No Alto do Silva

No Alto do Silva

SOTAQUE DE UM POVO NAS BARRANCAS DO VELHO CHICO.

Seu Pombal, seria melhor o senhor ter dito que: “A escola não deve negar a existência de determinadas variedades linguísticas dentro do país, para que não se crie um preconceito”; e essa carga não recaia sobre a influência das línguas africanas no português brasileiro.


Marquês, seu decreto não passou nem perto do Alto do Silva. Aqui a gente brinca com as palavras, aqui temos liberdade para trocar letra, mudar o nome das coisas, inventar outra sonoridade…

Aqui a gente pinta o sete. Cartão é castão, porta é posta. Aqui é como lá que chama canjica de mungunzá, lá é como aqui que chama ananás de abacaxi. E assim: mandioca é aipim; enfeite é adorno; último é derradeiro; sandália é alpercatas; apertar é acochar; engravidar é mojar; caroço é calombo; comida é decumè; gripado é constipado; ensopado é guisado e bezerro sem mãe é enjeitado.

Para ser sincero com o senhor, seu Pombal, a escola deveria ter tido o reconhecimento das contribuições na formação da língua, incluindo as línguas indígenas e as línguas africanas.

A gramática normativa surgiu para estabelecer uma só maneira de se escrever, para que os textos não apresentassem as variações de palavra e letras, quando se tratava do mesmo assunto, no entanto, o senhor sabia, seu Marquês, que isso não era suficiente para enquadrar a língua a uma só forma. A língua acompanha a sociedade se esta muda, a língua acompanha as suas mudanças.

Coisas de Xique-Xique Bahia

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DICIONÁRIO BEIRADEIRO

Alto do Silva – Povoado de Xique-Xique

Arilson B. da Costa Contributor
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