Barro da salvação

Barro da salvação

Maria do Carmo dos Santos,  a Neguinha, 46 anos, aprendeu a trabalhar com barro com a mãe e a avó aos sete anos. Trabalhava com peças miudinhas para crianças brincar. Aos 10, começou a fazer panelas grandes. O artesanato, porém, não garantia a subsistência dela é da família. Isto porque recebia muito pouco pelas peças que produzia – R$ 40 o cento de panelas.

O que ganhava não evitava que passasse fome. Quando recebia por um trabalho, estava devendo o dobro na venda. Na estreia da terceira temporada do programa “Artistas Populares do Nordeste, do canal Cultura Popular Brasileira, Neguinha relata os momentos em que ela e o irmão passaram fome, chegando a desmaiar e ir parar no hospital.

 

Os problemas começaram a terminar há cerca de 12 anos, quando Maria do Carmo conheceu a artista plástica Ana Veloso, contratada pela secretaria de cultura de Belo Jardim (PE) para revitalizar a produção artesanal e estimular o potencial dos artesãos do município. A princípio, Neguinha estava reticente em mudar a maneira de trabalhar para produzir peças artísticas.

No entanto, ao participar da primeira feira e conseguir vender uma panela com tampa e uma xicara por R$ 10, resolveu experimentar novas possibilidades. Vieram os tamanduás, os santos e as cabeças, que a fizeram ganhar fama e afastar de vez a fome. Para quem não sabia o que era salário mínimo nem nunca vira uma nota de R$ 100, a quantia ganha na primeira na Fenearte, em Recife, em 2011, era algo inesperado.

Hoje, com o talento reconhecido e com peças vendidas em galerias do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, Neguinha conta a história de seu sucesso.

Nasceu e cresceu numa típica família brasileira. Potiguar, morando na Bahia há vinte anos, é médica de formação e pesquisadora da cultura popular. Nos últimos 10 anos abandonou a sua especialidade em cardiologia e ultrassonografia vascular para atuar como médica da família na Bahia e no Rio Grande do Norte, onde passou a recolher histórias e saberes. Nessa jornada publicou cinco livros.”. No final de 2015 passou temporada no Amazonas recolhendo saberes indígenas.
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