Nasceu e cresceu numa típica família brasileira. Potiguar, morando na Bahia há vinte anos, é médica de formação e pesquisadora da cultura popular. Nos últimos 10 anos abandonou a sua especialidade em cardiologia e ultrassonografia vascular para atuar como médica da família na Bahia e no Rio Grande do Norte, onde passou a recolher histórias e saberes. Nessa jornada publicou cinco livros.”. No final de 2015 passou temporada no Amazonas recolhendo saberes indígenas.

Antes da hora

Dizem os escritos sagrados que não cairá um cabelo de nossas cabeças sem o consentimento de Deus. Esta crença extrapola qualquer teologia pelo Brasil, conforme a médica e pesquisadora de cultura popular Helenita Monte de Hollanda constatou em sua pesquisa pelo sertão e litoral do Nordeste. Muita pessoas acreditam que algumas mortes ocorrem antes da hora definida pelo Criador. Diante disso, Helenita foi buscar uma resposta para o que acontece com quem não cumpre o que está escrito.Veja o que ela descobriu. …Visualizar o restante

Corpo fechado

A busca pelo que remanesce de popular, principalmente no que se refere à religiosidade, tem feito de mim uma garimpeira. Tentada a dizer “viajante” não o direi pois está tudo posto na Cultura, mais ou menos diluído, é fato, mais ou menos latente. É preciso olhar e ouvir. E aí saio eu com bateia e peneira juntando em preciosa coleção os saberes do nosso povo. É alimento já preparado com feitio de partilha. …Visualizar o restante

Toma jeito aí, boi!

O trabalho é um dos temas da Cultura Popular que para mim sempre pareceu o mais difícil de estudar pela falta mesma de exemplares próximos. Encontrar na velha estrada do Cansanção o Seu Zé Luiz, considerado um dos melhores carreiros da região foi presente que peregrina merece!

Imaginar que o carro de boi tem história que se perde no tempo e remonta pelo menos 5 mil anos a partir de quando estudos o situam entre os fenícios, egípcios, babilônios e em meio ao povo hebreu é um susto quando consideramos a evolução tecnológica vinda com os tempos. Mas lá estava ele gemendo, rangendo, levantando poeira mansa, tocado pela voz mais amiga que ameaçadora do moço Zé Luiz.

Pedi licença para subir no carro para não apenas registrar mas viver a experiência nada fácil. Que força! Três parelhas de bois em sintonia e sincronia numa orquestração perfeita dada pela voz e pela longa vara apenas norteadora e que não machuca o animal, mas o conduz.

Eia! Toma jeito aí, boi!

Sempre vivas

Entre os diamantes que encontrei durante o meu período garimpando na Chapada, Seu Moreno foi um dos de maior quilate. Primeiro como paciente e depois como amigo, fomos desdobrando o nosso tempo em conversas e passeios no paraíso de Tapiacanga, em Mucugê, regado a delicioso café colhido ali mesmo no quintal e pilado pelos braços ainda fortes daquele com quem me dei a conversas que ficaram na batéia do meu coração até hoje.

Filho de família tão típica do lugar, viveu do que pode: café, garimpo, coleta de sempre vivas, arroz… E é nesse trânsito familiar e pessoal que ele nos conta a história da região diamantina com as suas riquezas e dificuldades.

Da lembrança da sua casa ainda me vem o cheiro dos biscoitinhos de polvilho feitos pela neta e servidos com tanta generosidade e asseio que me sentia ali visita importante.