Sem reza não chove

Sem reza não chove

Em suas andanças pelos sertões, a médica e pesquisadora de cultura popular Helenita Monte de Hollanda entrevistou o senhor Arlindo Ramos, nascido em 1915.

Na conversa gravada no povoado de Utinga, Xique-Xique (BA), Arlindo atribui a três fatores o fato da produção agrícola no local ter diminuído consideravelmente:

1- À mudança do clima.

2- Aos terrenos que enfraqueceram.

3- À falta de reza

O aposentado conta que houve grandes enchentes na região em 1919, 1924 e 1926:

“Agora é tudo seca e desolação” – diz.

Ele diz que antes, as chuvas eram muitas porque havia fé. Principalmente, em Nossa Senhora da Conceição. Segundo o ex-agricultor, nem mesmo ele reza mais aos sábados.

Reclama ainda das mulheres terem parado de ir à igreja e dos falsos crentes em Deus, que andam armados:

“Quem bulir é faca ou tiro. Mas para mim, a “crentidade” é minha arma”.

Nasceu e cresceu numa típica família brasileira. Potiguar, morando na Bahia há vinte anos, é médica de formação e pesquisadora da cultura popular. Nos últimos 10 anos abandonou a sua especialidade em cardiologia e ultrassonografia vascular para atuar como médica da família na Bahia e no Rio Grande do Norte, onde passou a recolher histórias e saberes. Nessa jornada publicou cinco livros.”. No final de 2015 passou temporada no Amazonas recolhendo saberes indígenas.
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