A fantástica fábrica de animais pré-históricos

Anílson e o Santanaraptor. Reprodução

Em 1994, aos 17 anos, Anílson Borges dos Santos teve a ideia de fazer uma escultura de dinossauro como trabalho escolar. Ele adorava o tema e resolveu fazer uma peça, utilizando uma mistura de farinha de trigo com cola branca e uma pequena estrutura de arame. A massa não ficou boa e o animal tombou. Sem tempo para fazer outra, o adolescente apresentou o bicho como se ele estivesse morto.

Essa é a pré-história de um empreendimento improvável, que está mudando o potencial econômico da pequena Santa Inês, cidade de 10.583 habitantes encravada no sertão baiano e cujo período áureo foi sustentado por lavouras de café. A fantástica fábrica de dinossauros de Anílson produz esculturas de até 18 metros de comprimento por oito de altura para museus, parques temáticos, produtores de filmes e pesquisadores de outros estados. Além disso, amplia as divisas e as fronteiras do município para outros estados e continentes.

Voltemos ao primórdio da iniciativa. Em 1995, na casa de um primo em Salvador (BA), o estudante assistiu ao filme Jurassic Park (Parque dos Dinossauros), dirigido por Steven Spielberg e lançado dois anos antes. O longa-metragem, aclamado como um marco na indústria de efeitos especiais, foi produzido pela Stan Winston Studios – guardem esse nome – e pela Industrial Lighth & Magic. Fascinado pelo Tiranossauro Rex da película, Anílson decidiu fazer dinossauros, a princípio como hobby. O primeiro T-Rex tinha 40 centimetros de altura.

Para comprar massa epóxi, cola e outros materiais, o rapaz passou a vender desenhos, maquetes e camisetas pintadas que ele mesmo produzia. Sem ninguém para ensiná-lo, se aperfeiçoava com a prática. Nessa época, entupia a estante da sala da casa dos tios, onde morava, com os seus primeiros dinossauros.

“Eu via que minha tia não gostava. Achava as esculturas feias. Creio que a reação dela me incentivou a continuar” – conta.

Quando passou no concurso da prefeitura e assumiu a função de alimentar o sistema do Ministério da Saúde (SUS) com informações locais, Anílson ainda não pensava em se profissionalizar como paleoescultor. Pelo contrário, queria estudar biologia, curso que não existia na região. A segunda opção foi história. Mesmo com todas essas atividades, o lado artístico não foi abandonado.

Mas qual é a diferença entre escultura e paleoescultura? O próprio Anílson explica:

“As esculturas são baseadas em filmes, sem muito a ver com a realidade. A paleoarte é norteada pela ciência e pela precisão. É feita após pesquisa minuciosa e contatos com paleontólogos”.

No ano 2000, quando construía peças de dois metros de altura, baseado em dados científicos e no exemplo de artistas brasileiros, como o pioneiro Maurílio de Oliveira, Anílson Borges resolveu investir em exposições. Acreditava que conseguiria prestígio e uma renda maior que o salário mínimo ganho como servidor público, vendendo as peças após os eventos. Se o início foi promissor, o resultado ficou longe do esperado.

Com a ajuda do colega Genival Alves, que trabalhava na recepção da secretaria municipal de saúde, o jovem artista começou a procurar um lugar para apresentar os animais pré-históricos. O primeiro local a ser procurado foi o Shopping Iguatemi (hoje Shopping Salvador), na capital baiana.

“A gente não sabia se seria aceito. Tínhamos poucas esculturas, mas telefonamos mesmo assim. Eles pediram que apresentássemos a proposta pessoalmente. Nós fomos de ônibus, com duas esculturas debaixo do braço” – recorda.

A exposição foi aprovada e marcada para dali a sete meses. Anílson e Genival pediram empréstimos bancários de R$ 1.500, cada. Os médicos e funcionários da secretaria de saúde também fizeram uma “vaquinha” para ajudá-los. O dinheiro foi usado na confecção de 13 esculturas, duas em tamanho real (Velociraptor, carnívoro bípede, com cauda longa e garra em forma de foice, e o Protoceratops, herbívoro quadrúpede que viveu na Ásia) e na manutenção da dupla, por 10 dias, em Salvador.

A verossimilhança dos animais era tanta que a direção do shopping vetou o Dilophosaurus, lagarto carnívoro de duas cristas, com a alegação de que ele poderia assustar as crianças, o que acontecia no filme. Endividados, sem vender uma única peça, mas felizes, Anílson e Genival decidiram continuar no ramo.

