Autor: Clarissa Melo

A tradução da seca

DA LITERATURA AO CINEMA, O SERTÃO E O SERTANEJO EM VIDAS SECAS

Clarissa Damasceno Melo [1]

Resumo: Este artigo propõe, considerando tanto a prosa da Geração de 30, quanto o movimento Cinema Novo, traçar a forma com que sertão e sertanejo foram representados em Vidas Secas; primeiro por Graciliano Ramos e depois por Nelson Pereira dos Santos em adaptação para o cinema; quando a literatura sobre a seca se transforma em fotografia da fome. Para tal, faremos a conexão entre complexidades sociais vividas no sertão brasileiro e a produção artística que se propôs a denunciar, esteticamente, tais complexos e contradições. Partiremos da ideia de que, fotografando a literatura regionalista da década de 1930, Nelson Pereira dos Santos consegue denunciar a condição de subdesenvolvimento encarada no país em fins dos anos 1950 e início da icônica década seguinte, concluindo que a condição de sofrimento cíclico em decorrência dos períodos de estiagem, imposto pelo sertão e sugerido por Graciliano, se confirma a cada novo ciclo de secas e que estas, apesar de serem atualmente enfrentadas com melhorias pontuais no estilo de vida do povo sertanejo, continua a atingi-lo de forma a traduzir ainda um problema historicamente negligenciado.

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