Categoria: Entrevistas

Mais semiárido e menos cisternas

A Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA) foi criada no início dos anos 1990 e integra o comitê coordenador da Rede de Tecnologias Sociais. Mais de mil entidades de diversos segmentos – igrejas católicas e evangélicas, ONGs, ambientalistas, associações de trabalhadores rurais, associações comunitárias, sindicatos e federações – fazem parte da ASA, cujos principais projetos estão relacionados com a convivência com o semiárido, principalmente a construção de cisternas para estoque de água para consumo humano e produção de alimentos. …Ler mais.

Sérgio Carvalho, fotógrafo

O premiado Sérgio Carvalho, 48 anos – faz 49 em abril – divide seu tempo como auditor fiscal do Ministério do Trabalho e a fotografia. Foi combatendo o trabalho escravo que se deu conta da importância de documentar sua atividade e comprou logo uma máquina fotográfica. De lá para cá publicou vários livros e desenvolveu projetos com certas particularidades: todos são minuciosamente elaborados, demoram de um a sete anos para serem concluídos e costumam ser feitos com outros parceiros. É que por causa de seu emprego, ele só fotografa nas férias, feriados e fins de semana. Nesta entrevista para Meus Sertões, Sérgio fala de seus projetos novos e antigos, analisa a questão do trabalho escravo no Brasil e revela porque tem tanto prazer em fotografar.

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A cidade e as serras

O artista plástico Almaques Gonçalves dos Santos, 37 anos, prefere se apresentar como um descolado e maldito. No entanto, contraditoriamente pragmático, diz que sua pegada atual é comercial: “Faço o que os clientes querem”. Nesta entrevista ao site Meus Sertões, as respostas desse pintor jacobinense autodidata são como pinceladas dadas para encobrir o lado romântico e idealista de quem faz de sua cidade, a 330 quilômetros de Salvador, sua musa. Almaques, nome que seria de origem aramaica e teria como significado “terra prometida”, é o expositor deste mês na seção Galeria, na primeira página do site Meus Sertões.

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Foto solidariedade

O radialista Noilton Pereira de Lacerda, 45 anos, teve uma infância difícil. Criado por uma tia, desde cedo começou a trabalhar para ajudar ela e a avó. Foi feirante, eletrotécnico e tentou viver de música, criando uma banda de rock de um homem só. Quando viu que não conseguiria atingir um grande público foi trabalhar com comunicação. Há quatro anos, porém, decidiu sair da zona de conforto e encontrou uma forma diferente de fazer trabalho social. Passou a ajudar 10 famílias, focado principalmente em 45 crianças, mas atendendo 120 pessoas no total. Só recentemente caiu a ficha de que estava suprindo duas necessidades: a de ter uma família completa – e bota completa nisto – e a de “partir para cima” e garantir melhor qualidade de vida para estas pessoas. …Ler mais.

O espetáculo circense da transposição

Este ano completa uma década que Dom Luiz Flávio Cappio, bispo da diocese de Barra (BA) fez pela segunda vez greve de fome em favor da revitalização do rio São Francisco e da população ribeirinha. Dom Luiz sempre defendeu que se uma pessoa anêmica não pode doar sangue, um rio doente não pode ter suas águas transpostas para outras localidades antes de ser revitalizado. Em entrevista exclusiva ao site Meus Sertões ele avalia o que está ocorrendo com o São Francisco e avalia a decisão do governo federal de tocar a qualquer custo a obra de transposição, transformada, segundo o religioso, num espetáculo circense. …Ler mais.

‘A seca não é castigo de Deus’

Padre José Alberto Barbosa Gonçalves está na paróquia de Canudos há quatro anos. Depois de se formar em teologia e filosofia no seminário em João Pessoa, foi padre em Glória, cidade atingida pelas barragens de Moxotó e Itaparica, e na periferia de Paulo Afonso. Nascido em Uauá, conhece muito bem a região em que atua. O religioso lembra que no passado, nos períodos de seca, muita gente morria, e atribui a mudança desta realidade aos programas de convivência com a seca, implantados por ONGs, sindicatos e entidades civis, com o apoio de governos anteriores ao de Michel Temer. Daqui para frente diz não sabe o que acontecerá, pois vê o Estado com atuação meramente arrecadadora.

“A proposta de Antônio Conselheiro nos compromete a um modelo de sociedade a qual os pobres não devem somente ser assistidos. Os pobres devem ser protagonistas.  Quando se tornam protagonistas aprendem a conviver com a seca, não dependem do carro-pipa ou da bolsa-estiagem”.

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Fazenda Riacho Fechado

A família do criador Josimar Alves da Silva, o Mazinho, 45 anos, tem duas fazendas. Uma na comunidade Riacho Fechado e outra no povoado de Xique-Xique, ambas em Macururé. Nas propriedades estão os rebanhos dele, dos irmãos e do pai, que dá a última palavra sobre o que fazer com os animais. Mazinho frequentou encontros com entidades que ensinam os proprietários rurais a conviver com a caatinga. Aprendeu muito, mas o pai, aos 81 anos, recusa novidades. …Ler mais.

Imagens severinas

O rosto curtido do sol, as rugas bem marcadas, o olhar arisco. O boné com aba virada para trás é sua marca registrada. Olhando assim, no meio do sol carioca, Severino Silva parece um boiadeiro nordestino na cidade grande. A fala é mansa, baixinha, e a voz só se eleva para falar “das coisas boas de lá”. “Lá” é o Nordeste, o sertão, onde se sente mais à vontade, onde pode voltar a ser criança e brincar com a luz da lua perto de casas de pau a pique ou com a penumbra iluminada na chama de um toco de vela na mão de um romeiro em uma procissão. O Nordeste de Severino é grande, muito além de Pirpirituba, no interior da Paraíba, onde nasceu e de onde saiu ainda menino. É pelas estradas que ele segue para as pequenas cidades e chega de qualquer jeito: pode ser de ônibus, de carona ou a pé. Na inseparável mochila, disputam espaço as duas câmeras, as lentes, uma rede de selva e um saco de dormir. Às vezes, as roupas não conseguem ganhar nem um cantinho, ele confessa em meio a um sorriso.  E diz que pede pouso em qualquer lugar para poder amarrar sua rede em árvores ou se abancar em um canto de alpendre.

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