O refúgio do padre conselheiro e o Instituto Servos de Deus – capítulo VI

O refúgio do padre conselheiro e o Instituto Servos de Deus – capítulo VI

Depois de passar 16 anos morando na rua do Lixo, Padre Airton Freire se mudou para um sítio de 123 hectares, no povoado de Malhada, a 12 quilômetros do centro de Arcoverde e a 1,5 quilômetro do município de Sertânia. Lá, foi criado o Instituto dos Servos de Deus, uma associação privada que pretende se transformar em uma ordem religiosa, constituída por vocacionados, chamados de servos, voltados para a caridade e para servir aos pobres. Para que funcione como ordem é necessária autorização do bispo de Pesqueira, dom José Luiz Ferreira Salles, após longo processo de maturação e observação.

O grupo de vocacionados é chamado de Comunidade de Vida e seus participantes serão consagrados depois de cinco anos de formação. Outra ramificação do Instituto são os Grupos da Terra, no qual crianças, jovens e adultos participam de equipes de orações. Os GTs estão espalhados por cinco estados (Alagoas, Ceará, Maranhão, Minas Gerais e Pernambuco).

A Casa de Retiros Sagrada Família, construída com verba doada por um italiano e implantada em 2003, é ligada ao Instituto Servos de Deus. De acordo com a vocacionada residente Jéssica Pereira, 25 anos, existem vários tipos de retiros organizados pelo padre Airton. Os preços cobrados pela participação, incluindo hospedagem e alimentação, variam de R$ 410 a R$ 800 por pessoa.

DEPENDÊNCIAS DO INSTITUTO

 

É no Instituto dos Servos de Deus que padre Airton faz uma audiência semanal, na qual dedica três minutos para cada visitante, às quintas-feiras. Wellington Santana conta que vem gente de vários lugares do Nordeste para fazer confissões e buscar conselhos sobre problemas de relacionamento, questões econômicas e aflições diversas. Tem pessoas, segundo ele, que chegam com um dia de antecedência, se hospedam na Casa de Retiros e pagam o valor da estadia.

REFÚGIO

 

Da casa de pedra da rua do Lixo, padre Airton passou a morar em uma outra coberta com palha, no meio da caatinga. É em um quarto e banheiro com cerca de 30 metros quadrados, mobiliado com uma cama grande coberta por um mosquiteiro, uma bancada de cimento, um baú de palha, uma cadeira de balanço e uma mesa de madeira.

Na mesa estão muitas caixas dos medicamentos que Padre Airton precisa ingerir. O religioso tem um aneurisma na aorta, maior artéria do corpo humano. A doença, genética, matou o seu irmão mais velho. Já Airton só escapou porque quando houve o rompimento do vaso sanguíneo, ele estava na Alemanha e teve socorro rápido. Wellington também sofre da doença.

Nas fotos publicadas na internet, a casa de Airton parece estar isolada. Na realidade, ela está diante da pequena capela da Virgem Imaculada Conceição, onde o religioso ora e medita. Em volta, estão as residências dos servos vocacionados e um cruzeiro com o símbolo da Fundação (uma cruz celta).

A 200 metros de distância está o complexo religioso, com alojamentos para os visitantes e os participantes de retiros – há quartos individuais, duplos ou triplos -, duas capelas, biblioteca, cozinha industrial, dois refeitórios, salas de vídeo, uma loja de souvenirs e a belíssima  Igreja do Pescador (inspirada em templos russos).

 

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Jornalista, 58 anos, traz no sangue a mistura de carioca com português. Em 1998, após trabalhar em alguns dos principais jornais, assessorias e sites do país, foi para o Ceará e descobriu um novo mundo. Há dez anos trabalha na Bahia, mas suas andanças não param. Formou comunicadores populares nas favelas do Rio e treinou jornalistas em Moçambique, na África. Conhece 14 países e quase todos os estados brasileiros. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.
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