vive em paz em sua roça em companhia da cadelinha que é a luz da sua vida, com o coração tranquilo por só fazer o bem sem amealhar nisso caraminguás que lhe favoreça riqueza.

Nota da redação: Meus Sertões adverte que a cura para o veneno de cobras e de escorpiões só é cientificamente comprovada após o uso de soros antiofídicos e antiescorpiônicos. Em caso de picadas, leve a vítima imediatamente para um hospital.

Pagando pecados

A culpa nos colocou na terra e nos fechou as portas do paraiso. A vida eterna é certeza dos cristão que partem deste mundo em conciliação com Deus, quite com a sua história.

Mas há o purgatório! Esta grande “invenção” medieval que nos coloca em compasso de espera a arder em fogo e pagar por erros ainda passíveis de perdão e que abriga almas desconsoladas capazes de salvação.

No dizer da nossa amiga, ainda se pode cumprir na terra o que ficou a dever, sem se livrar do fogo que castiga.

Na narrativa de Dona Zifa a doutrina é recheada de fantasias e espantos, uma “exempla” a querer ensinar que “aqui se faz e aqui se paga”, mesmo depois de morto.

De Caldas do Jorro, município de Tucano, em visitas cheias de assuntos em sua varanda, Dona Zifa conta histórias incríveis com seu falar de mulher experiente, sabida das coisas. Vejamos o que nos revelou a amiga do sertao baiano, a ensinar para o mundo os pesares de um cidadão que enganou uma moça e teve que pagar mesmo depois de morto em trânsito curioso entre a terra e o purgatório.

 

Irmão das almas

Cícero Lázaro Gonçalves Moreira, um assinante do canal de apenas 24 anos, muito nos ensinou e será o protagonista do programa de hoje. Vocacionado desde a infância, era um menino observador a aprender as “incelenças”, benditos e benzeduras, desde o tempo da sua bisavó, Índia pega em dente de cachorro lá pelo Ceará, que muito lhe ensinou é tanto silenciou sentenciado “nem tudo que se sabe se ensina!”

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Jovem rezador

Uma das grandes alegrias que este programa me deu foi poder trazer para o canal um rezador jovem de apenas 26 anos, pernambucano do Município de Dormentes que dá continuidade às tradições a ele passadas pelo seu padrinho, João, rezador afamado, que desde a sua infância notou-lhe a vocação ao serviço do outro e o ensinou a promover curas pelo poder de benzimentos.

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