As tilápias de padre Antonio – capítulo I

As tilápias de padre Antonio – capítulo I

O semiárido brasileiro é uma região que compreende 1.262 cidades de 10 estados. Em uma área equivalente a três vezes o território da Alemanha vivem 28 milhões de pessoas que aprenderam a conviver com a seca e a resistir ao abandono e à injustiça impostos por líderes políticos locais, muitas vezes com apoio do governo federal. Essas transformações se processam aos poucos, graças à atuação de pessoas – muitas delas religiosas –, que fazem opção pelos pobres e os levam a viver com dignidade. Os padres Pier Antonio Miglio e Airton Freire de Lima são exemplos de homens imprescindíveis, cujas ações – seja através de obras sociais, espirituais ou da organização de trabalhadores – impactam na vida dos sertanejos, transformam a realidade socioeconômica de municípios e repercutem até no exterior.

As histórias de Antonio e Airton, contadas nesta série de reportagem da parceria Meus Sertões/Headline, mostram que é preciso ter disposição para enfrentar os obstáculos que surgem a todo instante. A melhoria de renda dos jovens criadores de tilápias de Jatobá, em Pernambuco, por exemplo, irritou a classe dominante da região, acostumada a pagar ínfimas quantias aos trabalhadores domésticos. Os salários aumentaram consideravelmente. Em compensação, o poder municipal não cria políticas públicas para incentivar a atividade. Já a popularidade obtida entre os catadores de lixo de Arcoverde, beneficiados por serviços antes inexistentes, provocou inveja e resultou em uma avalanche de intrigas e falsas acusações feitas por políticos e outros padres.

Imbuídos dos sentimentos de caridade e solidariedade, pregados pelos seguidores do catolicismo popular nordestino no século XIX, os religiosos que estão mudando a realidade no sertão mantêm-se firme em seus propósitos. Eles se baseiam em ações concretas, religando o religioso ao secular, graças ao advento de redes sociais e da aproximação com o povo, como veremos a seguir.

Associada na passarela. Foto: Severino Silva
Associada na passarela. Foto: Severino Silva

Quem vê Marcela Alves Araújo, 35 anos, caminhando com desenvoltura pela passarela de madeira da Associação Jovens Criadores de Peixes, no lago da Usina Hidrelétrica de Moxotó (desde 1983 chamada oficialmente de Usina Apolônio Sales), no sertão pernambucano, não imagina o trabalho que ela teve para equilibrar a si própria e as finanças combalidas por seis anos de desemprego. Isto só foi possível a partir do momento que ela passou a integrar a uma das oito associações de piscicultores – duas delas formadas exclusivamente por mulheres – criadas, implantadas e administradas pelo padre Pier Antonio Miglio, 66 anos, em Jatobá, cidade do sertão pernambucano a 460 quilômetros da capital do estado (Recife). A iniciativa tem o apoio da Diocese de Floresta.

As pisciculturas mudaram não só a vida das cerca das 84 famílias que dependem hoje da produção de tilápias. Elas também alteraram a realidade socioeconômica do município, que hoje possui 46 pisciculturas – a maioria formada por ex-associados e parentes de associados dos grupos de padre Antonio – e é o maior produtor estadual de peixes, com média de 14 mil toneladas anuais, segundo dados do Programa de Apoio ao Pequeno Produtor Rural (ProRural), agência de fomento vinculada à Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária de Pernambuco (Sara).

O sucesso fez ainda com que a iniciativa fosse replicada em Itacuruba e Belém de São Francisco, cidades que fazem parte da Diocese de Floresta;  resultou na criação em uma associação para gerenciar a fábrica de gelo construída há três anos e fundamental para transportar os peixes pelo sertão; e fez com que a experiência, vista inicialmente com desconfiança, passasse a servir como exemplo de qualidade e produtividade, passando a receber visitantes de outros estados e países interessados no modelo de negócios. Para eles, existe no Sítio Santo Antonio, onde estão localizadas três das associações, uma casa de hóspedes muito confortável.

