Tanque das Pedras

Tanque das Pedras

Não há sinalização em Teofilândia que conduza o visitante ao Tanque das Pedras, local que deu origem à cidade, situada a 202 quilômetros de Salvador. A chegada ao belíssimo cenário só foi possível porque fomos guiados pelo artista plástico e professor de artes Raimundo Carvalho, um entusiasta e defensor da preservação da natureza.

Hoje, algumas pedras pintadas de cores berrantes contrastam com os tons da natureza. O matagal crescido não tira a beleza e a placidez de uma das paisagens mais bonitas do sertão baiano. Nos caldeirões, há peixes de pequeno porte que atraem um ou outro pescador.

Acima dos portões de madeira que dão acesso ao Tanque, a tinta usada para escrever o nome do parque apagou. Alguns metros adiante há uma placa de metal escurecido, na qual letras miúdas e agrupadas bem próximas dificultam a leitura do resumo sobre como surgiu o município. Com grande esforço é possível ler o seguinte resumo:

“Teofilândia foi descoberta aqui

 

Em 1723 houve uma seca. Alguns vaqueiros da fazenda Vargem de Baixo, de João Manoel e Manoel João da Silva, saíram em busca de água e alimento para o gado. Cansados, dormiram. Ao acordarem não encontraram o gado. Seguiram o rastro e descobriram o tanque das pedras, onde lá estavam os animais. Retornaram à fazenda para avisarem aos patrões o que tinham descoberto.

Logo, os patrões se apossaram e deram o nome de Fazenda Pedras Em seguida chegaram outros moradores. A fazenda foi aberta e José Santiago de Oliveira construiu a primeira casa, formando assim o Arraial de Pedras. O arraial foi crescendo e em 1953 foi transformado em distrito com o nome de Itapiru (Nota da redação: palavra indígena que significa “repleto de pedras”).

Em 23 de abril de 1962, obteve sua emancipação política passando a se chamar Teofilândia

Rec. do conhecimento histórico Antônio Serapião de Araújo Filho

Inaugurado 26/6/2004. Administração: Carlos Afonso de Oliveira e Antônio Jackson de Araújo Moura.”

Não há espaço na plaqueta para detalhar que após a formação do primeiro povoado, a fazenda se transformou em parada obrigatória para vaqueiros e tropeiros. Consta que a primeira moradia foi construída por José Santiago de Oliveira, em 1820.

Igreja Matriz de Santo Antônio. Foto: Paulo Oliveira
Igreja Matriz de Santo Antônio. Foto: Paulo Oliveira

Cinquenta anos depois foi a vez da primeira capela, erguida com a ajuda de Antônio Conselheiro. Ela deu origem à Igreja Matriz de Santo Antônio. Ainda quando se chamava distrito de Itapiru, o arraial recebeu um motor gerador de energia, movido a óleo diesel, trazido pelo contador geral do Estado Joaquim Teófilo de Oliveira, cujo nome serviu para batizar o município, emancipado em 1962.

Jornalista, 57 anos, traz no sangue a mistura de carioca com português. Em 1998, após trabalhar em alguns dos principais jornais, assessorias e sites do país, foi para o Ceará e descobriu um novo mundo. Há dez anos trabalha na Bahia, mas suas andanças não param. Formou comunicadores populares nas favelas do Rio e treinou jornalistas em Moçambique, na África. Conhece 14 países e quase todos os estados brasileiros. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.
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2 reflexões sobre “Tanque das Pedras”

  1. LuciaDisse…
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    Estou encantada com seu trabalho. Tudo isso vai somando registros para que a nossa história não se perca nas placas de metais. Obrigada por conhecer o nosso Tanque de Pedras e torná-lo mais visível. Agradecer por sinalizar melhorias.

    1. Paulo OliveiraDisse…
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      Muito obrigado. Equipe Meus Sertões

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