Mês: junho 2017

Travessias do São Francisco

O ônibus que faz a linha Salvador-Barra para de repente na estrada, após 13h30 de viagem. Os faróis do veículo da empresa Cidade Sol são a única iluminação. Um pouco adiante, se vê três pessoas, próximas a uma moita. “Por que parou? ”, pergunta um dos quatro passageiros que ainda estão no veículo após 12 paradas em cidades e povoados. A explicação é simples: a estrada acabou. É preciso esperar a balsa para seguir até Barra. …Ler mais.

Terra sagrada

Camacan é uma cidade do sul baiano bem próxima ao sertão (fica a 67 km de Potiraguá). Fundada em 1961, foi uma das maiores produtoras de cacau do país na década de 70, mas entrou em declínio 20 anos depois por causa da praga “vassoura de bruxa” que dizimou as plantações.

Também é conhecida por causa da violência no campo e conflitos de terra. Um novo confronto parece ser iminente após o quarto despejo das 36 famílias do assentamento Terra Sagrada Guanabara I, realizado ontem (1º de junho). Os agricultores, que recuperaram a mata nas margens do rio Pardo e tornaram a propriedade produtiva, divulgaram a “Carta de Luta e Resistência do Nosso Povo!”, pedindo ajuda aos governos federal e estadual.

O coordenador da Pastoral Rural da Juventude e colaborador de Meus Sertões, Joabes R. Casaldáliga, passou quatro dias no local e conta esta história através de vídeos e fotos que produziu no local.

Sem-terra esperam barco para levá-los para uma ilha do município de Mascote (BA)

“Pude acompanhar a movimentação nos dias que antecederam o despejo. Conversei com crianças, jovens, adultos e idosos e registrei seus sentimentos e angústias. Vivenciei a dor de quem tem que deixar sua plantação, criação e amargar prejuízos Trago comigo somente a esperança, que Deus e os “encantados” do rio Pardo (como crê Jucélia, a líder do assentamento) os protejam”.

As famílias despejadas foram para uma ilha do rio Pardo no distrito de São João do Paraíso, em Mascote (BA). No entanto, esperam voltar.

JUCÉLIA, A LÍDER do grupo

MARINALVA E VALCI ALVES CAMBRA, AGRICULTORAS

MARINILZA, QUATRO DESPEJOS E AMEAÇAS
SUPOSTOS JAGUNÇOS

VAQUEIROS ESPIÕES E ROUBO DE GANSOS

 

Nota: Após o prazo dado pela justiça para o despejo, os sem-terra que tinham deixado o local voltaram para a propriedade no domingo (4/6/2017). A estratégia é permanecer até que o governo federal desaproprie a Terra Sagrada.

O espetáculo circense da transposição

Este ano completa uma década que Dom Luiz Flávio Cappio, bispo da diocese de Barra (BA) fez pela segunda vez greve de fome em favor da revitalização do rio São Francisco e da população ribeirinha. Dom Luiz sempre defendeu que se uma pessoa anêmica não pode doar sangue, um rio doente não pode ter suas águas transpostas para outras localidades antes de ser revitalizado. Em entrevista exclusiva ao site Meus Sertões ele avalia o que está ocorrendo com o São Francisco e avalia a decisão do governo federal de tocar a qualquer custo a obra de transposição, transformada, segundo o religioso, num espetáculo circense. …Ler mais.