A segunda experiência, no shopping da mesma rede, em Feira de Santana, aconteceu dois anos depois. A dupla incluiu mais quatro esculturas. Muitos elogios e nenhum ganho financeiro. O sonho de um terceiro evento se extinguiu. A produção voltou a ser feita por hobby.

“Esperamos meses por uma encomenda que nunca chegava. Foi uma grande decepção. Parei por um tempo. O Genival, definitivamente” – diz o paleoartista.

Os primeiros pedidos surgiram em 2008. Uma maranhense viu as peças de Anílson Borges no Orkut e encomendou uma para o marido. Pela primeira vez, o artista pensou em vender suas obras. Ainda que lentamente, outros pedidos aconteceram. A escritora Nelma Penteado solicitou um crânio de tiranossauro para presentear o filho Arthur, que fazia apresentações sobre animais pré-históricos. O garoto tinha oito anos.

Nessa época, veio a primeira grande encomenda: um T-Rex de 1,5 metro de altura por 3,5 metros de comprimento para a fábrica de calçados Vissi, em Minas Gerais. A empresa fabrica uma linha de tênis com desenhos de dinossauros.

As peças feitas na adolescência permaneciam na estante da casa dos tios quando ele começou a focar em trabalhos particulares e improvisar para superar a falta de espaço – algo que ocorre até hoje -, na improvisada oficina residencial.

A primeira das duas entrevistas de Meus Sertões com Anílson foi realizada no galpão da avenida Itabuna, no centro de Santa Inês. Ficava em um prédio antigo, com problemas estruturais. Era o possível no contexto de uma cidade com raros galpões e de um locador intransigente, que não autorizou a pintura da marca Criando Dinossauros na fachada.

O DINOVALE E AS PALEOESCULTURAS

 

Em 2011, último ano de mandato do prefeito Romildo Alcântara de Andrade, a primeira-dama Ângelo Castelo Branco procurou o escultor e fez algumas perguntas. Em reunião realizada dias depois, revelou que pretendia instalar dois dinossauros na praça Cláudio Hegger, no centro. Meses depois, o primo brasileiro do Tiranossauro, o Pycnonemosaurus, lagarto de mata densa que habitou a região do Mato Grosso, e um réptil voador ocuparam o espaço.

Passados cinco anos, o professor Hermeson Novaes Eloi decidiu ser candidato a chefe do Executivo municipal. Ele chamou Anílson e contou os planos de transformar Santa Inês em uma cidade turística, caso fosse eleito. O escultor, à época, produzia as réplicas de animais pré-históricos nas horas vagas, finais de semana e feriados.

Eleito, Hermeson iniciou o Dinovale, complexo que reúne esculturas ao ar livre em diferentes pontos da cidade e um museu de paleontologia. Todos os veículos da prefeitura, incluindo os ônibus escolares e os caminhões de coleta de lixo, foram adesivados com imagens de dinossauros e a logomarca do projeto.

Anílson aceitou a empreitada. A prefeitura forneceu o material e cedeu ajudantes, além de pagar um valor fixo mensal por 23 esculturas. Dezesseis delas estão instaladas. As outras sete farão parte do acervo museal, cuja conclusão está prevista para março de 2023.

A proposta do paleoescultor era representar apenas animais pré-históricos brasileiros, mas por influência do Jurassic Park foi voto vencido:

“Apesar de todos serem dinossauros, eu não queria misturar muito porque eles viveram em épocas diferentes. O filme faz isso, mas a gente…” – lamenta.

Até ser recrutado para tocar o projeto, Anílson fez esculturas sozinho, assinando como autônomo. Foi assim com o Mirisquia (o nome significa dinossauro dos “belos quadris”) para o museu da Universidade Federal de Pernambuco e cinco Alossauros (um dos maiores animais carnívoros do período jurássico) para outro cliente.

Essas experiências o fizeram constatar que precisava de uma equipe fixa para atender as encomendas particulares. Esbarrava, porém, na falta de mão de obra qualificada. O primeiro a chegar foi o soldador Ronaldo Santos de Jesus, 29 anos. A missão dele era ajudar o artista a produzir as esculturas encomendadas para o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri (CE). No passado, os dois tinham feito uma cauda de cachalote e um peixe-boi para a ONG cearense Aquasis.

Os três servidores designados como auxiliares do projeto Dinovale foram Emerson Barbosa da Silva, Sílvio e David. Posteriormente, o segundo foi substituído por Daniel Franklin. Nessa época, Anílson ainda teve de construir dinossauros em casa. Foi assim com o filhote de Maxakalisaurus, herbívoro que habitou a Terra há 80 milhões de anos, e as demais crias de dinossauros.

