Ginga com tapioca

Ginga com tapioca

A Redinha Velha, ali perto do encontro do mar com o belo Potengi, praia de pescadores e um passado ainda fresco de redes cheias de peixes graúdos, viu um dia as pequenas gingas que brilhavam saltitantes entre pescados de bons tamanhos, um excedente que muitas vezes era simplesmente enterrado para evitar mau cheiro e bagunças de gatos.

Seu Geraldo, mercador de peixes conhecido por ali e casado com Dona Dalila, já comerciante no Mercado Público local, teve a ideia de atravessar os peixinhos por palitos de coqueiro, passar na farinha de mandioca e fritar no dendê. Foi de Dalila a ideia de usar os espetinhos como recheio da sua tapioca com coco ralado.

Bem frequentado por veranistas e reduto da boemia por muitos anos, o boxe de Dona Dalila no Mercado foi ganhando frequentadores também de um turismo ainda emergente nas décadas de 50 e 60 do século passado.

De tudo isto nos conta Dona Ivanise, filha do casal inventor. Adriana Lucena, pesquisadora da nossa cozinharia teoriza no fragmento que exibiremos e em que discorre sobre identidade, raiz e tipicidade alimentar.

Na Bahia encontramos com o nome pititinga também em espetinhos ou soltos postos a secar e fritos em óleo quente sendo servidos como petisco apreciado em bares e restaurantes de Salvador e em todo estado. Manjubinha, nome que recebe em Sergipe e Alagoas, é servida de forma semelhante.

Crescemos ouvindo falar da iguaria em Natal sem nunca ter conhecido o prato e o sitio. Há uma semana fomos lá conhecer e nos deliciar com a conversa e o prato comido com as mãos em ambiente rústico, acolhedor, servido por Sandra, terceira geração da família Geraldo-Dalila a garantir que se perpetue a tradição culinária, hoje Patrimônio Cultural do Rio Grande do Norte e Imaterial de Natal.

 

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