Um passeio pela Baixa dos Quelés

As viagens feitas por Meus Sertões para apuração de reportagens são chamadas de expedições. No início, duravam entre quatro e sete dias. Posteriormente, passaram a ter até duas semanas de duração. A ida a Jeremoabo foi a terceira expedição, realizada em outubro de 2016. Pisávamos pela primeira vez em um quilombo sertanejo. Embora focado na Baixa dos Quelés, ele é formado por outras comunidades: Baixa da Lagoa e Olho d´ Água, reconhecidas em conjunto pela Fundação Palmares, e Carobinha, surgida posteriormente.

Na época, moravam 76 famílias – cerca de 300 pessoas – nas quatro comunidades. O primeiro quilombo na região, segundo Pedro Son, pesquisador da história de Jeremoabo, surgiu na segunda metade do século XVII. A principal atividade econômica da região, em 2016, era a agricultura familiar (feijão e milho) e a apicultura (a produção era de 12 quilos de mel a cada 25 dias).

Graças ao trabalho, os quilombolas foram contemplados com dois projetos: o banco de sementes crioulas, nativas e livres de agrotóxicos, e a fábrica de beneficiamento de mel, investimento da Agência Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), agência da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Projeto Gente de Valor, ligado ao governo do Estado.

Apesar do alto investimento, a unidade está desativada até hoje por falta de um gerador. O processo para aquisição, de acordo com o presidente da associação comunitária José Romildo, está parado por conta da burocracia estatal.

Hoje, através das fotografias, vamos conhecer um pouco dessa região, marcada pela disputa de terras. Nesse primeiro contato, o que mais nos impressionou foi o terreiro do pai de santo Abílio, na Baixa da Lagoa. Ele, que chama sua religião de Xangô, mantém cinco imagens de Padre Cícero no gongá – para saber mais, leia a reportagem “Padre Cícero e o senhor Ogum”.

Na próxima semana, contaremos a história do quilombo, origem da família do zagueiro do Corinthians, Jemerson.

comunidade quilombola

 

Terra cobiçada Fábrica de mel pode fechar Estado tenta corrigir erro

Jornalista, editor, professor e consultor, 59 anos. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.
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