Sentinela

Sentinela

Na Chapada Diamantina, no município de Mucugê onde morei, surpreendi-me importância de presenças amigas em torno de um recém falecido em preparação para o sepultamento. As sentinelas são vivências sociais.

Ao saber de uma morte acorrem os amigos para a assistência mais de vivos que do morto. Entendem que o sofrimento paralisa os parentes que necessitam do auxílio de alguém que os alimente, mantenha a fogueira acesa, puxe rezas e anime a noite virada em claro seja em torno do caixão.

Seja ao pé do lumeiro aquecendo as conversas muitas vezes regadas a uma cachaça que ajuda a passar as horas acordadas e solta a conversa em torno de acontecimentos da vida do finado, especulações sobre o pós vida e outras pautas.

A alma desencarnada, confusa na transição da vida para a morte, beneficia-se de rezas norteadoras que invocam interseção de santos para a salvação e companhia dos anjos no caminho para o mundo dos mortos.

 

Nasceu e cresceu numa típica família brasileira. Potiguar, morando na Bahia há vinte anos, é médica de formação e pesquisadora da cultura popular. Nos últimos 10 anos abandonou a sua especialidade em cardiologia e ultrassonografia vascular para atuar como médica da família na Bahia e no Rio Grande do Norte, onde passou a recolher histórias e saberes. Nessa jornada publicou cinco livros.”. No final de 2015 passou temporada no Amazonas recolhendo saberes indígenas.
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