Bar do Getúlio e a venda de cachaça

Bar do Getúlio e a venda de cachaça

O Bar do Getúlio, em frente à Igreja Matriz, na cidade de Cedro de São João (SE) sempre bateu recorde de venda de cachaça. Em seus áureos tempos, o mínimo comercializado eram 600 litros por mês ou 7.200 litros por ano.

Segundo o Centro Brasileiro de Referência da Cachaça, o consumo nacional foi de 11,5 litros por ano, em 2012. Se projetarmos este dado para hoje, pelo menos 626 clientes fazem o bar do Cedro faturar R$ 72 mil anuais, já que a aguardente é vendida a R$ 10 o litro, em garrafas plásticas.

Estudo de 2014 da Organização Mundial de Saúde, diz que a média de consumo de álcool puro no Brasil é de 8,7 litros por pessoa. Isto leva a doenças como câncer de esôfago, câncer de laringe, pancreatite, crise hepática e casos de violência interpessoal.

Há alguns anos, Getúlio resolveu deixar o bar para a filha Su e o genro tocarem o negócio. Ele se mudou para Propriá (SE) e abriu uma loja de doces. Os novos proprietários fizeram uma grande reforma para atrair nova clientela. Isto fez a venda de cachaça cair 34%. Além do litro, há opção de compra de garrafas de 300 ml a R$ 2,50.

CACHAÇA E VOTOS

No Cedro, a cachaça tem tantos consumidores que certa vez tentaram convencer um fuzileiro naval aposentado a concorrer ao cargo de vereador. O militar da reserva mantinha um galão da bebida atrás da porta e servia para quem lhe pedisse, gratuitamente.

Muitos de seus amigos eram trabalhadores rurais que tomavam tragos ao final da tarde. Por conta disso, admiradores da bebida, incentivavam o ex-fuzileiro a concorrer ao cargo de vereador, o que não ocorreu porque o fornecedor da “purinha” não aceitou a proposta.

Jornalista, 58 anos, traz no sangue a mistura de carioca com português. Em 1998, após trabalhar em alguns dos principais jornais, assessorias e sites do país, foi para o Ceará e descobriu um novo mundo. Há dez anos trabalha na Bahia, mas suas andanças não param. Formou comunicadores populares nas favelas do Rio e treinou jornalistas em Moçambique, na África. Conhece 14 países e quase todos os estados brasileiros. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.
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