Promessa não cumprida

Promessa não cumprida

Maria José Monteiro, a Marré, anda agoniada. É que ela fez uma promessa à Santo Antônio e não consegue pagá-la.

O pedido ela fez assim que viu o jogador Neymar, da seleção brasileira, cair e ficar se contorcendo no gramado, após ser atingido pelo colombiano Zuñiga, em jogo das quartas de finais da Copa do Mundo de 2014. A lesão o tirou da competição.

“Quando vi o sofrimento, percebi que ele não ia andar tão cedo. Prometi, então, a Santo Antônio que daria a maior girândola que existisse se Neymar caminhasse logo” -, conta Marré.

A moradora de Uauá não sabia que os fogos de artifício eram tão caros. A maior girândola que encontrou na cidade custava R$ 500. A mais barata, com morteiros de 468 tiros e cerca de dois minutos de queima, era vendida por R$ 129.

Junho está chegando, falta um mês para a promessa completar dois anos e Marré não sabe o que fazer. Ela me pede para entrar em contato com Neymar para ver se ele compra os fogos ou manda o dinheiro para o cumprimento da promessa. Dá o endereço na rua da Lagoa e o telefone.

Pede também para que eu diga que se não fosse o santo, o atacante não estaria andando. Por fim, promete, diante da amiga Nildinha, que não fará mais pedidos se conseguir escapar dessa enrascada.

Mandei um e-mail para o Barcelona, mas Neymar não respondeu.

Jornalista, 57 anos, traz no sangue a mistura de carioca com português. Em 1998, após trabalhar em alguns dos principais jornais, assessorias e sites do país, foi para o Ceará e descobriu um novo mundo. Há dez anos trabalha na Bahia, mas suas andanças não param. Formou comunicadores populares nas favelas do Rio e treinou jornalistas em Moçambique, na África. Conhece 14 países e quase todos os estados brasileiros. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.
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