Fazenda Riacho Fechado

Fazenda Riacho Fechado

A família do criador Josimar Alves da Silva, o Mazinho, 45 anos, tem duas fazendas. Uma na comunidade Riacho Fechado e outra no povoado de Xique-Xique, ambas em Macururé. Nas propriedades estão os rebanhos dele, dos irmãos e do pai, que dá a última palavra sobre o que fazer com os animais. Mazinho frequentou encontros com entidades que ensinam os proprietários rurais a conviver com a caatinga. Aprendeu muito, mas o pai, aos 81 anos, recusa novidades.

Mazinho reduziu em 90% a criação de bovinos

O foco em Macururé é a criação de caprinos. Há alguns anos os bois imperavam. No entanto, com as estiagens prolongadas, os criadores aprenderam que os bovinos não têm futuro na região. A família de Mazinho reduziu a criação em 90% – antes tinha 130 cabeças, hoje são 14. Resolveu apostar nos caprinos por serem mais resistentes, mesmo assim em um rebanho, criado em fundo de pasto (solto na caatinga), menor.

O clima na região é muito seco. Anualmente, registra a quantidade de chuva varia de 200 mm por metro quadrado a 600 mm. Um dos maiores problemas é a falta de uma grande represa. Desde criança, Mazinho ouve falar no projeto da Barragem do Careta, promessa de muitos políticos, inclusive do atual governador da Bahia Rui Costa. O açude que resolveria o problema de água de Macururé e Chorrochó não saiu do papel. O governo alega falta de recursos e diz estar negociando com o Ministério da Integração.

Em muitos locais não há energia elétrica e as bombas que puxam água do poço são movidas a diesel. Dessalinizador instalado na região para resolver o problema de poço com água salobra está desativado. Há promessas de que outros serão construídos.

Macururé tem 8.288 habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sua economia gira em torno do funcionalismo público, dos aposentados, de recursos de programas sociais e do bode, segundo Mazinho, que conta como funciona este mercado.

Apesar dos problemas, a última vez que um animal morreu de sede ou fome na Fazenda Riacho Fechado foi há dois anos e meio, no fim de 2014. Sinal de mudança na forma do sertanejo conviver com a seca, embora a tradição de rezas e promessas para chover ainda se mantenha. Leia abaixo, a íntegra da entrevista com Mazinho.

Como é conviver com a seca e como isso influencia nas atividades dos criadores?

Nossos terrenos aqui são muito acidentados, cheios de cascalhos, então não produzem quase nada. Há poucas plantações. A criação de bode, essa sim, é o foco da região. Alguns donos de terras criam bovinos, mas não tem futuro por causa da estiagem que é longa. A forma que criamos os bodes não é bem para se manter, mas para ter uma renda complementar. Precisa pagar uma conta, vamos lá, pegamos um bode e vendemos. A forma que a gente encontra para aprender a conviver com a estiagem é aproveitando os recursos da caatinga para alimentar os animais. Aqui não tem plantio de capim, não tem irrigação.

Você tem outra atividade além de criador de animais?

Tenho, trabalho na prefeitura. Sou guarda municipal há 14 anos, em um posto de saúde. Saio daqui diretamente para a roça para cuidar de meu rebanho. Eu tinha mais uma atividade. Era vendedor de consórcio de motos Honda desde 2012, mas na segunda-feira (6 de fevereiro de 2017) fui dispensado.

Voltando à questão da convivência com a seca, você participou de encontros e cursos com entidades que dão apoio e assistência técnica aos criadores e pequenos agricultores no semiárido?

Participei. Fui voluntário entre 1997 e 2009. Participava Associação Regional de Convivência Apropriada ao Semiárido (Arcas), em Cícero Dantas, que era quem executava os trabalhos, principalmente de construção de cisternas, em Macururé. Tinha também a Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), que a gente chamava a Asinha. Promovíamos encontros quinzenais na casa paroquial. Esses encontros acabaram com o tempo. Já dos encontros do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), não participei, mas um primo acompanhava. As reuniões eram em Juazeiro.

A criação que você possui já era sua ou foi algo que começou depois desses encontros?

Meu pai nasceu nessa fazenda e nunca saiu de lá. Completou 81 anos agora. Por todo esse tempo a gente tem criação.

Você implantou as técnicas que aprendeu nos encontros para melhorar sua criação?

