O convite

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MEUS SERTÕES UNIVERSIDADE - APRESENTAÇÃO

O SERTÃO ENTRE A FLOR E OS ESPINHOS

Camila Gabrielle

Qual é o seu ideal de felicidade? Para esta pergunta temos uma infinidade de respostas. Mas, provavelmente, um grande grupo de pessoas associa o ato de ser feliz com o fato de residir em grandes cidades, estudar em universidades renomadas, ocupar cargos elevados e ser bem-sucedido financeiramente.

Agora imagine uma casa simples, no semiárido nordestino, o sol escaldante que marca o sertanejo na pele e na alma, o verde do mandacaru em contraste com os espinhos, o criador de animais e o agricultor que cuida da terra e do rio nem sempre perene.

O que vem à sua cabeça ao ouvir a palavra “sertão”? Seca? Pobreza? Miséria? Se isto ocorre é porque esta situação é reforçada pelos principais veículos de comunicação do país, que exibem frequentemente imagens de animais mortos e pessoas castigadas pela estiagem.

Mandacaru antes da floração. Foto: Camila Gabrielle
Mandacaru. Foto: Camila Gabrielle

E se eu disser que há pessoas felizes que não querem abandonar o sertão, homens e mulheres que não trocam a simplicidade do campo pelos atrativos do mundo moderno? Você pode não acreditar, mas a região é muito mais do que seca. Aliás, faz tempo que o sertanejo aprende técnicas para conviver com ela.

É por isso – e por ser nordestina – que resolvi desenvolver o projeto “O sertão entre a flor e os espinhos” como trabalho de conclusão do curso de jornalismo da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Ele consiste na produção de um documentário, além de reportagens e fotos para o site “Meus Sertões”.

Meus objetivos são descontruir ideias preconceituosas e ultrapassadas sobre o semiárido e mostrar que pessoas simples são felizes, fazendo o que gostam e aprendendo a lidar com os problemas climáticos.

itabi e gararu

O projeto começou em novembro de 2017 com o levantamento de dados sobre a região e o aprimoramento de técnicas de gravação de documentário. As filmagens foram feitas nas cidades de Itabi e Gararu e em seus povoados. Estes municípios estão localizados na mesorregião do sertão do rio São Francisco, em Sergipe, o menor estado do país e o de menos visibilidade na mídia.

Índio Gararu dá nome ao município que fica há 20km de Itabi Foto: Camila Gabrielle
Índio Gararu. Foto: Camila Gabrielle

Eu nasci e morei em Salvador, na Bahia, até os 8 anos. Com minha família, mudei para Aracaju. Minha mãe é sergipana e seus parentes são de Itabi, cidade que faz parte de minha identidade cultural.

Aos 18 anos, vim estudar em Bauru, no interior de São Paulo. Foi quando percebi que os veículos de comunicação retratavam o Nordeste, na maioria das vezes, de forma negativa. Para eles, o litoral nordestino é um bom lugar para passar férias por conta das belas praias, mas o sertão é devastador.

O incômodo que isto causou me fez decidir que, ao final da graduação, desenvolveria um trabalho que visse o povo sertanejo com outro olhar.

Durante a visita que fiz a Itabi, entrevistei personagens – dona Solange, Aldo, Valciro e o casal João Francisco e Valdete – que tinham muito em comum: nasceram, foram criados e não querem sair do sertão. Eles compartilharam comigo histórias familiares, a rotina de trabalho, lições de respeito e o desejo de mais igualdade social.

Flor de mandacaru. Reprodução
Flor de mandacaru. Reprodução

O título do projeto veio por último. A inspiração de “O sertão entre a flor e os espinhos” veio da observação da flor de mandacaru, que desabrocha entre espinhos em meio a temperaturas elevadas, e de seu simbolismo.

O verde da planta representa a esperança.

Os espinhos significam vida difícil e, ao mesmo tempo, adaptação. São eles que retém a água e permitem a sobrevivência da espécie.

A bela flor é uma indicação da chegada da chuva. A água que molha a terra e faz com que as plantações floresçam e frutifiquem.

Este trabalho não tem fins lucrativos. Sua única finalidade é fazer com que as pessoas conheçam mais sobre o outro lado do sertão. Você é meu convidado para conhecer este projeto!

Camila Gabrielle Contributor
Camila Gabrielle, 21 anos, está prestes a se formar em jornalismo. Nascida em Salvador (BA) e criada em Aracaju (SE), ela cursa a Universidade Estadual Paulista (Unesp). Além de estar finalizando o documentário “O sertão entre a flor e o espinho”, Camila trabalha como assessora de imprensa da prefeitura de Bauru (SP) e é freelancer de uma emissora de televisão.

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