Queijo de cabra

Queijo de cabra

Antônio Caetano, 50 anos, é funcionário da secretaria municipal de Malhada de Pedras, na região centro-sul da Bahia. No entanto, ele prefere ser apresentado como criador de cabras, atividade que iniciou em 2014 com animais da raça anglo-nubiana.

Os exemplares anglo-nubianos são originários de cruzamento de cabras inglesas e da Núbia, região do vale do Rio Nilo partilhada pelo Egito e pelo Sudão. Foram criadas com o objetivo de fornecerem leite para os marujos ingleses que dominavam os mares e faziam longas e constantes viagens.

Rústica, foi trazida para o Brasil, onde se adaptou bem em regiões diferentes como o sul e o nordeste. Apesar de produzir leite com elevado teor de gordura e proteína, garantindo maior rendimento na produção de leite. No entanto, sua produção fica abaixo da metade da raça sanem. Este foi um dos motivos pelo qual Caetano trocou de cabras, adquirindo-as em Alfenas (MG) por até R$ 1.500, cada.

Atualmente com sete animais – cinco saanen e duas pardas alpinas -, Antônio é o único produtor de leite de cabras de Malhada de Pedras e fornece queijo e leite para famílias de crianças alérgicas de Brumado, a cerca de 40 km de distância.

As cabras da raça saanen são originárias da Suíça. Com úberes enormes, elas ganharam fama no final do século 19, quando foram exportadas para vários países. Ela é a cabra de maior produção de leite no mundo. A produção de cada animal varia de 2,5 a 5 litros de leite. A média em Malhada de Pedras são 4 litros.

Com pelagem branca e pelos curtos chegam a pesar 90 quilos (fêmeas) e 120 quilos (machos). Na propriedade de Antônio as estrelas são Peu, dois anos e 45 quilos, e Thor, macho de quatro anos, o pai do chiqueiro. Ele cobre até 40 cabras e entre cada cruzamento toma até banho para não impregnar o cheiro na cabra. Thor gerou até agora 45 filhotes.

O sistema de criação empregado por Antônio é o de confinamento em abrigo arejado, protegido do vento e da umidade. O cocho deve permanecer limpo e desinfetado. Também é necessário vermifugar e fazer exame de fezes periodicamente nos animais. A alimentação é feita com forrageiras e grãos para assegurar a produção. Calcula-se que cada exemplar beba de cinco a seis litros de água por dia.

Já as cabras alpinas, vindas da França, estão entre as três raças principais de produtoras de leite. Uma das diferenças é que sua produção tem teor mais baixo de gordura.

Antônio lembra que vizinhos disseram que as cabras que ele trouxe de Minas não suportariam o calor do semiárido. Erraram feio.

De acordo com o criador, são necessários 8 litros de leite para a produção de um quilo de queijo. Em centros mais desenvolvidos a proporção cai, segundo ele para 3 litros por quilo. Em poucas palavras, Antônio explica como produz o queijo:

“O leite é aquecido a 40 graus. Em seguida, coloco o coalho por 10 minutos. Corto o leite coalhado e coloco nas formas, deixando-o escorrer por 24 horas. Depois, é retirado e aplica-se água aquecida com sal. Volta para a forma, onde descansa por 48 horas e vai para a geladeira.”

O queijeiro fabrica sete quilos por semana. Cada peça é vendida a R$ 25. Em breve, duplicará a produção. O próximo passo é fornecer leite e queijo para a merenda escolar.

Jornalista, 56 anos, traz no sangue a mistura de carioca com português. Em 1998, após trabalhar em alguns dos principais jornais, assessorias e sites do país, foi para o Ceará e descobriu um novo mundo. Há dez anos trabalha na Bahia, mas suas andanças não param. Formou comunicadores populares nas favelas do Rio e treinou jornalistas em Moçambique, na África. Conhece 14 países e quase todos os estados brasileiros. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.
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