Participei de muitos treinamentos porque gostava e aprendi muito. Mas não mudei muita coisa porque meu pai, que vem de um tempo bem mais antigo, é quem determina o que deve ser feito. Ele diz: “isso aqui é dessa forma, toda a vida foi assim” e mantém o jeito dele. Mas algumas coisas, estamos botando em prática.

O que por exemplo?

A aplicação de vacinação. A redução do rebanho, que era bem maior. Diminuímos para poder manter os animais no período da estiagem

De quanto foi a redução?

O nosso rebanho de caprinos e ovinos baixou 60%. E a criação de gado, que já foi o foco principal, foi reduzida em 90%.

Mais alguma coisa do que você aprendeu está sendo utilizada?

Não fazemos as técnicas de manejo adequado. A gente cria os animais em fundo de pasto, soltos no mato. Em toda a região, os terrenos cercados são pequenos. A gente só prende a criação quando precisa cuidar de alguns bichos, dar mais ração e no período em que as fêmeas vão dar cria. Com os bichos soltos no mato não temos o cuidado de comprar um reprodutor x para botar para cruzar e melhorar a criação. Sabemos que o certo era ter o reprodutor preso com a criação, mas não tem como fazer isso. Solto, ele vai procurar a criação do vizinho.

Aprendi técnicas de fazer feno, participei de cursos, mas só coloquei em prática por um ano. A gente tinha muito capim buffel (originário da África, Índia e Indonésia e introduzido no Brasil, em 1952, e depois trazido para o Nordeste por possuir boa capacidade produtiva e resistência a longos período de estiagem) na roça. Mas veio a seca, se não me engano a que durou cinco anos e morreu tudo, em 1999. Essa foi a maior seca daqui. Deixamos de produzir a forragem (alimento para os rebanhos).

Como é consumido os caprinos que vocês criam?

Abatemos alguns para o consumo de casa. Todos são pé-duro (sem raça definida). A maior parte é vendia em pé (vivo) na feira. Existe a propaganda que Uauá é a terra do bode, mas na realidade Macururé é que é. Toda terça-feira o que sai de caminhão carregado de bode é uma enormidade, não tem outro lugar igual, mesmo diante de toda essa estiagem. As vendas são feitas para atravessadores.

Bodes vendidos na feira. Foto: Formosa News

Quantas cabeças são vendidas por semana, em média?

Antes chegava a saírem 400, 500 cabeças. Hoje, o movimento gira em torno de 150, 200. Na verdade, a queda ocorreu não por falta de animais. Os atravessadores que estão aparecendo é que são poucos.

Ao que se deve a diminuição do interesse dos atravessadores?

Eles reclamam muito do preço. Dizem que a venda caiu lá fora porque o bode ficou muito caro.

Qual o destino dos bodes vendidos aqui?

Eles vão principalmente para Paulo Afonso, cidade a 110 km de distância. Boa parte do que é comprado é fornecido para o presídio regional. Os dois atravessadores mais fortes fornecem alimentos para os presos. Tem vezes que aparecem compradores de Araripina e Floresta, em Pernambuco, e outros de Alagoas e Sergipe.

Por quanto é negociado uma cabeça de caprino?

Eles são vendidos por valores entre R$ 150 e R$ 250. A venda de caprinos movimenta semanalmente entre R$ 35 mil e R$ 50 mil.

Esses bodes atingem que peso?

Entre 12 e 25 quilos.

Quanto tempo leva para um animal atingir esse peso?

Demora. Os bodes de nossa região, os pés-duros levam, no mínimo, dois anos e meio para chegar a esse peso. Alguns levam até três anos. Se nós tivéssemos ração, comida suficiente, chegariam em 10, 12, no máximo 18 meses, a este porte. Como não temos a quantidade necessária de alimento, o cabrito nasce, começa a crescer. Aí chega o verão. Ele fica barrigudinho, só cresce a barriga. Quando volta a chover, começa a se recuperar. Ele não cresce direto. Cresce e dá uma paradinha por causa do período da estiagem.

Nos últimos tempos, você chegou a perder algum animal por conta de fome e sede resultante da seca?