Foram três anos de aperto, até que depois dos Baurusuchus (crocodilos terrestres), a prefeitura deslocou o artista para a sede do Clube Cultural, onde ele fez a maior obra de sua vida até então: o Camarasaurus, gigantesco herbívoro quadrúpede, de 18 metros de comprimento por 8 metros de altura, que existiu há 145 milhões de anos.

A peça esculpida em diversos pedaços de isopor tinha acabado de receber a aplicação de fibra de vidro, quando a prefeitura solicitou que fosse montada na rua durante a festa da padroeira, em janeiro. Após a montagem, não havia como desfazê-la. A solução foi pedir a carreta de um parque de diversões para levar a réplica do animal à entrada da cidade, onde o cenário principal seria concluído.

“Trabalhamos três meses sob vento, calor e, às vezes chuva, o que influenciava na preparação porque a resina e o catalisador são sensíveis. Se chove, não seca; com sol, a secagem é muito rápido” – revela o escultor.

O projeto da instituição ligada à Universidade Regional do Cariri (URCA) surgiu durante um período de festas. Nenhum dos ajudantes quis participar. Foi aí que Emerson apareceu no Ceará para ajudar o amigo. A equipe fixa começou a ganhar forma. David colaborava esporadicamente, mas acabou deixando o grupo.

Durante a pandemia, o escultor e Ronaldo foram os únicos que trabalharam nos projetos. Anílson enviava os desenhos e o material da estrutura. O parceiro soldava as peças na própria casa. Quando finalizava, enviava a base para a casa do amigo. Este esculpia o animal e reenviava para a aplicação de fibra de vidro. A necessidade de ter uma oficina grande era evidente. Só que Santa Inês não tinha um galpão para acomodá-los. Depois de muita busca, encontraram um prédio próximo ao fórum. O aluguel barato (R$ 500) caía como uma luva, mas encobria um grande problema: parte do teto ameaçava desabar.

A equipe cresceu à proporção da chegada de novos pedidos. Josivânia Carvalho Caldas, a Joyce, tinha sido eficiente na execução de um trabalho temporário. Ela passou a ser a quarta integrante do grupo, que recrutou ainda Flávio Santos Brito, antes da mudança para outra cidade.

Em maio deste ano, o problema foi solucionado. A nova fábrica de dinossauros foi instalada em um prédio, às margens da BR-420, em Ubaíra, a 29 quilômetros de Santa Inês. Ali, o grupo ganhou mais uma integrante: Roseane Miranda, a Rose. Todos trabalhadores e trabalhadoras são autônomos. Até o final do ano, cada um terá a própria microempresa.

“Sempre tem um que se destaca mais em uma parte ou outra, mas aqui todo mundo faz tudo” – explica Anílson Borges, que está finalizando um Titanossauro para o Museu de Paleontologia de Marília (SP).

A EQUIPE ATUAL

 

Cada vez mais especializada, a Criando Dinossauros costuma receber encomendas de animais que viveram em uma região específica. Normalmente, não há muitas informações sobre eles em livros ou na internet. Daí a necessidade de consultar especialistas. Atualmente, Anílson busca dados com amigos paleontólogos. Emerson, que se uniu ao grupo particular, deu os primeiros passos rumo à paleontologia e concluiu curso básico sobre o tema. A tendência é ter um especialista fixo na equipe.

A Criando Dinossauros produziu nos últimos tempos peças para filmes nacionais. O diretor José Frazão, por exemplo, encomendou o braço de um Eremotherium (preguiça gigante) para o longa-metragem Às margens de Canavieiras, que narra a aventura de uma pesquisadora em busca de um fóssil misterioso em uma cidade no sul da Bahia. O que nem Anílson, nem a equipe, esperavam era virar tema de um documentário.

A proposta partiu do cineasta soteropolitano Gabriel Lopes Pontes. Ele procurava um tema para um novo filme, que valorizasse a cultura da Bahia e do Nordeste. Em janeiro de 2019, ele leu uma reportagem sobre Anílson e entrou em contato com a secretaria de educação de Santa Inês e conversou com o gestor e professor Marcos Paiva, a quem solicitou apoio.

Em troca de uma verba mensal para despesas pessoais, além dos custos de hospedagem, alimentação e transporte, Gabriel fez as filmagens em quatro períodos distintos. No primeiro, ainda sem conhecer o paleoescultor, o imaginou como um personagem do escritor britânico J.R.R Tolkien: o mago Gandalf. Pensava encontrar um artista excêntrico e irascível. Encontrou um quarentão com espírito jovem, super comunicativo e conectado com uma rede de paleontólogos, arqueólogos e paleoescultores de alto nível.