Apesar de ter alcançado resultados espetaculares, Padre Antonio tem enfrentado grandes obstáculos, que incluem a concorrência desleal, legislação e licenciamento difíceis de serem cumpridas pelos pequenos produtores, mudanças bruscas no panorama econômico e falta de apoio das autoridades municipais, dentre outros. Eventuais reveses, no entanto, não diminuem o entusiasmo do religioso e da especialista em associativismo Ivone Lisboa, também fundadora e gestora das associações.

Antonio Miglio veio para o Brasil em 1979, um ano após se ordenar. Mal falava português e trazia na bagagem a cultura de um povo religioso que sempre valorizou o trabalho voluntário e a caridade. Durante os cerca de 40 anos que atua no sertão baiano e pernambucano, o religioso, assim como os padres do século XIX que atuaram no semiárido e foram expoentes do fenômeno conhecido como beatismo, tratou dos problemas da vida local, “intervindo o máximo possível em apoio aos mais fracos, tanto do ponto de vista espiritual quanto material”.

Em Paulo Afonso, criou uma cooperativa de artesãs que vendia bordados até mesmo para a Itália. Na paróquia seguinte, Petrolândia trabalhou na fundação e consolidação do jardim de Infância Arco-Íris que, através do mecanismo de “adoção de distância” permitiu vestir, alimentar e educar centenas de crianças pobres. Depois de consolidado, o trabalho foi assumido pelo governo municipal.

A preocupação com a educação dos mais necessitados é uma das características dos padres que se identificavam com o catolicismo popular – ritos e cantos (benditos) criados pelos sertanejos para conversar com Deus, quando a Igreja Católica estava voltada apenas para as elites, na definição da professora, doutora em Estudos Romanos pela Universidade Stendhal Grenoble III, Enaura Quixabeira Rosa e Silva.

Enaura cita dois exemplos de religiosos preocupados com o futuro dos jovens carentes: Antônio Fernandes Amorim, o Beato Franciscano, que criou uma vila com escola, na zona da mata alagoana, em 1936, e o padre João de Barros Pinho, fundador da Juvenópolis, em 1945, onde os jovens pudessem morar, estudar e desenvolver habilidades artísticas e intelectuais. A arquidiocese de Maceió assumiu o local após a morte de Pinho e hoje atende cerca de 300 crianças e adolescentes.

“Tá bom, e o dinheiro?”

Em 2002, padre Antonio enfrentou o seu maior desafio com o apoio da Diocese de Floresta e assessorado por Ivone Lisboa: a formação das primeiras associações de jovens piscicultores. A ideia surgiu a partir da preocupação de criar oportunidades de trabalho em uma área em que a agricultura e a criação de animais enfrentam grandes dificuldades:

“Os terrenos daqui não prestam para nada, nem para criar, nem para plantar, fora ou uma outra manchinha, uma baixa, mas alguma coisa que sustente as pessoas não tem como. Os poucos terrenos férteis que havia foram inundados pela barragem” – explica o padre.

A primeira providência foi sugerir com a direção da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), subsidiária da Eletrobrás, a não cobrança pela distribuição de energia para compensar os problemas que causou como o desemprego em massa após a conclusão das sete hidrelétricas na região (cinco do complexo Paulo Afonso, a de Itaparica e a de Xingó). A proposta de receber só pela geração seria capaz permitir a instalação de parques industriais na região. Interesses políticos, segundo o religioso, não permitiram que a ideia fosse adiante. Como consequência, não havia perspectivas para a população, principalmente os jovens.

Padre Antonio pilotando barco a motor. Foto: Severino Silva
Padre Antonio no barco. Foto: Severino Silva

Um projeto do governo baiano para incentivar a piscicultura foi implantado entre 1998 e 1999, em Paulo Afonso, mas fracassou, pois, se fundamentava na doação de tanques-rede, alevinos e ração, sem exigir contrapartida dos criadores. Como consequência, os equipamentos estragavam por falta de manutenção e os participantes ficavam esperando nova remessa. Ao analisar a antiga experiência, Antonio Miglio viu que a proposta “não era tão descabelada”.

