Prosa na beirada

Prosa na beirada

SOTAQUE DE UM POVO NAS BARRANCAS DO VELHO CHICO.

Nascer no interior é um privilégio medonho, e nascer no interior da Bahia, ah! isso é presente divino. Sentar à beira do cais, em dia de feira, na cidade de Xique-Xique (imagina aí), é ter o prazer de deliciar com uma prosa dessa:

“Vai dizer que Nelsin, não levanta mais a cigana, é mesmo que benzer pólvora com tição de fogo, o homem vira 00um bicho, ele disse que nem precisa tomar viagra, basta beber o chá da flor do moleque-duro. Já Aroldo da Ponte da Suacica, disse que faz é comer semente de melencia, esses dois são mais incutido que Orelo Baia.”

“Oh! Saudade do meu tempo de muderno, num precisava beber nada disso, porque a gente era criado em riba do caldo da guerra do cari, no caldo de traíra, comia cabeça de curimatá, ova de piranha, e depois de uma rapadurinha com farinha, bebia uma aguazinha fresca da moringa. Cê num viu Zé Francisco, mesmo com selviço pesado daquele, judiado na rede de Caroá, inda fez um fi depois do sessenta.”

COISAS DE XIQUE-XIQUE NA BAHIA

–*–*–

DICIONÁRIO BEIRADEIRO

Cari, traíra, curimatá, piranha – Peixes.

Caldo de guerra – Caldo feito com as membranas respiratórias dos peixes

Orelo Baia – Senhor de mais de oitenta anos metido a ser namorador

Moleque-duro – Planta  medicinal cujo  efeito, segundo os beiradeiros, cura a impotência e falta de ereção.

Rede de caroá – Pescaria artesanal com rede de arrasto feita de caroá.

Arilson B. da Costa Contributor
follow me

Deixe um comentário.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *