Arte de pedra

Arte de pedra

O garimpo de esmeralda na Serra da Carnaíba, em Pindobaçu, a 42 km de Campo Formoso, na Bahia, começou em 1963, na cadeia de serras das Jacobinas. Na década de 1980, as pedras preciosas extraídas ali representavam toda produção de esmeralda produzidas no Brasil e 25% do total de exportação de gemas, com exceção do diamante.

Vinte anos depois, nova jazida surgiu na Fazenda Piabas, em Campo Formoso, conhecida como “Cidade das Esmeraldas”. Logo, se transformou no garimpo Socotó, cuja produção suplantou a de Carnaíba.

No entanto, nem toda esmeralda é preciosa e em torno dela se agrupam diversos tipos de rochas, como a biotita – pedra do grupo das micas ou malacachetas, constituída de potássio, magnésio, ferro e alumínio – e o granito. E é desse material que a Associação dos Artesãos Mineiros de Campo Formoso produz o artesanato, que é vendido em cidades de cinco estados, incluindo o de origem.

Todos os diretores da associação aprenderam a fazer desde os famosos jumentinhos que carregam caçuás, repletos de pedras verdes, até belas imagens de garimpeiros e de inspiração religiosas na escola de artesanato do governo do estado. No entanto, há três anos, a instituição foi desativada, com a alegação de baixa procura.

PH, Edézio e Itamar: direção da associação. Foto: Paulo Oliveira

O presidente da associação de artesãos, Itamar Paulino Santana, 44 anos, aprendeu a transformar substâncias e rejeitos de atividades minerais em arte. Ele conta que para formar um artesão mineral é preciso pelo menos um ano, “tempo suficiente para perder o medo das máquinas e aprender o básico”.

Para fazer peças elaboradas pode levar muito mais tempo. Edézio Galvão da Silva, que hoje faz peças maiores, como panteras em torno de gruta que jorra água, trabalha no ramo há 25 anos.

Itamar lamenta que não haja aprendizes na entidade, que funciona em um espaçoso galpão e possui diversos ambientes, incluindo a sala de serragem, usinagem e tornos e a de corte e alisamentos. Atualmente, o presidente, Edézio, secretário da associação, e Paulo Henrique Lima Miranda, tesoureiro, utilizam as oficinas com mais duas pessoas.

Sala de serragem, usinagem e tornos . Foto: Paulo Oliveira

O trabalho começa com a compra da carga de rejeitos de esmeraldas. Antes a matéria-prima era gratuita, mas os garimpeiros passaram a cobrar entre R$ 15 e R$ 20 a tonelada de pedras pequenas e de baixíssimo valor. O material vem do garimpo de Carnaíba e é suficiente para três meses. Eventualmente, outras pedras podem ser utilizadas.

Um artesão produz entre 30 e 50 peças pequenas, como o jeguinho, mensalmente. As maiores levam até 90 dias para a conclusão. Os preços das obras produzidas na associação variam de R$ 25, um jegue, a R$ 5 mil, imagem de Padre Cícero ou das panteras e a gruta.

Nossa Senhora, panteras e Padre Cícero custam R$ 5 mil

Serviço: Para fazer contato com a associação, ligue para (74) 99195-4810 (Itamar).

Jornalista, 58 anos, traz no sangue a mistura de carioca com português. Em 1998, após trabalhar em alguns dos principais jornais, assessorias e sites do país, foi para o Ceará e descobriu um novo mundo. Há dez anos trabalha na Bahia, mas suas andanças não param. Formou comunicadores populares nas favelas do Rio e treinou jornalistas em Moçambique, na África. Conhece 14 países e quase todos os estados brasileiros. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.
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