“Eu vi que tínhamos melhor situação porque as pessoas de Jatobá moravam perto da água do lago. Aí tentei criar os mesmos projetos com algumas alterações com o prefeito daqui, mas ele fez pouco do que a gente estava propondo” – conta.

Em 2002, o então bispo de Floresta – atual bispo da prelazia de São Félix do Araguaia (MT) – Dom Adriano Ciocca Vasino, conterrâneo e amigo de Antonio, disse para ele parar de acreditar em políticos.

“Levei um susto quando ele falou que eles nunca iriam fazer nada aqui e que se eu queria implantar alguma coisa que fizesse. Respondi que podia tentar porque eu era pescador e sempre passava na piscicultura da Chesf e trocava ideias com o engenheiro responsável, que era meu amigo. Então retruquei: ‘Tá bom, e o dinheiro?”. A resposta foi: “O dinheiro eu me preocupo, você se preocupa com o projeto” – relata. Dom Adriano também autorizou a contratação de Ivone, que ele conhecia e era responsável pela associação de artesãs de Paulo Afonso.

A primeira providência foi fazer o estudo de viabilidade econômica. Em busca de dados, Antonio e Ivone conheceram o professor Aécio D’Silva , da Universidade de Tucson (Arizona, EUA), que estava concluindo um projeto de piscicultura em raceway (sistema superintensivo de produção de peixes, baseado na renovação frequente de troca de águas nos tanques), incluindo uma fábrica de ração e um frigorífico, na Bahia.

D’Silva se empolgou com a ideia e deu assistência técnica gratuita para a criação das associações de Jatobá. Contas feitas – e confirmadas por dados do Banco do Nordeste e do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) -, ficou claro que seria necessário produzir 20 toneladas de peixes mensais para garantir a renda de 12 pessoas por associação. O padre afirma ter chegado ao número ideal de participantes por acaso, mas hoje há fundamentação teórico-econômica do ProRural confirmando o acerto da definição.

A conclusão depois dos primeiros estudos foi que o projeto daria dinheiro e um pouco de trabalho para quem aderisse. A maior preocupação era que a atividade permitisse que sobrasse tempo para as pessoas se dedicarem à família, ao estudo e ao lazer. Com este propósito, o projeto foi elaborado e entregue ao bispo, que conseguiu a verba necessária para a criação da primeira associação com a Conferência Episcopal da Itália.

Debruçados sobre projetos semelhantes de outras cidades e estados, o padre e Ivone perceberam que muitas associações não estavam funcionando dentro do espírito associativo porque acabavam ficando na mão da diretoria ou do presidente, que usavam os associados como mão de obra barata.

“Elencamos tudo que transformava o presidente em dono da piscicultura, as coisas que atrapalhavam o associativismo. Depois de ver tudo o que não prestava, montamos o nosso modelo, evitando os problemas” – diz Antonio.

Em seguida foram criadas três regras pétreas proibindo a posse ou consumo de bebida alcoólica no trabalho, o namoro no local de trabalho entre associados ou com pessoas de fora e o uso de armas.

Área de criação de tilápias. Foto: Severino Silva
Área de criação de tilápias. Foto: Severino Silva

No caso do armamento, alguns alegavam como poderiam se defender de ladrões, por exemplo. A resposta retórica foi que era mais simples deixar roubar e depois denunciar à polícia do que atirar no assaltante e ter os comparsas e familiares dele contra a vítima e contra à associação.

Na prática, ficou definido que todas as associações seriam bem iluminadas e que haveria gente na passarela flutuante toda a noite para dar alarme no caso de tentativa de roubo dos tanques e peixes. Demorou um tempo – no passado andar com peixeiras, revólveres e espingardas era algo cultural na região não só como defesa, mas também para caçar e se locomover na caatinga -, mas todos entenderam que era muito melhor viver sem armas.

Também ficou estabelecido que todos teriam que fazer as mesmas funções e que haveria sorteios periódicos (hoje bimensalmente) para definir os integrantes dos três grupos de trabalho. Cada equipe atua da seguinte forma: no primeiro dia faz plantão de 24 horas; no segundo, trabalha seis horas no apoio (manutenção, limpeza, etc.); e folga no terceiro.

