Autor: Helenita Monte de Hollanda

Macaxeira, maní

 

A médica e pesquisadora de cultura popular Helenita Monte de Hollanda nos mostra esta semana como é preparada a farinha de mandioca no Nordeste e Norte do Brasil. As cenas gravadas no distrito de Guiné, em Mucugê, na Chapada Diamantina (BA), em 2011, e em São Gabriel da Cachoeira (AM), em 2015.

Na Chapada, a farinhada dura todo o ano e as mulheres têm a missão de plantar, colher e preparar a farinha.

“Agrupadas em mutirão, reunidas embaixo de frondosas árvores, encontramos as mulheres em desassombrado vozerio e risadagens sem fim. Numa alegria que não dá sossego ao trabalho. Dez, vinte e às vezes mais mulheres de todas as idades descascam, ralam, espremem e peneiram a macaxeira e a puba resultante que dará origem à farinha que sustenta o povo do interior como principal fonte de carboidrato” – conta Helenita.

A pesquisadora também nos revela como é o processo das indígenas e conta a lenda de como surgiu a macaxeira.

Antes da hora

Dizem os escritos sagrados que não cairá um cabelo de nossas cabeças sem o consentimento de Deus. Esta crença extrapola qualquer teologia pelo Brasil, conforme a médica e pesquisadora de cultura popular Helenita Monte de Hollanda constatou em sua pesquisa pelo sertão e litoral do Nordeste. Muita pessoas acreditam que algumas mortes ocorrem antes da hora definida pelo Criador. Diante disso, Helenita foi buscar uma resposta para o que acontece com quem não cumpre o que está escrito.Veja o que ela descobriu. …Ler mais.

Corpo fechado

A busca pelo que remanesce de popular, principalmente no que se refere à religiosidade, tem feito de mim uma garimpeira. Tentada a dizer “viajante” não o direi pois está tudo posto na Cultura, mais ou menos diluído, é fato, mais ou menos latente. É preciso olhar e ouvir. E aí saio eu com bateia e peneira juntando em preciosa coleção os saberes do nosso povo. É alimento já preparado com feitio de partilha. …Ler mais.

Toma jeito aí, boi!

O trabalho é um dos temas da Cultura Popular que para mim sempre pareceu o mais difícil de estudar pela falta mesma de exemplares próximos. Encontrar na velha estrada do Cansanção o Seu Zé Luiz, considerado um dos melhores carreiros da região foi presente que peregrina merece!

Imaginar que o carro de boi tem história que se perde no tempo e remonta pelo menos 5 mil anos a partir de quando estudos o situam entre os fenícios, egípcios, babilônios e em meio ao povo hebreu é um susto quando consideramos a evolução tecnológica vinda com os tempos. Mas lá estava ele gemendo, rangendo, levantando poeira mansa, tocado pela voz mais amiga que ameaçadora do moço Zé Luiz.

Pedi licença para subir no carro para não apenas registrar mas viver a experiência nada fácil. Que força! Três parelhas de bois em sintonia e sincronia numa orquestração perfeita dada pela voz e pela longa vara apenas norteadora e que não machuca o animal, mas o conduz.

Eia! Toma jeito aí, boi!