O monge holístico – Série: parte 4

O monge holístico – Série: parte 4

Quando o Mosteiro de Jequitibá foi fundado pelos cistercienses, em 1939, havia um padre médico que atendia a comunidade e moradores de povoados vizinhos. Atualmente, o serviço de saúde é feito pelo monge terapeuta Antônio Fraga de Lima, 62 anos, especializado em 11 tipos de tratamentos – dentre eles a quiropraxia, iridologia e acupuntura -, além da manipulação de produtos naturais e orientação alimentar.

As consultas, antes diárias, agora precisam ser marcadas com antecedência. Isto porque o movimento na clínica Santa Hildegarda (monja e médica autodidata alemã), que funciona no monastério, despencou desde que a empresa responsável pela ligação do povoado com Mundo Novo (BA) faliu.

Casa de Saúde Santa Hildegarda. Divulgação
Casa de Saúde Santa Hildegarda. Divulgação

“Deixar o centro para vir à zona rural em estrada de terra não é fácil. Só vêm aqui pessoas com muita disciplina. A maioria dos pacientes são pessoas pobres. Os abastados são raros e quase sempre dão calote. Pobre é mais generoso, coração aberto” – diz Antônio Fraga, que não cobra por consulta, apenas pelos remédios florais e fitoterápicos, chás e massagens.

Mesmo no tempo de grande movimento, o terapeuta só atendia 10 pessoas, no máximo, por dia. A justificativa é que é preciso olhar o ser humano com ternura e dedicação, além do fato de que quando o processo de acolhida é bom muitos problemas, como doenças psicossomáticas, são curados.

A diminuição dos pacientes de fora do povoado não reduziu, porém o trabalho de irmão Antônio. Isto porque ele atende em outras cidades, contando com a ajuda de padres que anunciam sua presença com antecedência para os fiéis. O monge holístico costuma ficar um ou dois dias em cada município, de acordo com as consultas agendadas. Atualmente atende em Ruy Barbosa, a 60 quilômetros de Mundo Novo. Fraga também administra a fazenda da Fundação Divina Pastora, administrada pelos cistercienses.

ORIGENS

Filho de lavradores – Celina e Davi –, nascido em Baixa Grande (BA), irmão Antônio conta que seu primeiro contato com técnicas de medicina complementar ocorreu na segunda metade dos anos 1990. Ele foi “intimado” a ser ajudante de um amigo, especializado em argiloterapia (técnica terapêutica que consiste na aplicação de argila sobre a pele para desinflamar, desintoxicar e melhorar a circulação sanguínea), que passou um período no mosteiro.

“Depois disso, minha vida mudou. Fui para Petrolina estudar fitoterapia e fiz estágio de 15 dias no Recanto Madre Paulina (instituto filantrópico de saúde holística) e uma irmã quase me adotou. Lá aprendi iridologia (avaliação da saúde do paciente através da íris), massoterapia (tratamento à base de massagens), probiótica (alimentação feita com produtos que contêm micro-organismos benéficos à saúde), procedimentos de chás” – conta.

Com tamanha bagagem atuou em cidades como Paulista (bairro do Janga), Recife (Casa Amarela) e Olinda, sem abrir mão de seu aperfeiçoamento. O monge fez cursos de atenção primária à saúde e fisioterapia, dentre outros, passando a integra o Grupo de Reflexão de Saúde da Conferência de Religiosos do Brasil (CRB).

De volta ao mosteiro, ingressou na Universidade do Estado da Bahia, onde concluiu a formação em terapias holísticas.

“Foram 12 módulos por ano. Os que mais me enriqueceram foram os de Florais de Bach e quiropraxia (terapia manual voltada para o tratamento de condições do sistema musculoesquelético)” – ressalta.

Os conhecimentos do irmão Antônio Fraga foram fundamentais para que o projeto de construção da Casa de Saúde Santa Hildegarda decolasse. Para atender as carências na área de saúde da região em torno do mosteiro, o então abade Dom Meirado Schroeger cedeu, em 1996, uma pequena casa, praticamente abandonada, onde funcionou a alfaiataria da comunidade.

No ano seguinte, um visitante tomou conhecimento do projeto e doou recursos para a reforma do imóvel. A casa, onde também são produzidos medicamentos fitoterápicos e florais, foi ampliada, posteriormente, com a ajuda financeira de doadores austríacos.

Todo esse percurso é motivo de orgulho para Antônio, que rebate os questionamentos feitos a algumas técnicas alternativas por profissionais tradicionais:

“Os médicos não são conscientizados da importância dessas práticas. Eles não podem desfazer das terapias que hoje chamamos de medicina complementar. No caso de uma pessoa que passará por uma cirurgia de risco, os florais evitam que ela caia em depressão. Muitos problemas que causam filas no hospital se resolvem, às vezes, com um simples toque. A medicina complementar também combate o baixe astral e as dores psicológicas. Já a medicina tradicional é importante em casos cirúrgicos, por exemplo. Uma depende da outra” – argumenta.

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ESPECIALIDADES DA CASA DE SAÚDE DO MOSTEIRO:
  • Acupuntura (tratamento alternativo com o uso de agulhas)
  • Argiloterapia (aplicação de argila em partes do corpo)
  • Auriculoterapia (utilização de pontos nas orelhas para tratamento de diversos sinais e sintomas comuns em diferentes patologias)
  • Cromoterapia (prática que utiliza a luz de diferentes cores no tratamento de doenças)
  • Fitoterapia (tratamento de doença com plantas)
  • Hidroterapia (uso da água sob formas diversas (banhos, duchas, loções, compressas úmidas com fins terapêuticos)
  • Iridologia (avaliação da saúde do paciente através de padrões da íris (membranas dos olhos)
  • Massoterapia (tratamento à base de massagens)
  • Quiropraxia (terapia manual voltada para o tratamento de condições do sistema musculoesquelético, principalmente da coluna vertebral)
  • Radiestesia (captação de radiações energéticas através de pêndulo e outros instrumentos)
  • Ventosaterapia (utilização de ventosas- objetos cônicos de vidro – para melhoria da circulação sanguínea)
MARCAÇÃO DE CONSULTAS:
  • Zap do irmão Antônio: (75) 9-9881-9449.
leia a série completa sobre o mosteiro:

O mosteiro de Jequitibá Vida de monge Os dois museus do monastério A pousada e o claustro Arte medieval A igreja da Divina PastoraDespertar no mosteiro

Jornalista, 58 anos, traz no sangue a mistura de carioca com português. Em 1998, após trabalhar em alguns dos principais jornais, assessorias e sites do país, foi para o Ceará e descobriu um novo mundo. Há dez anos trabalha na Bahia, mas suas andanças não param. Formou comunicadores populares nas favelas do Rio e treinou jornalistas em Moçambique, na África. Conhece 14 países e quase todos os estados brasileiros. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.
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