Meus Sertões

O enigma da tatuagem

É hora da merenda na escola municipal da comunidade quilombola da Baixa do Quelé, em Jeremoabo, quando João Farias Filho passa com uma garrafa plástica com um líquido escurecido numa das mãos e um saco na outra. No braço, ele traz uma tatuagem enigmática: “SIAMUSA”. João causa um alvoroço entre a criançada que merenda debaixo do cajueiro, na área central da localidade. Um dos meninos pergunta o que ele carrega na garrafa. A resposta está na ponta da língua: “dipirona”, substância farmacológica usada para dor e febre. A criançada ri porque a fama de alcoólatra precede João. Não sabe que junto à bebida está misturada casca de pindaíba, indicada para dores no estômago e nos rins, dentre outras propriedades medicinais. A resposta, a princípio irônica, faz algum sentido.

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Patrimônio ameaçado

A Fazenda Nossa Senhora de Brotas, que pertenceu ao poderoso coronel João Gonçalves de Sá e abriga a capela em homenagem à santa e a antiga mansão do mais conhecido chefe político de Jeremoabo, tem destino incerto. Desde que foi comprada pelos empresários Marco Dantas, Deri e Beto do Caju não se sabe o que será feito com este patrimônio histórico.

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No tempo dos coronéis

A Fazenda Nossa Senhora de Brotas foi vendida para três empresários de Jeremoabo, que ainda não decidiram o destino final da mansão e da capela de Nossa Senhora de Brotas. Eles estão construindo imóveis para por à venda na área em que existia um engenho e um canavial. No tempo dos coronéis, a construção ao lado da mansão era usada pelos escravos que serviam à casa grande. Hoje, parte da imponente moradia está em ruínas e suas portas e janelas estão trancadas. Na igrejinha, ao lado, só há lixo no interior.

A história da fazenda

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Padre Cícero e o senhor Ogum

A distância entre o Terreiro de Ogum, na Baixa da Lagoa, comunidade quilombola, e o centro de Jeremoabo (BA) é de 26 quilômetros por estrada de terra ou uma hora e dez minutos “de relógio”, como dizem os baianos. No caminho se avistam araras azuis. Ali, a caatinga é tão verde que muitos moradores acreditam estar diante da Mata Atlântica em pleno sertão.

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Sementes de esperança

Entre 2000 e 2010, 383.472 pessoas migraram do interior baiano para as grandes cidades. Jovens, entre 16 e 29 anos, corresponderam a 47% dos migrantes. O fenômeno de envelhecimento dos trabalhadores rurais da Bahia preocupa as autoridades, ainda mais que o estado tem a maior população de pequenos agricultores do país – cerca de 4 milhões. …Ler mais.

A motocicleta que deu cria

No ponto de mototaxistas em frente à Câmara Municipal de Jeremoabo, no sertão da Bahia, as conversas, na semana seguinte às eleições para prefeito e vereadores, giram em torno de um assunto: quem mais ganhou com as apostas feitas durante o período eleitoral. Ali, se reproduz o que acontece na cidade, incluindo os distritos e povoados mais afastados. Isto porque há mais de 50 anos, aposta-se em tudo que diz respeito aos candidatos: Quem vai ganhar? Qual será a diferença de votos entre dois adversários? Quem será o vereador mais votado? Qual a quantidade de votos que determinado candidato terá em uma urna? E no que mais a imaginação permitir. …Ler mais.

Marcas da matança

As marcas das balas do assassinato de sete soldados por Lampião e seu bando foram cobertas com cimento e tinta. No local da chacina, uma placa em homenagem aos policiais mortos, colocada pela prefeitura de Queimadas (BA) e a Polícia Militar. No local, funcionava o quartel e a cadeia pública, de onde os “macacos” – foma como o cangaceiro tratava os policiais – foram arrancados. Até recentemente, funcionou como xadrez, mas a ameaça de desabamento fez com que fosse desativada. …Ler mais.