Cultura e mística de Monte Santo

Cultura e mística de Monte Santo

Monte Santo é um município encravado no sertão baiano, com população de 49.565 pessoas, segundo o IBGE. É conhecido por lá ter sido encontrado o Bendegó, o maior meteorito localizado no Brasil, em 1784. Outro episódio marcante é ter servido de base para o Exército, que massacrou Canudos, no final do século 19.

Secas constantes e a passagem dos cangaceiros do bando de Lampião influenciaram na cultura e na mística da cidade, onde se localiza o Santuário da Santa Cruz.

A religiosidade se acentuou a partir da chegada do frei capuchinho Apolônio de Toddi, que catequizava indígenas da aldeia Massacará. Ele foi convidado por um fazendeiro para uma missão de penitência na fazenda Lagoa da Onça.

Ali chegando, no segundo semestre de 1785, o religioso encontrou um cenário devastado pela seca. Diante disso, seguiu para o local conhecido como Piquaraçá, usado para descanso do gado e de tropeiros.

Conta-se que o frei ficou impressionado com a semelhança do morro existente no local com o Monte Calvário e decidiu rebatizá-lo como Monte Santo. Aos poucos, demarcou o monte com cruzes, de acordo com a Paixão de Cristo e representando as almas, as dores de Nossa Senhora e o sofrimento de Jesus.

O tempo passou. Em sua passagem pela cidade, o beato Antônio Conselheiro construiu parte da escadaria e dos muros que dão acesso ao santuário. O filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, diretor premiado em Cannes, foi filmado na cidade, em 1962, assim como cenas da minissérie “O Pagador de Promessas”.

Para preservar a memória, a identidade cultural e o patrimônio material e imaterial de Monte Santo foi criado, em 2015, o “Projeto de Educação Patrimonial Conhecendo o Meu Lugar”, que desenvolve atividades envolvendo turistas e romeiros a fim de difundir informações de caráter histórico e cultural, além de promover ações nas escolas do município.

A exposição fotográfica “Monte Santo”, realizada em março deste ano, é uma das iniciativas do projeto, que agora é exposta em duas versões por Meus Sertões. Parte dela está em um clipe no You Tube e pode ser acessada abaixo.


Outra versão está publicada na primeira página do site, na seção Galeria. A parceria Meus Sertões/Projeto de Educação Patrimonial Conhecendo o Meu Lugar, foi firmada com o coordenador do programa, professor doutor Raimundo Venâncio Filho.

“Desde a criação do Projeto foram realizadas ações que envolveram cerca de três mil pessoas, entre visitantes e estudantes do município. Esperamos atingir muito mais pessoas através do site Meus Sertões. Não podemos deixar nossa história morrer” –, disse Venâncio Filho.

EXPOSIÇÃO

Jornalista, 57 anos, traz no sangue a mistura de carioca com português. Em 1998, após trabalhar em alguns dos principais jornais, assessorias e sites do país, foi para o Ceará e descobriu um novo mundo. Há dez anos trabalha na Bahia, mas suas andanças não param. Formou comunicadores populares nas favelas do Rio e treinou jornalistas em Moçambique, na África. Conhece 14 países e quase todos os estados brasileiros. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.
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