Autor: Paulo Oliveira

O caminho da Santa Cruz

 

“Construiu em Monte Santo
o caminho da Santa Cruz.
O povo dizia na reza:
do céu baixou uma luz.
Quem não fizer o bem,
Dom Sebastião já vem,
mandado do Bom Jesus”

Cordel do poeta Jota Sara que registra a passagem de Antônio Conselheiro, também chamado de Bom Jesus, por Monte Santo. Os seguidores de Conselheiro construíram algumas capelas e as muradas do primeiro trecho da subida para a pequena igreja da Santa Cruz.

Capela encostada no céu

Os cerca de 20 mil peregrinos que participarão da romaria da Sexta-feira da Paixão, em Monte Santo, começam a chegar com 24 horas de antecedência. Esta não é a principal atividade religiosa na cidade. Na passagem do dia 31 de outubro para 1º de novembro, Dia de Todos os Santos, o número de religiosos, pagadores de promessa e turistas chega a 100 mil, muitos deles atraídos por um evento profano: os shows de cantores sertanejos bancados pela prefeitura para movimentar a cidade.

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Naufrágio do transporte

O mascate Beltrando Caribé chegou a Januária (MG) pelo rio São Francisco, o melhor e praticamente único meio de transporte da região em 1930. Com o tempo, abriu uma loja de secos e molhados, que revendia produtos comprados no Rio de Janeiro e em São Paulo. Nos anos 30, o comércio fervilhava nas águas do São Francisco, tanto que Beltrando resolveu mudar a loja para a área portuária e estender a venda de produtos para o sul da Bahia e Pirapora (MG). O movimento crescia, os negócios expandiam-se para Goiás. …Ler mais.

Questões agrárias

O professor Luiz Paulo Neiva, coordenador do projeto do novo campus Canudos, da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), anunciou que as questões agrárias no Parque Estadual de Canudos estão, praticamente, resolvidas. Pelo menos 53 famílias moravam em áreas do Parque Estadual de Canudos, onde são preservados os locais em que foram travados combates entre soldados do Exército e seguidores de Antônio Conselheiro, entre 1896 e 1897. …Ler mais.

A floração do umbuzeiro*

Sertanejas se organizam em cooperativa, reinventam-se e ganham independência e autoestima

Bem antes de os umbuzeiros centenários ganharem apelidos e começarem a botar os primeiros frutos, os homens dominavam o sertão, as árvores, os bichos e as mulheres. Só há pouco tempo, elas começaram a se libertar. Essa liberdade começou na cozinha. Foi assim na Fazenda Brandão e em outras 19 localidades das cidades de
Canudos, Uauá e Curaçá. …Ler mais.

No alto das árvores

Nem as dores e dificuldades que todo sertanejo enfrenta tiram a alegria e a disposição da agricultoraJovita, 70 anos, que carrega cruz até no nome. Desde pequena, no povoado de Maruá, em Uauá, onde vivem cerca de 50 famílias, ela aprendeu a subir nos galhos mais altos dos umbuzeiros, mesmo que eles furassem seus braços, para pegar os melhores frutos. É dos umbus que ela sempre extraiu alimento e parte da renda para criar cinco filhos  –  um deles adotivo  –  e comprar os remédios para o marido esquizofrênico e incapacitado há 30 anos. …Ler mais.

Trilhos da história

A estação de Queimadas, na Bahia, é importante monumento histórico. Foi nela que os soldados do Exército desembarcaram para combater Antônio Conselheiro e seus seguidores. Aberta em 1886, dez anos antes do desembarque da primeira tropa, a estação era o ponto mais próximo de Canudos, que ficava a cerca de 200 km de distância. Fazia parte da Estrada de Ferro Bahia, que ligava a estação de São Francisco, em Alagoinhas, ao rio São Francisco, em Juazeiro, em percurso de cerca de 440 km. Os trens levavam as riquezas minerais da região. …Ler mais.