As filmagens terminaram no dia 16 de janeiro de 2020. A pandemia e contratempos com a Fundação Cultural, vinculada ao governo estadual, atrasaram a conclusão do documentário, que tem lançamento previsto para o segundo semestre desse ano.

Antes de ser protagonista de um documentário, o paleoescultor só se via em vídeos postados nas redes sociais. O maior sonho de Anílson era ver do alto se os dinossauros que instalou na entrada de Santa Inês ficaram do jeito que planejou. Um drone resolveu a questão.

Ao ver o cenário em que dois herbívoros são atacados por alossauros comemorou. Os movimentos planejados estavam perfeitos. No local, onde viajantes costumam parar para fotografar, um predador tenta distrair a gigantesca fêmea, que prepara a cauda para chicoteá-lo, enquanto o outro carnívoro avança em direção ao filhote. As cobranças e contratempos para execução da obra permitiram que ele formulasse um mandamento para a fábrica:

“Não quero pressa no trabalho, quero eficiência. Quando me apressam, costumo dizer que a escultura vai ficar melhor do que o planejado” – relata.

Atualmente, os animais pré-históricos de Anílson têm estrutura de ferro (vergalhão) ou aço carbono. Seus corpos são esculpidos com isopor e espuma expansiva. Depois, são aplicadas fibra de vidro, resina ou massa plástica para dar textura. Na pintura podem ser utilizadas tintas acrílica, automotiva e verniz fosco. Outra técnica é usar Clay, massa que se mantém maleável e permite experimentações e correções na peça antes de fazer o molde de silicone.

O material empregado tem sofrido reajustes frequentes. De 2019 até hoje, os custos subiram de R$ 5 mil para R$ 15 mil, o equivalente a 200%. Se repassasse os valores para as esculturas na mesma proporção, Anílson crê que inviabilizaria o negócio. O paleoartista diz que atualmente as peças pequenas custam cerca de R$ 1.500 e as gigantescas podem chegar a R$ 150 mil.

“Nunca ganhei a quantia máxima. O dinossauro gigante da entrada da Santa Inês foi muito mais barato porque a prefeitura cedeu funcionários e comprou o material. O preço de uma escultura média chega a R$ 40 mil. Com o que recebo pago os trabalhadores, aluguel, transporte, o material e despesas diversas” – explica.

À medida que se organiza e a fama aumenta, Anílson e equipe diversificam as atividades. Eles fazem palestras presenciais e virtuais e fabricam souvenires, comercializados através de uma loja virtual . Há diversos tipos de camisetas e canecas, mas o mais interessante é a garra de Velociraptor, vendida a R$ 250 para fãs do filme Jurassic Park.

Que conselhos um empreendedor bem sucedido daria aos jovens que querem iniciar projetos, mesmos os considerados improváveis como a Criando Dinossauros?

Anílson lembra que no começo tudo é difícil. Ele chegou a procurar instituições e ONGs em busca de auxílio, mas elas não tinham como enquadrar a proposta dele. O mais próximo seria na categoria artesanato, mas por ser ligada à ciência e ser bem específica, a paleoescultura não era contemplada.

Também há questões burocráticas, que ele admite não gostar, mas que precisou aprender para tocar seu empreendimento. Os empréstimos oferecidos pelos bancos são baixos e não cobrem o necessário para a ampliação dos negócios. Entre as dificuldades, é preciso incluir a falta de patrocinadores e busca por bons parceiros.

A receita do talentoso sertanejo inclui muito trabalho, persistência, paciência e visão estratégica. A partir de 2019, quando as encomendas se tornaram mais frequentes, Anílson decidiu utilizar parte dos ganhos para a compra de equipamentos como aerógrafos, pistolas de pintura, compressores, lixadeiras. Hoje, possui tudo o que precisa.

Outras ações fundamentais são o cumprimento dos prazos acertados e um bom trabalho de divulgação na internet. O artista mantém o site, o canal da Criando Dinossauros no YouTube e uma página pessoal no Instagram.

