Daqui até a eternidade

Foi na terceira expedição de Meus Sertões ao semiárido que avistamos, da janela do ônibus, um memorial na beira da BR-110, que liga Mossoró (RN) a Catu (BA). O que chamava a atenção era a parede de azulejos, na qual sobressaía um escudo do Flamengo.

Desde 2016, a imagem, que vi rapidamente pela janela do ônibus, não saía de minha cabeça. Quatro anos depois, Meus Sertões conseguiu apurar a história, com a ajuda do amigo Flávio Passos, para acrescentar informações à matéria “Cruzes estradeiras”. A reportagem tinha como tema as homenagens feitas às pessoas que tiveram mortes violentas nas estradas nordestinas.

O fato que originou o monumento ocorreu em 2007:  Érico Silva Damascena, 25 anos, e a namorada deixaram uma casa de shows em Jeremoabo e decidiram seguir para Antas, a 45 km de distância. Apesar de familiares pedirem para que o casal só viajasse pela manhã, o rapaz disse que precisava estar cedo na cidade vizinha para sonorizar um trio elétrico que seria usado na divulgação da inauguração de uma churrascaria.

No meio do caminho, Érico perdeu a direção, bateu na encosta e capotou. O motorista morreu na hora e a namorada fraturou a perna. Na construção do memorial, a família fez questão de destacar a imensa paixão que o jovem tinha pelo rubro-negro carioca. Algo que para eles supera o que diz a letra do hino do clube, pois perdura pela eternidade.

Cruzes estradeiras

Jornalista, editor, professor e consultor, 59 anos. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.
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2 respostas

  1. Parabéns ao site MEUS SERTÕES, por essa linda homenagem ao jovem Érico Damascena, grande torcedor do rubro negro carioca. Estou as ordens por aqui, fico feliz de poder tá ajudando de alguma forma.

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