Arte abandonada

É preciso se posicionar a alguns metros de distância para vê-lo por completo. Para senti-lo é necessário que se aproxime. Ao aumentar o seu campo de visão, o viajante vai observar em detalhe todas as histórias contadas em uma das três partes do painel, em forma de mural, finalizado em 1967 pelo artista plástico Lênio Braga, com participação do ceramista alemão Horst Udo Knoff, na Estação Rodoviária de Feira de Santana. Versos e figuras em cordel, cores e textura são uma aula de “sertanejidade”, de “feiradesantanidade”, de “nordestinidade”. …Visualizar o restante

Cidade submersa

Dos mais de três séculos de história de Rodelas restaram apenas o grande caldeirão de lembranças do seu povo e a saudade, dor que não passa. Há 29 anos, a contragosto, os rodelenses protagonizaram uma triste festa de despedida. Empurrados por canções que viraram hinos, carregaram nos ombros, ladeira arriba até a nova cidade, os andores com as imagens dos santos de devoção. Deixaram para trás o passado. …Visualizar o restante

Desenterro do cão

Sob o sol escaldante e em silêncio, o cortejo alternava o ritmo da caminhada, de acordo com o terreno. Suado, Quinho de Manoel Guarda, em passos apressados, carregava uma caixa de papelão e Ancelmo de Lourdes Libânia levava nos ombros uma pá. Dentro estava o cadáver de Mimo, um cachorro chato que foi companhia de Carmelita Cruz durante anos. Seguiam em direção a um riacho. Estavam numa missão: enterrar o animal. Tinham sido pagos para a tarefa. Mas não queriam cumprir o acordado. …Visualizar o restante

O folheteiro

Nos últimos dez anos, Jurivaldo Alves da Silva, que prefere ser chamado de folheteiro e não de cordelista, montou uma coleção de mais de quatro mil títulos das obras dos principais poetas populares do Brasil – uma das maiores que se tem conhecimento. E pretende fundar um museu. Os livrinhos estão guardados numa chácara, onde, se dependesse da sua vontade, já estava montada a biblioteca e aberta à visitação dos admiradores e de estudiosos do tema. Esbarrou nas dificuldades financeiras. Na ponta do lápis, as contas são mais difíceis de fechar do que uma sequência de rimas. A concretização do sonho vem sendo adiada – ele não sabe até quando. …Visualizar o restante