Autor: Paulo Oliveira

O resgate dos almanaques

A tese “Histórias e Leituras de Almanaques no Brasil”, da doutora em educação Margareth Brandini Park, nos brinda com um personagem fantástico. Seu Vicente, nascido em 1916, em uma cidade do interior, é filho de um colono de fazenda de café e de uma escrava liberta que carregava uma marca de ferro no seio feita a mando da sinhá para não atrair a cobiça de seu proprietário.

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A rainha das xiringas e dos ximangos

Elita da Silva Pereira, 63 anos, chega perfumada, com os cabelos soltos e unhas feitas, na matriz da empresa. Sua roupa tem bordados de flores nas mangas. No pescoço e no pulso, um cordão de ouro e um relógio. Está vestida desse jeito porque vai viajar para Vitória da Conquista, a 150 quilômetros de Condeúba, cidade do semiárido baiano. No entanto, não é assim que fregueses e fornecedores estão acostumados a vê-la.

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A festa dos frutos sagrados

Os Tremembé, indígenas brasileiros cujas primeiras referências datam do século XVI, estão em festa. De hoje até o dia 12 de janeiro será realizada a X Festa do Murici e do Batiputá, na Aldeia São José, em Barra do Mundaú, em Itapipoca (CE). Durante a comemoração serão inauguradas a Oca Digital Indígena Iandê (pronome ‘nós’ em tupi-guarani) e a exposição fotográfica Iandê Á’Tã Joaju (Juntos Somos Fortes), do fotógrafo cearense Marcos Vieira, A exposição está sendo lançada simultaneamente no site Meus Sertões, na seção Galeria, na primeira página, e em clipe no canal do You Tube. Posteriormente será apresentada em Fortaleza (CE), São Paulo (SP) e Paris (França). As iniciativas fazem parte do projeto Ação Tremembé, financiado pela União Europeia.

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Assentamento Maria Zilda

O assentamento Maria Zilda, a dois quilômetros do centro de Cordeiros (BA), tem esse nome para homenagear a agricultora assassinada por jagunços que atacaram o acampamento do MST, próximo à Fazenda Caldeirão, em Vitória da Conquista, em outubro de 1994. Além de Zilda, um sem-terra foi morto e seis ficaram feridos no ataque para impedir que a propriedade, identificada pelo Incra (Instituto Nacional de Reforma Agrária) como improdutiva, fosse desapropriada. A ação violenta não impediu a expropriação.

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Reza e palmeado

Janeiro é dia da festa de São Jorge, no povoado quilombola de Campo Grande, em Santa Teresinha, cidade sertaneja localizada na região centro norte baiana. Ao contrário do restante do Brasil, em que o Santo Guerreiro é saudado no dia 23 de abril, os festejos viraram tradição na localidade por causa de Maria Conceição Guedes, 79 anos, e do marido dela, Eugênio Almeida Galvão, 80.

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O japonês do sertão – Parte 2

O pioneiro

Antônio Aparecido Pereira, o Cido, começou a trabalhar na roça aos 7 anos para ajudar o pai a sustentar a família, que incluía a mãe e sete irmãos. Abandonou os estudos na quinta-série por não conseguir mais conciliar lápis e caderno com a enxada. Concluiu que “a roça não dava a camisa a ninguém” quando chegou à maioridade. Juntou a revolta por não conseguir realizar o simples sonho de comprar uma bicicleta com a vontade de conhecer uma grande cidade e aceitou o convite do primo para trabalhar como ajudante de pedreiro em São Paulo.

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O japonês do sertão – Parte 1

Um restaurante japonês que só abre três dias da semana em uma pequena cidade do sertão e tem no cardápio um único peixe, cujo habitat fica a 4.480 quilômetros de distância, parece estar fadado ao fracasso. No entanto, esse estabelecimento com capacidade para 40 clientes, está fincado no município que exportou nos últimos 30 anos mais de três mil sertanejos, transformados em empresários ou sushimen de centenas de estabelecimentos do ramo em diversos estados do país, principalmente São Paulo.

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