Nós somos sete irmãos, mas a gente cria tudo junto meu pai. O rebanho dele chegou a ter 130 cabeças de bovino. Ele começou a vender os mais fortes para comprar ração para os mais fracos. Hoje (9/2/2017), decidi contar para ver quantos tem. São 14. Desse total, parte foi vendida. Cerca de 30 morreram entre 1999 e 2014. Se demorar a chover muito, talvez volte a morrer mais algum. Para comprar ração, meu pai tem que tirar da aposentadoria, o que tira um pouco da boca dele.

Você calcula que os bichos durem mais quanto tempo?

Sem chuva?  Mais uns dois meses.

A alternativa não é vendê-los?

Com a situação que está não se acha comprador. Quando meu pai decidiu reduzir o rebanho, veiou um “cabra” da região metropolitana de Salvador, não me lembro a cidade. Ele veio e escolheu os melhores animais no meio do rebanho todo. Levou 20 cabeças e ofereceu R$ 200, uma pela outra. Meu pai pediu para ele pagar um pouquinho a mais. O “cabra” falou: “Então fique com o seu gado aí”. Duro foi dobrar o sujeito para não desfazer do negócio. Ele sabia que estávamos precisando vender porque se ficasse ia morrer. Então fechamos o negócio.

Qual foi a última vez que morreu um animal de sua criação?

O último, por falta de comida, tem mais ou menos dois anos e meio. Há dois anos não foi tão bom de chuva, mas foi razoável, aí não morreu. Com a criação de bode, às vezes acontece de morrer de doença. Mas a resistência dos caprinos é bem maior do que dos bovinos. Do jeito que estamos aqui, eles suportam até junho, julho mesmo com pouca comida. Sabe porquê? Quando falta a folha das árvores, eles roem a casca dos paus e vão levando a vida.

Há quanto tempo não morre um humano por causa da seca?

Graças a Deus apareceu o projeto Bolsa Família que evita que muita gente passe fome. Aqui o pobrezinho tem cinco, seis, dez filhos. Alguns conseguem um salário mínimo do Bolsa Família. Então, pelo menos com o básico dá para ir levando. Se tirar o Bolsa Família, esse pessoal vai sobreviver de quê?

Qual o tamanho do rebanho de bode da tua família?

Temos hoje cerca de 350 cabeças de bode.

Na região tem algum grande criador?

Tem não, tinha um, mas faleceu. Era o Sindô, que a gente chamava Sindozão. Ele perdia muitos animais porque não trabalhava com a tecnologia. Tinha dinheiro, era um dos homens mais ricos da cidade, mas a criação dele era voltada só para aquela base da antiguidade. Ele morreu tem uns cinco anos. Ele era solteiro e os sobrinhos venderam tudo. Só ficou a propriedade, que está abandonada. Sindô, só de bovino, chegava a 800 cabeças ou mais. Ele criava no município inteiro. Alguém queria vender uma rês porque apertava, ele comprava. Para todo lado que você olhasse, ele tinha animais. Bode ele não tinha muito apego a criação. O negócio dele era boi.

Foram feitas previsões de que iria chover muito este ano…

O período da chuva está um pouco atrasado. Aqui chove, às vezes, em dezembro. Coisa rara é chuva em novembro. Como choveu em dezembro pelo menos a folhinha do pau ainda tem. Não caiu água em toda a região, só passou em um trecho. Agora em janeiro, quando chega mais ou menos dia 15 – e de lá até março – é o período da chuva. Passou de março, se não chover, será um período muito difícil.

Por aqui tem alguma região com melhores condições para as criações?

Tem. É a região que pega parte do Raso da Catarina. É boa até para plantação e tem água de poços artesianos profundos com muita vazão. Fica nos povoados de Sansaité, Salgado do Melão e São Francisco, pega o Raso e sai em Canudos. Nesse trecho, o terreno é arenoso, a comida dos animais é de um tipo diferente, uma rama. Bate uma chuva e brota. Os animais comem e engordam. Aqui é capim, tem que chover muito. Além disso, tem a folha da catingueira e a da faveleira, mais nada.

Como é a água que existe nesta região que o senhor considera melhor do que onde estamos?

Tem um poço que fica em Salgado do Melão e abastece até um povoado aqui perto, Marruá. Acompanhei a equipe que veio do governo, do projeto Gente de Valor, no tempo que frequentava as reuniões da Arcas. Eles fizeram a análise da água desse posso e de outro em Icó (BA. O resultado não deu água mineral porque acusou um pouquinho de calcário na água. São os dois poços melhor água em Macururé. Os caminhões-pipas pegam água lá para abastecer toda a região.