O rodízio dos integrantes de cada grupo evita a criação de patotas porque impede a convivência de um grupo de associados por muito tempo. Depois do sorteio, não é possível fazer mudanças. Outra coisa: há rotatividade nos cargos de direção das associações, meramente formais.

Estabelecer as regras foi bem mais fácil do que convencer 12 pessoas a formar a Associação Jovens Criadores de Peixes. Os moradores de Jatobá não acreditavam que a iniciativa daria certo. Alegavam que seria muito difícil competir com o pescador de linha, que tinha custo praticamente zero. Além disso, seria preciso trabalhar sete meses sem receita até que os primeiros juvenis chegassem à fase adulta e atingissem cerca de um quilo, peso ideal para a venda. Além disso, o dinheiro adiantado pela Diocese teria que ser devolvido em prestações para permitir a criação de outra associação.

Para formara a primeira associação, instalada em propriedade da Diocese de Floresta, foi necessário convidar seu Marcos, militar da reserva, para ser o 12º componente. Ele aceitou com a condição de sair assim que aparecesse um interessado em ocupar o lugar de associado. Foi ele quem ensinou os integrantes das associações de padre Antonio, incluindo as mulheres, a construírem as passarelas e barracões.

Os pioneiros na criação de peixes em Jatobá passaram a ter bons rendimentos e melhorar de vida. Deixaram de viver de bicos. Seus rendimentos eram de até doze vezes mais do que antes. Com dois anos de existência, a piscicultura se consolidou e Antonio e Ivone passaram a receber pedidos para criar novas associações. Formaram então três de uma vez.

Dom Adriano, entusiasmado, festejou:

“Está vendo como o povo está reagindo. Não precisa nem a gente ir atrás, o povo se junta”.

E saiu em busca de mais verbas, enquanto o religioso e sua parceira na empreitada se viravam para garantir o acompanhamento e a assistência técnica. Até 2006, as pisciculturas do padre eram as únicas que funcionavam na região.

Em 2013 nova expansão: surgiu o primeiro grupo formado só por mulheres, a Associação São Sebastião do Sítio Umburanas. A seguir veio a Associação de Mulheres Guerreiras. A iniciativa gerou frutos em Belém de São Francisco (Associação Nova Esperança da Manga de Baixo) e em Itacuruba (Associação Produtora de Juvenis – tilápias de até 30 gramas). A mais recente, criada em 2017, é a Associação Produtora de Gelo, que administra e opera a fábrica instalada no sítio Santo Antônio, em Jatobá.

Todas associações têm estatuto, CNPJ, inscrição estadual. Quatro obtiveram licenças ambientais, as outras estão com os processos encaminhados. Cada piscicultura tem 65 tanques-rede de 14 metros cúbicos e tem como meta produzir 20 toneladas de peixes mensais. Questões mercadológicas e problemas diversos fizeram baixar a produtividade para 12 mil toneladas/mês.

“Se tratar o peixe bem, der comida no horário certo, manter o espaço limpo, evitando a proliferação de elódeas (plantas aquáticas que tiram os nutrientes da água, disputam o oxigênio com os peixes e provocam a mortandade deles), as tilápias chegam a pesa entre 1,2 quilos e 1,5 quilos, aumentando a produtividade. O peixe não cresce se não tiver alimentação e tratamento adequados” – ensina Antonio.

A criação de oportunidades de emprego e a melhoria de renda da população de Jatobá atraiu a atenção do Grupo Missionário de Bellinzago, organização de voluntariado que oferece apoio econômico, solidariedade e orações às missões de religiosos nascidos na cidade, como é o caso de Antonio Miglio. No texto que escreveu sobre as pisciculturas para a entidade, o padre ressalta que a libertação e o desenvolvimento dos países pobres devem vir principalmente do trabalho. Diz ainda que seu objetivo é elevar o nível de vida dos paroquianos, permitindo uma vida mais digna, o que vem cumprindo.

