O alce que foi parar no sertão

O alce que foi parar no sertão

O que estaria fazendo um alce empalhado no meio do sertão? É a primeira pergunta que fazemos quando entramos no Museu de Arte e Ciências de Itapetinga, que atualmente funciona em salas cedidas pelo ex-secretário municipal de esportes e ex-jogador do Bahia Charles Fabian, no estádio Antônio Carlos Magalhães, o Primaverão.

O alce é considerado por artistas e ex-diretores do museu como a peça mais valiosa do acervo, que compreende animais espalhados, quadros e esculturas, mobiliário antigo, eletrodomésticos, fotografias, coleção de moedas e cédulas e outros objetos.

Funcionários do museu contam que o animal empalhado pertenceu a coleção do imperador Dom Pedro II, depois foi doado ao Museu Nacional, no Rio de Janeiro, onde permaneceu 50 anos em um depósito (reserva técnica). O então prefeito José Vaz Sampaio Espinheira, fundador do museu e responsável pela montagem do acervo, que obteve a doação da peça para Itapetinga, em 1970. Consta que o alce teria sido empalhado na segunda metade do século XVIII.

UM PASSEIO PELO MUSEU

 

Fundado em 2 de junho de 1970 (outras fontes citam 11 de novembro de 1969), na Rua Olímpio Vieira, no Centro, o museu de Itapetinga passou por muitas dificuldades e chegou a fechar três vezes, a primeira por causa de problemas estruturais no prédio. O fechamento durou 15 anos, entre 1995 e 2010, até ser transferido para o estádio.

Nesse período, vários objetos se perderam e outros foram danificados. Primeiro, o acervo foi transportado para a escola José Vaz Pinheiro, depois espalhado por outros locais. As peças remanescentes foram guardadas no estádio em local inapropriado e com incidência de luz solar, que esmaeceu quadros e empenou estantes.

A ação de ratos e cupins destruiu ou danificou muitos objetos. O alce, por exemplo, foi dado como irrecuperável. No entanto, foi salvo graças ao trabalho meticuloso do artista plástico Sérgio Gomes. Hoje, o animal que teve suas patas restauradas e o enchimento e as orelhas refeitos, ocupa um dos dois espaços dedicados a dioramas (modo de apresentação artística tridimensional, realista, de cenas da vida real para exposição com finalidade de instrução ou entretenimento).

O Museu de Arte e Ciências, catalogado no Cadastro Nacional de Museus, foi constituído inicialmente por uma coleção de estátuas decorativas em gesso, doadas pela Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro e pela coleção de animais empalhados.

Gradativamente o acervo foi ampliado através de aquisições e doações de obras de artistas locais e objetos de moradores. Abriga hoje peças diversas usadas para estudo de antropologia, etnografia, artes visuais, ciências naturais, história, tecnologia, imagem e som.

Em 2015, novas obras de ampliação e adequação de espaço para criação da sala para cursos e oficinas. Dois anos depois, outra reforma durou nove meses e deu o formato atual do museu criando sala de artes plásticas para as estátuas, galeria, sala de tecnologia para abrigar máquinas e instrumentos antigos e modernos, o corredor de homenagens com fotografias de jogadores, prefeitos e outras personalidades da cidade.

Segundo Nilton de Souza Barbosa, 55 anos, filho do artista plástico São Félix e colaborador do Museu, os visitantes são em sua maioria estudantes e turistas. Ele também ressalta que o museu possui um quadro importante que retrata a assinatura da emancipação de Itapetinga, feita pelo governador Reges Pacheco, em 1952.

Jornalista, 58 anos, traz no sangue a mistura de carioca com português. Em 1998, após trabalhar em alguns dos principais jornais, assessorias e sites do país, foi para o Ceará e descobriu um novo mundo. Há dez anos trabalha na Bahia, mas suas andanças não param. Formou comunicadores populares nas favelas do Rio e treinou jornalistas em Moçambique, na África. Conhece 14 países e quase todos os estados brasileiros. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.
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