Postagem da Stan Winston School. Reprodução

Esta plataforma é a principal divulgadora do trabalho do brasileiro para o mundo. Através dela, conversa com amadores, como um iraniano que mandou um vídeo mostrando a filha a brincar com uma escultura pré-histórica, e mantem contato com especialistas. Sua maior alegria foi ter sido elogiado pela conceituada Stan Winston School – lembram do nome citado no terceiro parágrafo? Pois bem, é a empresa que criou os animatronics (robôs semelhantes a seres vivos) do Jurassic Park e mantém a escola de formação de responsáveis por efeitos especiais e robôs de filmes hollywoodianos. Dentre os professores, há ganhadores de 12 Oscars.

“De vez em quando eles mandam mensagem para mim. Tudo isso me incentiva muito” – diz o paleoescultor baiano, que ganhou 800 seguidores após o elogio dos americanos.

O sucesso não acomoda Anílson, que permanece como servidor público, agora lotado na secretaria de Cultura do município. Além de planejar construir um galpão quatro vezes maior do que o utiliza atualmente, ele pretende construir para o Museu de Santa Inês novos bichos, dentre eles o Smilodon (tigre de dentes de sabre) e o Paraphysornis (ave predatória. O maior objetivo, no entanto, é construir o próprio parque temático.

MAIS 10 PERGUNTAS PARA ANÍLSON

1- Quantos dinossauros você já fez profissionalmente?

Cerca de 40 esculturas, incluindo pterossauros e outros animais pré-históricos.

2- Quantos para Santa Inês e quantos para museus e colecionadores diversos?

Santa Inês: 16 prontos e instalados. Para museus, sete até agora. O restante para parques temáticos, principalmente.

3- Qual o tempo médio de construção de um dinossauro?

Esculturas de cerca de nove metros de comprimento são confeccionadas em dois meses. Esculturas maiores, com 12 metros, levam quatro meses. As de 18 metros, um semestre. Esses prazos variam a depender do clima. O tempo chuvoso atrasa a secagem de alguns materiais que utilizamos.

4- Você já encontrou lugar definitivo para a fábrica?

Por enquanto estamos em Ubaíra (BA). Gostamos do espaço e da cidade, muito agradável. Claro que precisamos de uma área bem maior para expandir. Mas, por enquanto estamos satisfeitos. Quando tivermos condições, construiremos a nossa fábrica.

5- Poderia informar quanto é cobrado por um dinossauro?

Isso varia bastante, por exemplo, uma escultura de nove metros de comprimento, custa cerca de 40 mil reais, quase metade desse valor é de material. Tem ainda o salário do pessoal que trabalha comigo, o aluguel, as contas de água, energia, etc. Acho interessante destrinchar os valores porque assim é possível entender que não é apenas esculpir, tem todo um gerenciamento para fazer com que tudo funcione corretamente.

Garra de Velociraptor. Reprodução

6- Quantas garras de Velociraptor foram vendidas desde que a loja foi aberta?

Em torno de 38. Como é um item que lembra bastante os filmes Jurassic Park, principalmente os primeiros, tem sempre gente interessada. Inclusive eu tenho uma em minha casa.

7- Que outros produtos são procurados?

Camisetas, vendemos algumas. Muitas pessoas querem miniaturas de dinossauros, porém, por mais que eu goste e queira seguir também por esse caminho, no momento não conseguimos produzir. Estamos muito ocupados com as encomendas maiores.

8 – Quais os animais que fazem parte atualmente do projeto Dinovale?

Irritator, Anhanguera, Tropeognathus, Baurusuchus salgadoensis, Tapejara, Pycnonemosaurus,  Maxakalisaurus, Allosaurus e Camarasaurus.

9 – Como a população de Santa Inês reagiu ao projeto?

Uma surpresa que tive foi a aceitação dos moradores e visitantes. No início, muita gente questionava do porquê das esculturas na praça, apesar de não haver nenhum vestígio fóssil ou qualquer outra evidência de achados desse tipo na cidade. O intuito do projeto foi mesmo de usar o tema dinossauros como um atrativo turístico. Porém, a população em geral, principalmente as crianças, são as mais entusiasmadas. Elas fazem perguntas e falam sobre o animais. Essa iniciativa parece estar influenciando eles de forma boa. Isso é muito gratificante!

 10 – A pandemia atrapalhou os planos da cidade se transformar um polo turístico?

Sim. Quando o número de visitantes estava aumentando, veio a quarentena e o isolamento social. O trabalho feito até então foi impactado. Quando a situação começou a melhorar, a cidade foi atingida por uma enchente, no final do ano passado. As chuvas fortes continuaram em fevereiro e março. Agora teremos de reiniciar as promoções para divulgar o Dinovale, que será concluído com a construção do Museu do Dinossauro, no ano que vem.

Jornalista, editor, professor e consultor, 59 anos. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.
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