Mês: agosto 2021

O podcast

Quando entrei no curso de jornalismo, participei de uma oficina. A tarefa era escrever um perfil. Escolhi fazer o da minha vó. Por timidez, talvez. E por entender que a sua vivência deveria ser compartilhada. Da nossa conversa sem pressa, descobri nuances nunca ditas. Observei que uma entrevista vai além de declarações. O silêncio diz, e as ruas falam.  Escrevi o texto depois de reunir tudo no meu caderninho, no gravador e na memória.  Foi revelador.

…Ler mais.

Bahia no alto do ranking de conflitos por terra e por água

A 35º edição do relatório que contabiliza dados sobre conflitos e violência sofridas pelos trabalhadores do campo, indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais revele que o número de ocorrências (2.054) cresceu 8% em 2020. No ano anterior foram 1.903. A quantidade de conflitos é a maior desde 1985, quando a Comissão Pastoral da Terra (CPT) começou a divulgar as estatísticas.

…Ler mais.

Um novo centro cultural

Novo espaço cultural de Jeremoabo (BA) será inaugurado na próxima semana. Ele funcionará no antigo casarão do “coronel” Jesuíno Martins de Sá, no centro da cidade, antiga sede da secretaria de Educação, Cultura, Esportes e Turismo.

Sede da secretaria de educação de Jeremoabo foi transformada em novo centro cultural da cidade. Foto: Paulo Oliveira
Sede da secretaria de educação virou centro cultural de Jeremoabo. Foto: Paulo Oliveira
Antiga secretaria de Educação funcionava no ex-casarão do 'coronel' Jesuíno Sá. Foto: Flávio Passos
A fachada do novo espaço dedicado à cultura jeremoabense. Foto: Flávio Passos

…Ler mais.

45 versões para a oração ‘Pai Nosso Pequenino’

Três meses depois do lançamento do sítio Meus Sertões, em 2016, a médica e pesquisadora de cultura popular Helenita Monte de Hollanda nos enviou um vídeo sobre uma oração poderosa, invocada para a proteção dos sertanejos. Nele, dona Maria Belo, de Mucugê (BA), nos ensinava como rezar o “Pai Nosso Pequenininho”, também chamada de “Pai Nosso Pequenino”.

Pesquisa feita por Meus Sertões apurou que a oração tinha outras versões e que sua origem provável é Portugal. Na internet, descobrimos ainda que a oração também foi adotada por adeptos de religiões afro-brasileiras com o propósito de curar e proteger as crianças e os adeptos do candomblé e da umbanda. Também era atribuído à prece o poder de ficar “invisível ao mal” diante de uma situação de perigo.

Nos quase cinco anos de história de Meus Sertões, que serão completados no dia 27 de setembro, o “Pai Nosso Pequenino”, título da reportagem, se transformou no texto mais lido de nossa página e com o maior número de comentários (86) e 45 diferentes versões para a reza.

A mensagem mais recente nos foi enviada há uma semana por Caroline Montenegro. Ela nos conta que ao ler a reportagem recordou dos tempos de menina:

“Relembrei a minha infância quando ia para o interior dos meus avós, portas trancadas, lamparinas acesas e nós crianças com os ouvidos aguçados com o latido dos cachorros e preocupados com as pisadas do lobisomem que poderia passar correndo nas estradas na lua cheia. Então meu avô nos ensinou essa oração de proteção e rezávamos todas as noites” – relata.

Em seguida, mostra como aprendeu o “Pai Nosso Pequenino”

“Padre nosso pequenino tem a chave do paraíso/ Quem me deu?, Quem me daria?/ Foi a Virgem Maria/ Foge fonte, foge monte/ E que o demônio não me encontre/ Nem de noite, nem de dia/ Nem um pingo do meio-dia/ Nossa senhora me alumei/ Santo Antônio dai-me o guia/ Amém!”

Assim como Caroline, muitos outros seguidores nos enviaram suas versões e homenagearam seus pais, avós e bisavós, responsáveis por tão importante ensinamento.

A paranaense Sonia Alves, de Cruzeiro do Oeste, foi uma delas:

“A minha querida avó já falecida era da região de Londrina e criada por italianos. Ela me ensinou assim e sempre vou para o trabalho rezando essa oração:  Pai Nosso pequenininho/ Deus me ponha em bom caminho/ Jesus é meu padrinho que me pôs a cruz na testa/ Sete anjos me acompanham/ Sete velas me iluminam/ O diabo não me atenta/ Nem de dia e nem de noite/ E nem na hora dos séculos, amém.”

Luiz Solis e Vera Gonzaga homenagearam, respectivamente, a bisavó cearense Antônia Ferreira Coelho, da cidade de Novo Horizonte, e a “querida avó (in memoriam) que se chamava Pastora”.

Os ensinamentos feitos com carinho são levados pela vida toda, como nos mostra Maria do Socorro Lacerda da Cunha:

“Ainda pequena aprendi a oração com minha mãe cearense e rezo até hoje, todos os dias ao deitar. Eu tenho 61 anos e minha mamãe, 94.”

Já Tatiana Jatobá comprova o misticismo de nossa gente. No caso dela, a avó indígena, católica, rezadeira e detentora de uma “mediunidade incrível” revelou que um dia recebeu a presença de alguém que se apresentou como o anjo Natanael. Foi ele quem pediu a ela para que aprendesse a oração e ensinasse para todos se protegerem de qualquer mal. Em seguida, o anjo passou a ditar com voz suave para que ela anotasse:

“Pai Nosso Pequenino/ Deus me guie em um bom caminho/ Sete anjos me acompanhem/ Sete estrelas me alumiem/ Foi Deus quem me fez a cruz na testa/ Para o cão não me atentar/ Nem de noite, nem de dia/ Nem ao pino no meio dia, nem na hora de deitar/ As contas do meu rosário são balas de atirar/ Com elas combato o inferno rezando 3 Ave Maria (em seguida rezar Ave Maria 3 vezes).”

Nós, da equipe Meus Sertões, ficamos felizes quando conseguimos fazer com que nossos seguidores se emocionem, viajem de volta à infância e dividam conosco suas histórias.

Para ler a matéria original, as versões da prece e os comentários de nossos seguidores clique aqui