A pousada e o claustro – Série: parte 5

A pousada e o claustro – Série: parte 5

O badalar do sino da igreja de Nossa Senhora Divina pastora, chamando os monges para o Ofício das Vigílias, se une a sinfonia de passarinhos, iniciada pelo menos 40 minutos antes, no jardim do Mosteiro de Jequitibá. Despertar dessa maneira é um privilégio para os hóspedes da Pousada São Bernardo e da hospedaria do claustro, que recebem pessoas interessadas em descanso, paz, recolhimento, contemplação e orações. Ótima opção, por exemplo, para quem prefere se manter distante do Carnaval nesta época do ano.

Irmão Policarpo Varela, um dos três responsáveis pela recepção dos hóspedes e pela limpeza da pousada, conta que o estabelecimento está sendo ampliado. Atualmente a capacidade é para 70 pessoas. Em breve, passará para 100. As instalações são simples e confortáveis. A pousada possui salas de TV e leitura, capela, auditório climatizado. Nos quartos, duas camas de solteiro, escrivaninha, ventilador e banheiro.

As diárias custam R$ 100 reais, incluindo três refeições. A comida é caseira e saborosa. Um dos pratos possíveis é arroz, feijão, farinha, batatinha, cenoura soja ou carne moída. Existem três refeitórios no mosteiro, dois são para os hóspedes – no menor cabem 20 pessoas; no maior, 50 – e um para os monges. No passado, os irmãos cuidavam da alimentação dos visitantes. Hoje, há duas cozinheiras contratadas. Diaristas reforçam a equipe quando há ocupação de grandes grupos.

Os visitantes podem usufruir de todos os serviços do mosteiro, como a casa de terapias, onde há massagem e 11 tipos de tratamentos; visitar os museus (ver links no final da matéria); fazer caminhadas ecológicas guiados por um dos monges; e ter um contato maior com a vida monástica. Na parte interna das portas há os horários das rezas, missas e trabalhos dos monges. Parte dos rituais são feitos em latim e cantos gregorianos.

Muitos dos grupos que se hospedam na pousada levam orientadores, padres de outras dioceses, para coordenar os retiros. Outra opção é solicitar o acompanhamento de um monge cisterciense para aconselhamentos, acompanhamento pessoal, confissões. Os finais de semana e feriados prolongados são os mais movimentados. No entanto, a pousada funciona todos os dias.

“Às vezes vêm pessoas em horas inoportunas, mas a gente dá um jeito de receber. Por aqui também passam muitos peregrinos” – diz Irmão Bernardo de Araújo, outro componente da tríade responsável pelas instalações.

Da hospedaria se avista as antigas casinhas das freiras, professoras e enfermeiras que trabalhavam e moravam no mosteiro. Há ainda a lojinha dos monges, onde são vendidos licores, velas artesanais, paramentos litúrgicos e outros objetos.

O maior evento realizado na pousada é o encontro anual do clero da diocese de Ruy Barbosa, que reúne 31 paróquias de 30 cidades. Mundo Novo é o único município com duas paróquias, sendo que a de Jequitibá é dedicada à zona rural

DEPENDÊNCIAS DA POUSADA
OS SANTOS DO CLAUSTRO

Assim como a Pousada São Bernardo, os monges administram a Hospedaria do Claustro, onde ficou o repórter de Meus Sertões. Nela, estão instaladas as celas destinadas a hóspedes, padres e freiras. Ali, não são permitidos casais.

As instalações são bem despojadas. Cada cela possui quatro camas com colchões simples, um ventilador, uma escrivaninha e banheiro. Elas são batizadas com nomes de monges que foram canonizados:  São Bento (fundador da ordem beneditina e criador da regra, regulamento da vida monástica e inspirador de muitas outras comunidades religiosas),  Roberto, Alberico, Estevão (fundadores da Ordem Cisterciense), Bernardo (responsável pela reforma da ordem dos monges brancos ),  Antão (o abade do deserto, pai dos monges cristãos) e Pacômio  (formador do monasticismo cenobita, aperfeiçoou o sistema de vida em comunidade , estabelecendo a supervisão de um abade).

No claustro (pátio interior do mosteiro) ficam ainda o Museu de Arte Sacra, que ocupa o local onde das antigas sacristias e capela, a portaria e o corredor de saída do monastério. Cela é o nome dado para o quarto onde os monges passavam a maior parte do tempo meditando e fazendo leituras. Atualmente, os irmãos e padres cistercienses vivem em cômodos individuais no andar acima. Agora, na modernidade, se recolhem por volta das 20 horas e podem acessar as redes sociais antes de dormir.

Nos corredores do pátio ficam os quartos dos monges muito idosos que não aguentam mais subir as escadarias para o segundo andar. Os mais velhos são o padre Estevão de Lima, 93 anos, e o abade emérito dom Meirardo Schröger, 83.

A imagem de Nossa Senhora Divina Pastora em barro, as árvores, plantas, arbustos, videiras e o quiosque são outras atrações do claustro.

A HOSPEDARIA
SERVIÇO

Pousada São Bernardo e Hospedagem do Claustro do Mosteiro de Jequitibá: Entrada pela rodovia Estrada do Feijão (BR-052), sem número. O monastério fica localizado no povoado de Jequitibá, em Mundo Novo (BA), a 327 quilômetros de Salvador (BA). Da estrada até o povoado são 17 km até a placa da entrada da Fazenda Jequitibá. A distância do povoado ao mosteiro é de 700 metros.

Reservas: Irmão Bruno – 75 9 9980-4246. Contato mais fácil por whatsapp. Os telefones do mosteiro que constam na internet não estão funcionando.

Diárias: De R$ 80 a R$ 100 com as três refeições incluídas.

 

leia a série completa sobre o mosteiro:

O mosteiro de Jequitibá Vida de monge Os dois museus do monastério O monge holístico Arte medieval A igreja da Divina PastoraDespertar no mosteiro

Jornalista, 58 anos, traz no sangue a mistura de carioca com português. Em 1998, após trabalhar em alguns dos principais jornais, assessorias e sites do país, foi para o Ceará e descobriu um novo mundo. Há dez anos trabalha na Bahia, mas suas andanças não param. Formou comunicadores populares nas favelas do Rio e treinou jornalistas em Moçambique, na África. Conhece 14 países e quase todos os estados brasileiros. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.
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