No caminho para cá, vi uma estação de dessalinização no povoado de Caraíbas, em Chorrochó. Como está esse projeto?

Está desativado. Este o primeiro poço que colocaram dessalinizador. Agora fizeram outro perto da outra fazenda de minha família, no povoado de Xique-Xique, mas não instalaram o equipamento ainda. Dizem que vão instalar. Nunca vi um dessalinizador funcionar. A manutenção é um cara e os moradores não tem condições de pagar.

O das Caraíbas chegou a funcionar?

Funcionou.

Por quanto tempo?

Não sei. Tem muitos anos que ele está desativado. (Nota: os primeiros dessalinizadores foram instalados na Bahia entre 1994 e 1998).

Quem é o responsável por manter o equipamento parado?

Aqui para nós é incrível a situação. Vem a Companhia de Engenharia Ambiental e Recursos Hídricos da Bahia (Cerb), perfura um poço, instala o dessalinizador, deixa tudo pronto e entrega à comunidade, que seria responsável pela manutenção. Mas no interior, geralmente, tudo depende da prefeitura. Aqui tinha um poço com motor a diesel, a prefeitura tinha que dar o óleo. Em Sansaité a situação é a mesma. Na comunidade de Santa Cruz, que não tem energia elétrica, tem um poço com água boa, mas se a prefeitura não der o óleo para o motor, os moradores, os mais carentes da cidade, ficam sem abastecimento.

Quem instalou o dessalinizador?

Esse das Caraíbas, em Chorrochó, eu não sei. O das comunidades que citei foi a Cerb, que é uma empresa que representa o estado (Nota: A Cerb é vinculada à Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento (SIHS) e é contratada para locação, instalação e operação de dessalinizadores com vazão de até 200 mil litros por hora)

Em uma escala de um a dez em termo de gravidade de estiagem, Macururé hoje está em qual patamar?

No momento, estamos em seis nessa escala. A gente está em um momento em que estamos esperando a vontade de Deus.

Pelo aspecto religioso, o que o povo daqui faz para tentar fazer com que chova?

Aqui ainda tem pessoas com a cultura de rezas na comunidade. São várias comunidades que organizam as rezas, principalmente na minha região. Recentemente, foi realizada uma em Tintim, próximo à comunidade de Marruá. É uma tradição forte. Acontece no dia 2 de fevereiro. Na comunidade de Riacho Fechado, há reza no dia 13 de dezembro. São várias comunidades em que há tradição de se encontrar para rezar e pedir chuvas. Elas ocorrem, chovendo ou não.

Tem missa, procissão, elas ocorrem nas casas das pessoas?

As rezas, como são chamadas, ocorrem em dias de santos. Por exemplo, dia 13 de dezembro, Santa Luzia. A comunidade se reúne na casa de uma pessoa. Algumas duram o dia todo. A maioria ocorre de meio-dia às cinco da tarde. Além disso, têm encontros de comunidades em que missas são celebradas com o apoio do padre.

São feitas promessas?

O pessoal faz promessas. Mas a quantidade está diminuindo bastante. Tinha a comunidade onde morava uma senhora chamada Dona Chiquinha. Ela já faleceu. Chegasse um período de estiagem, ela convocava o povo para fazer penitência. Quem tivesse sua imagem levava e saía no meio dos matos rezando. Parava em um lugar, rezava um pouquinho. Parava em outro lugar e mais um pouco de orações. Andavam pela região inteira. O último ano que fizemos, se não me engano, foi em 2007 ou 2008. A situação estava difícil e essa senhora tinha falecido. A gente lembrou da tradição e levou uma imagem do padroeiro (Nosso Senhor do Bonfim) de Macururé, cuja igreja foi fundada por parentes de minha avó. Fomos para um riacho lá e passamos o dia todo num momento de espiritualidade. À noite, choveu. Não sei se foi a nossa fé, mas choveu muito. Graças a Deus.

Tem alguma coisa marcada para este mês (fevereiro 2017)?

