Meus Sertões

Colchas de retalhos

Debaixo de uma árvore, esperando o sol esfriar, Idelcina Carneiro Oliveira pensava em como mudar a sua vida. Grávida do segundo filho, Jefferson, fazia a limpeza de tanques (barreiros) no sertão. A retirada do barro acumulado no fundo do reservatório seco e o transporte em banguê, dentro do carrinho de mão, era pesado demais, mas era o tipo de trabalho que o governo oferecia durante a seca de 1994, na Bahia. …Ler mais.

Tiago Preto

Tiago de Jesus Santos, o Tiago Preto, é uma celebridade em Riachão de Jacuípe, onde também usa o nome de Cassimiro Cassiano Cassiote. O fato de ter sido um dos escolhidos pela artista plástica Virgínia de Medeiros para fazer parte da instalação “Fala dos Confins”, apresentada em São Paulo, em 2010, sobre o modo de se comunicar do sertanejo, aumentou um pouco a sua fama. Assim como o programa de anedotas – estas sim motivo de sua popularidade -, que apresenta na Rádio Jacuípe. …Ler mais.

O santeiro Erivaldo

Quando não está trabalhando no almoxarifado da prefeitura de Santa Brígida, Erivaldo Pereira de Araújo, 43 anos, vive cercado de santos e anjos. Ele é o principal santeiro da cidade, em cujas casas, principalmente a dos mais antigos, estão abarrotadas de imagens do beato Pedro Batista, da madrinha Dodô, de Frei Damião e de Padre Cícero. …Ler mais.

Whatsapp afasta atravessador

Heliana Oliveira é uma das artesãs da Associação dos Empreendedores da Agricultura Familiar e Economia Solidária do Estado da Bahia (Aefaesb). Ela faz parte do grupo “Caravana da Coragem”, que congrega trabalhadores de Senhor do Bonfim, Feira de Santana, Chapada Diamantina e Itabuna. A artesã confecciona roupas com “panos de sacos” de algodão bruto. No passado, este material era utilizado para transportar açúcar.

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Arte de licuri e aves de madeira

José Valdo Rosa nunca gostou de trabalhar na empreiteira que fazia a manutenção de linhas de transmissão de energia. Apesar de elogiado pelos chefes, pois assumia funções diferentes de acordo com a necessidade,  não suportava duas coisas: acordar cedo durante o inverno, principalmente nos estados do sul do país onde o frio é mais intenso, e viver, constantemente, com as botas molhadas.

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Um álbum para Carmelita

A antiga fazenda do coronel João Sá, poderoso político e coiteiro de cangaceiros que por muitos anos mandou e desmandou em Jeremoabo, hoje faz parte do bairro de Nossa Senhora de Brotas, a pouco mais de um quilômetro do Centro. Diante da mansão do coronel, com duas casas impedindo a visão do que já foi um imenso canavial, um menino toca violão, observado por Samuel, pernambucano cuja cor branca engana, mas os olhos e feições não escondem a descendência indígena.

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Nordeste: ausências e permanências

O primeiro contato de Meus Sertões com o professor e fotógrafo Marcelo Eduardo Leite foi durante uma pesquisa para encontrar fotos que pudessem ilustrar um artigo sobre beatismo da professora Enaura Quixabeira, no site. Marcelo foi gentil e cedeu duas de suas muitas fotos sobre Juazeiro do Norte. Não precisou de muito esforço para perceber que seu olhar sobre as questões relacionadas com o Nordeste  era diferenciado.

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