Covid-19, dengue e chicungunha colocam saúde à beira do colapso

Covid-19, dengue e chicungunha colocam saúde à beira do colapso

O Comitê Científico de Combate ao Coronavírus (C4) divulgou novo boletim nesta quinta-feira, no qual recomenda a manutenção e ampliação das medidas de isolamento total (lockdown), levando em conta a continuidade de curvas crescentes de casos e mortes de coronavírus e do aumento de ocorrências de dengue e chicungunha no Nordeste e em todo o Brasil. O comitê ressalta que o lockdown é a única forma de reduzir o número de contágios e evitar a sobrecarga e o colapso de sistemas de saúde. O C4 vê como imperiosa a necessidade de aumentar a testagem da população para Covid-19 e dengue.

As condições para decretação do lockdown foram preenchidas em estados, capitais e municípios nordestinos, onde a ocupação de leitos de UTI atingiram 80% e a pandemia continua a se espalhar. Neste momento, o comitê aponta que a implantação do confinamento total, em prática em São Luís (MA), Fortaleza (CE) e na região metropolitana de Recife (PE), deve ser decretada em João Pessoa e Campina Grande (PB), respectivamente com 83% e 88% de ocupação dos leitos de UTIs; Mossoró e Natal (RN), Arapiraca e São Miguel dos Campos (AL), que atingiram índices entre 85% e 92%, nas últimas 48 horas – e Salvador (80%).

A recomendação do isolamento total foi feita aos governadores e prefeitos destes estados e cidades. Além disso, o comitê disponibilizou subsídios para o planejamento e execução dos eventuais lockdowns, incluindo a análise dos principais entrocamentos rodoviários de cada região, níveis de isolamento social no Nordeste e dados de casos e óbitos. Uma das propostas é que o fluxo de veículos para localidades do interior com número reduzido de pacientes infectados seja interrompido.

O Comitê mantém ainda a posição, baseada em evidências científicas e clínicas obtidas por centros de pesquisas do Brasil, da Europa e dos Estados Unidos, contrária ao uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento de qualquer fase da Covid-19. Argumenta que, além de não ser eficaz no tratamento, esses medicamentos podem causar morte súbita dos pacientes.

Em função da Covid 19 superar a influenza como causa dos casos de Síndrome Gripal e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) o comitê reitera que os profissionais de saúde sigam o protocolo, divulgado em 1° de abril, e trabalhem com abordagem sindrômica do problema, não sendo mais necessária a realização de exames para identificação da causa dos sintomas.

Outra providência que o C4 considera ser necessária é que todos os estados nordestinos criem suas brigadas emergenciais de saúde, formada por médicos e profissionais da área com diplomas obtidos e reconhecidos em outros países. Até o momento apenas Maranhão e Piauí seguiram a orientação.

Por fim, o comitê, coordenado pelo neurocientista Miguel Nicolelis e o ex-ministro da saúde Sergio Rezende, ressalta a importância dos governos estaduais divulgarem com intensidade os programas federais existentes para auxiliar financeiramente a população, o que injetaria cerca de 40 bilhões de reais na economia do Nordeste.

Jornalista, 57 anos, traz no sangue a mistura de carioca com português. Em 1998, após trabalhar em alguns dos principais jornais, assessorias e sites do país, foi para o Ceará e descobriu um novo mundo. Há dez anos trabalha na Bahia, mas suas andanças não param. Formou comunicadores populares nas favelas do Rio e treinou jornalistas em Moçambique, na África. Conhece 14 países e quase todos os estados brasileiros. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.
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