Tem uma reza marcada para o dia 3 de maio. Antes, tinha um senhor que fazia as preces em 19 de março, dia de São José. Ele morreu e os filhos não continuaram a tradição. Até essa data temos esperança. O pessoal aqui diz que tem que plantar em março para assar o milho na fogueira no São João. Se não cair chuva até o dia de São José, o pessoal começa a ficar já triste. Aqui o volume de chuva, quando chove muito varia de 500 mm a 550 mm por metro quadrado, anualmente. Na melhor das hipóteses, chega a 600. Há alguns anos, o problema não é nem tanto a falta da chuva, é não ter reservatório para segurar essa água. Mesmo que caia uma enxurrada, a água escorre em direção ao rio São Francisco e em pouco tempo tudo está seco.

As cisternas construídas nos últimos anos não são suficientes para reservar essa água?

Aqui tem uma quantidade razoável de cisternas. Temos vários convênios assinados. Praticamente 90% das casas da zona rural tem uma cisterna. Se não fossem elas, não sei o que seria da população. O programa do carro-pipa do governo federal e do Exército só coloca a água nestas cisternas. Se elas não existissem, o pessoal não receberia água.

Quando você fala que não tem reservatório está se referindo a uma barragem?

Sim. A grandes barragens. Quando chove bem tem água em setembro. Em outubro, novembro, dezembro, começa a estiar e poucos reservatórios conseguem reter alguma coisa. Por isso, pequenas barragens não adiantam. Aqui não tem açude grande. A água consumida na cidade vem de poço artesiano do povoado de Sansaité, próximo ao Raso da Catarina. O fornecimento tem sempre problema por causa dos frequentes defeitos na bomba. Quando isso ocorre é sempre um desastre.

Existe algum projeto para resolver o problema de abastecimento da cidade?

Há muitos anos, desde quando eu era pequeno, ouço falar do projeto da Barragem do Careta. Existe o projeto, dizem que vai sair e nada acontece. (Nota: O projeto do açude é explorado politicamente há muitos anos. Primeiro foi promessa do deputado federal Mário Negromonte, hoje investigado pela operação Lava-Jato. Em 2014, o então candidato ao governo da Bahia, Rui Costa, incluiu o projeto em suas promessas de campanha. Eleito, disse que buscaria recursos no governo federal. Ontem, a assessoria da Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento da Bahia informou que a construção da represa está nos planos de Rui Cosa, mas ainda não saiu do papel por falta de recursos. A SIHS informou ainda que o governo estadual depende de verbas do Ministério da Integração)

Você tem filhos? Algum deles pretende criar animais?

Tenho quatro filhos e eles ficam aqui na cidade para estudar. Minha filha concluiu o ensino médio há dois anos e não temos condição financeira para ela fazer uma faculdade em outra cidade. Outro filho está com 17 anos e também se formou (ensino médio) no final do ano passado. Tenho um rapaz de 14, que está no sexto ano, e uma menina com 10, que está no quinto ano. O do sexto está atrasado. Esse gosta demais da roça, mas estudar não quer. O que tiver na roça para fazer é com ele.

Aqui em Macururé tem escolas agrícolas?

Não. A mais próxima, se não me engano, fica em Cícero Dantas, 220 km de distância via BR-110 e a 301 km, se for pela BR- 116.

Há quem considere que a política de carros-pipas ainda é um instrumento político muito forte, apesar da presença do Exército. Ainda existem problemas com relação a esta distribuição?

O carro-pipa pode beneficiar alguém, mas se esse carro-pipa do Exército não fosse usado, a situação em Macururé, falo especificamente de Macururé, estaria bem grave porque o pessoal não tem condições de pagar por uma carrada de água. A água para cá está vindo do rio São Francisco, a 42 km. Para abastecer a outra parte do município, vão pegar água em Ibó (BA). Eles rodam mais ou menos 90 quilômetros por uma carrada de água. O custo fica muito alto para a população.

O que Macururé precisa para melhorar?

A construção de aguadas, pois perde-se muita água. É preciso que a prefeitura busque parcerias com o governo estadual porque sem isso fica difícil.

Jornalista, 57 anos, traz no sangue a mistura de carioca com português. Em 1998, após trabalhar em alguns dos principais jornais, assessorias e sites do país, foi para o Ceará e descobriu um novo mundo. Há dez anos trabalha na Bahia, mas suas andanças não param. Formou comunicadores populares nas favelas do Rio e treinou jornalistas em Moçambique, na África. Conhece 14 países e quase todos os estados brasileiros. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.
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