O casarão do Saruê

O casarão do Saruê

A Ilha de Cajaíba, que abrigou um engenho de cana no Brasil Colonial e serviu de residência para Mem de Sá, mantém a beleza e a imponência. No entanto, o casarão e o estábulo que pertencia ao coronel Saruê, na novela Velho Chico, da TV Globo, têm sinais claros de deterioração.

A ilha fica situada na Baía de Todos os Santos, no município de São Francisco do Conde, próxima a foz do rio Sergi. Para chegar lá é preciso ir de barco. Esta semana, o pescador Calmon cobrava R$ 50 reais para levar e trazer de três a seis pessoas. O trajeto dura cerca de 10 minutos.

NO BARQUINHO

O passeio é agradabilíssimo para quem não vê problema em pisar na lama do mangue que se mistura a areia para subir no “Balaio de Gato”, nome do barco de Calmon.

Os sinais de deterioração ficam claros quando nos aproximamos do estábulo onde Camila Pitanga fez cenas dramáticas e sensuais. Mais adiante, o píer que foi construído pela emissora está com o piso solto em vários pontos.

O vigia da prefeitura avisa, logo no desembarque, que não é possível visitar a área interna do casarão. Os acessos estão trancados há um ano. Só uma autorização por escrito do secretário municipal de obras tem o poder de fazer os cadeados se abrirem.

Mesmo assim há pouco para ver, de acordo com o vigia. Só restou uma mesa de madeira do mobiliário mostrado na novela. Outro servidor municipal diz que quando o elenco e os funcionários da Globo partiram, houve furto de material cenográfico.

Em torno do belo conjunto arquitetônico, que hoje pertence à prefeitura, há estrume de cavalos em excesso, montes de entulhos queimados e os toldos das janelas dos fundos estão rasgados. O estado das cocheiras também não é bom.

Mas ficar diante das águas da baía/Bahia observando o movimento dos pescadores, apreciar as palmeiras imperiais e observar detalhes da fachada do casarão compensam cruzar os 69 km que separam São Francisco do Conde de Salvador.

CENÁRIO DE NOVELA

Jornalista, 56 anos, traz no sangue a mistura de carioca com português. Em 1998, após trabalhar em alguns dos principais jornais, assessorias e sites do país, foi para o Ceará e descobriu um novo mundo. Há dez anos trabalha na Bahia, mas suas andanças não param. Formou comunicadores populares nas favelas do Rio e treinou jornalistas em Moçambique, na África. Conhece 14 países e quase todos os estados brasileiros. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.
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2 reflexões sobre “O casarão do Saruê”

  1. AlineDisse…
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    olá boa tarde, meu prezado, gostaria de saber se precisa agendar para ter acesso a ilha, se esse valor é cobrado por pessoa, minha filha gostaria de fazer o ensaio de debutante dela lá, será que preciso de alguma autorização, será na parte externa mesmo. gostaria de sua ajuda

    1. Paulo OliveiraDisse…
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      Bom dia, Aline. Para ir à ilha basta falar com um dos barqueiros que fazem a travessia e ficam na colônia na orla de São Francisco do Conde. O pescador Calmon, que nos levou, tem um pequeno bar na orla e é muito conhecido. Ele conhece os guardas da ilha e não houve problemas para circularmos pelo local. O casarão é cercado por grades e muros. Para entrar nessa área é preciso ter autorização da prefeitura, mas se sua filha só quiser as imediações da propriedade, a autorização costuma não ser necessária.

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