MARCELA

 

É aqui que voltamos a Marcela Alves Araújo, um exemplo da transformação que vem sendo feita através do trabalho em Jatobá. Quando está na passarela ou no barracão de apoio que avança pelo lago de Moxotó, formado a partir da construção da Usina Hidrelétrica Apolônio Sales (ex-senador e ex-presidente da Chesf, falecido em 1982), sua função é pesar e distribuir ração nos tanques-rede, verificar se há tilápias mortas nos viveiros e retirá-las imediatamente para não contaminar o ambiente, separar o alimento que será utilizado no turno seguinte e ajudar na despesca.

“Se não fosse a piscicultura tinha gente em Jatobá morrendo de fome. As associações deixaram muita gente com raiva, como os chefões da Chesf, porque não tem mais mão de obra de R$ 50 por mês. Hoje em dia o mínimo é R$ 50 por dia” – diz ela, citando uma profunda alteração na realidade econômica do município.

A piscicultora, que começou a trabalhar há quatro anos após seis de desemprego, conta que as principais mudanças em sua vida foram a melhoria de renda e as amizades que fez na associação. O marido trabalhava em uma firma terceirizada da Petrobras, o que levou a família – o casal e três filhos – a morar em São Paulo, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro. Com a crise provocada pelo escândalo envolvendo a Petrobras, ele ficou desempregado. Se tornar criadora de peixe foi a salvação.

Antes de equilibrar as finanças da família, Marcela teve que aprender a se equilibrar na passarela flutuante. Perdeu as contas dos escorregões. Uma vez caiu dentro da água. Outra escorregadela a fez perder o celular no lago.

Ganhando até dois salários mínimos (R$ 2.090) – a variação depende do lucro líquido com a venda do pescado que é dividido em 13 partes iguais, incluindo os 12 associados e a Diocese – Marcela consegue manter a família. Ainda dá para fazer economia, o que permitiu a compra de uma motocicleta, item que revela o primeiro sinal de progresso na comunidade.

Os primeiros piscicultores iam a pé ou de jegue para os criatórios. Quem tinha um pouco mais de recursos, seguia de bicicleta. Hoje, há várias motos estacionadas em torno dos galpões das associações.  Há casos de associados que voltaram a estudar, compraram carro, terreno e construíram casa nova.

O padre Giovanni Malacrida, integrante do colégio de consultores da Diocese de Floresta. avalia que a iniciativa de criar as associações de criadores de peixe permite uma vida mais digna aos trabalhadores e faz parte da missão da Igreja, que não pode só se preocupar com a evangelização, “também tem que permitir a promoção humana, não como uma dinâmica ou visão capitalista, mas sim comunitária, participativa e de responsabilidade”:

“Por isso surgiu a ideia de criar pequenas associações de criadores de peixes, onde todos devem aprender cada passo do trabalho e assumir a responsabilidade para a compra, a venda, a administração do dinheiro, a preocupação com o meio ambiente, o conhecimento das leis e normativas” – acrescenta.

O religioso diz ainda que ninguém fica dependente de outros, mas todos se tornam capazes de fazer tudo.

“E isso é um valor muito grande para um povo muitas vezes acostumado ou obrigado a depender ou a executar o que outros mandam e decidem: é a superação do coronelismo, para adquirir autonomia, liberdade, independência e responsabilidade” – acrescenta.

“Como este tipo de trabalho aproxima as pessoas de Deus?”

Malacrida considera a pergunta de difícil resposta, mas afirma não ter dúvidas de que tudo o que é sinal de partilha, de colaboração, de valorização das qualidades das pessoas, dignifica o ser humano e o torna, mesmo sem saber, colaborador de Deus e da obra do Criador. E que tudo isso tem a ver com a espiritualidade, a mística e a dimensão mais profunda e divina da vida.

 

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Jornalista, 58 anos, traz no sangue a mistura de carioca com português. Em 1998, após trabalhar em alguns dos principais jornais, assessorias e sites do país, foi para o Ceará e descobriu um novo mundo. Há dez anos trabalha na Bahia, mas suas andanças não param. Formou comunicadores populares nas favelas do Rio e treinou jornalistas em Moçambique, na África. Conhece 14 países e quase todos os estados brasileiros. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.
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