Nasceu e cresceu numa típica família brasileira. Potiguar, morando na Bahia há vinte anos, é médica de formação e pesquisadora da cultura popular. Nos últimos 10 anos abandonou a sua especialidade em cardiologia e ultrassonografia vascular para atuar como médica da família na Bahia e no Rio Grande do Norte, onde passou a recolher histórias e saberes. Nessa jornada publicou cinco livros.”. No final de 2015 passou temporada no Amazonas recolhendo saberes indígenas.

Roda pião!

“O Pião entrou na roda, o pião!
O Pião entrou na roda, o pião!
Roda pião, bambeia pião!”                                                                                                                                                                                  Cantiga popular

O pião, conhecido como strombo na Grécia Antiga e turba em Roma, o brinquedo de madeira com formato de pera invertida foi trazido para o Brasil pelo colonizador português. Encontrado em todo o Brasil, apesar de seu uso diminuir a cada ano em função dos jogos eletrônicos, ainda faz a alegria de crianças e adultos, como pode comprovar em 2012 a médica e pesquisadora de cultura popular Helenita Monte de Hollanda, na ilha do Miradouro, em Xique-Xique (BA). …Visualizar o restante

Cantos de Oxóssi

Mãe Nair é gente de santo em Xique-Xique. Sincrética como boa religiosa baiana, filha de Oxóssi e devota ardorosa dos seus “Cosmes”, abre a sua casa alegremente para quem crer e deseja a saúde.

A rezadeira e mãe de santo cura dores no corpo e cabeça. Também é capaz de livrar os viventes do rasto de sol. Para quem não sabe, o raio direto ou indireto de sol é capaz de adoecer uma pessoa ao tocá-la em partes do corpo. Pé, cabeça, perna…

O tratamento é feito com reza e tocando a área afetada com um vidro ou copo virgem com água.

Neste vídeo, a médica e pesquisadora de cultura popular Helenita Monte de Holanda nos mostra os cantos que Mãe Nair entoa para chamar seu orixá. O deus caçador de uma flecha só, senhor da floresta e dos seres que nela habitam é cultuado no Brasil, em Cuba e em países que a cultura iorubá prevaleceu.

Òké Aro!

Superproteção

A origem da figa ainda hoje é incerta, embora estudos encontrem a sua presença mais remota entre os etruscos. Este povo viveu na Etrúria, na península Itálica, na área equivalente à atual Toscana, por volta do século VII Antes de Cristo.

Inúmeros desses objetos foram encontrados nas ruínas de Pompéia.

Símbolo de fertilidade (o polegar entre os dedos indicador e médio sugerem a penetração peniana na genitália feminina) originalmente era usado por mulheres e crianças, servindo para afastar o “malefício da infertilidade”, considerada verdadeira maldição.

Com o passar do tempo, a figa foi “ganhando poderes”, passando a servir como objeto protetor (amuleto) contra qualquer infortúnio, principalmente contra mau olhado.

O português colonizador a trouxe para o Brasil e logo foi adotado pelas religiões de matrizes africanas como amuleto que “fecha o corpo”.

Em maio de 2014, ao ser interrogada em um ambulatório sobre o amuleto, a mãe do bebê de 26 dias (foto acima), uma jovem de 19 anos, explicou:

“A figa dourada mode decorar e figa verdadeira de pauzinho de arruda mode olho ruim.”

Este objeto também foi passado, no sertão paraibano, por ciganas para seus filhos, pois acreditavam ser capaz de evitar agressões físicas e espirituais, afastar feitiços e influências negativas.

Recomenda-se que seja levado junto ao corpo para servir como proteção. Quando uma figa se parte deve ser jogada fora, pois já cumpriu sua função. Se perdida, não deve ser procurada.