A lenda

A lenda

Houve um tempo em que todos sabiam dele! Não havia proprietário de fazendas de gado, vaqueiros e moradores rurais que não soubessem das façanhas daquele homem misterioso que aboiava como ninguém, ferrava boi, domava os valentes.

Empregava-se nas fazendas onde o trabalho era o mais árduo e tomava para si o encargo de juntar boiadas espalhadas, de trazer gado perdido. Voltava com as juntas salvas e tão logo recebesse pagamento sumia da mesma forma que chegara – silente e rápido.

Do seu comportamento arredio surgiram as primeiras conversas e foi virando lenda por todo o Brasil rural. Alvo de gozações pelo seu aspecto humilde e desarrumado, era respeitado em vaquejadas e outras competições de montaria mesmo sendo o seu cavalo fraco e emagrecido.

Ganhava todos os campeonatos e não havia como ele nas corridas de argolinha. Em festa de peão aparecia como por encanto com o seu ar modesto e misterioso e saía, sem alardes, invariavelmente vencedor.

Soubemos que se encantava em onça! Dizem que uma vez, traído por um dos raros companheiros que tomara aos seus cuidados para ensinar o ofício de aboiar e a quem entregara o segredo de o fazer de volta homem após o feitiço, permaneceu onça, sem volta.

Revoltado com a traição e furioso, aquele que recebera o nome de Ventura no Nordeste e Borges nos prados mineiros, passou a atacar currais provocando uma matança de animais como até hoje não se viu igual.

Nasceu e cresceu numa típica família brasileira. Potiguar, morando na Bahia há vinte anos, é médica de formação e pesquisadora da cultura popular. Nos últimos 10 anos abandonou a sua especialidade em cardiologia e ultrassonografia vascular para atuar como médica da família na Bahia e no Rio Grande do Norte, onde passou a recolher histórias e saberes. Nessa jornada publicou cinco livros.”. No final de 2015 passou temporada no Amazonas recolhendo saberes indígenas.
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